CRISE POLÍTICA

Deputado tucano: “Se Dilma antecipar eleições, ficará melhor na história”

Aliado de Aécio, Pestana defende articulação de parte do PSDB para forçar um novo pleito

Marcus Pestana em audiência na Câmara.
Marcus Pestana em audiência na Câmara.A. Loyola - PSDB

Tido como um dos parlamentares mais próximos da cúpula nacional do PSDB e do ex-candidato à presidência Aécio Neves, o deputado federal mineiro Marcus Pestana se tornou um dos porta-vozes da ideia de que o Brasil precisa passar por nova eleição presidencial. O caminho, que provocou polêmica até entre os tucanos, beneficiaria, em tese, Aécio, por causa da proximidade das eleições do anos passado. Ex-presidente do diretório do PSDB em Minas Gerais, e ex-secretário de Saúde da gestão Aécio Neves, Pestana tem conversado com lideranças de outras legendas, como o PMDB, para que também defendam essa proposta. A ideia é forçar a presidenta Dilma Rousseff (PT) a antecipar as próximas eleições o que, na visão do tucano, ajudaria a preservar a imagem dos oposicionistas da pecha de "golpistas". "Sentimos que, se ela for afastada com base nas pedaladas fiscais, vai passar para a população a imagem de que houve um conchavo político. Aí, o PT se vitimiza, diz que foi golpe. Não é o melhor caminho. Por isso, nós do PSDB defendemos que um novo Governo surja por meio das urnas."

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Pergunta. Quais são as alternativas para a crise política?

Resposta. O ambiente está muito confuso e as versões ficam muito confusas. Tem uma crise gravíssima, com recessão, desemprego, estrangulamento fiscal, desindustrialização, crise econômica aguda, desorganização de alguns setores. Tem uma Lava Jato que é uma caixa de Pandora, que parece que se se abrir, cai a máquina estatal toda. Tem uma crise política que se materializou nesta semana e, misturada com a prisão do José Dirceu, faz com que Brasília, se transforme num caldeirão de conspirações.

P. Muitas delas vindas da própria Câmara dos Deputados.

R. Sim. No plenário da Câmara parecia que a Dilma ia cair na semana que vem. O Governo perdeu o respeito. Perdeu a credibilidade. Parece que nem existe mais. Além disso, há uma constatação generalizada entre as lideranças políticas e empresariais de que a Dilma não dá conta de tirar o país desta crise.

P. E você é um dos defensores dessa tese?

R. Não só eu. Nove entre dez pessoas pensam assim. Não é um posicionamento, é uma constatação.

P. Então, o que fazer?

R. Temos três hipóteses. Uma é o afastamento dela. A outra é viver mais três anos melancólicos em uma crise aguda, com o país perdendo os trilhos. Ou, a terceira hipótese, ela mesma ter a lucidez, a clareza de administrar sua própria transição, que seria menos traumática. Ela poderia ter a clareza e admitir que perdeu as bases para a governabilidade e convocar as lideranças políticas.

P. O que seria administrar sua própria transição? Uma renúncia?

R. Ela poderia antecipar o calendário eleitoral. Ela sairia melhor para a história do que se for afastada. Mas isso ainda não quer dizer que ela será afastada nem que ela vá antecipar a eleição. Agora, pode ser muito ruim para o país ficar três anos e meio com uma Dilma governando aos farrapos e o Brasil perdendo oportunidades, agravando sua crise estrutural. Achamos que uma crise deste tamanho, só um governo eleito, ungido pelas ruas tem condição de enfrentá-la. Sentimos que, se ela for afastada com base nas pedaladas fiscais, vai passar para a população a imagem de que houve um conchavo político. Aí, o PT se vitimiza, diz que foi golpe. Não é o melhor caminho. Por isso, nós do PSDB defendemos que um novo Governo surja por meio das urnas. Uma nova eleição permitiria o PT de concorrer e, quem sabe, até ganhar a eleição.

P.  Vocês já a compartilharam com outros partidos? Qual foi a recepção deles?

R. Já falamos com o PPS, Democratas, PMDB, todos os grandes. Está todo mundo perplexo e preocupado. Todos sabem que precisamos construir alternativas. Há muitas coisas para acontecer nas próximas semanas. É preciso discutir a crise, porque até o momento o Governo não vinha fazendo isso. Iniciou um ajuste e cometeu um estelionato eleitoral.

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