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Walter Palmer, caçador do leão Cecil, já matou um urso de forma irregular

Dentista norte-americano já foi punido em 2006

Zimbábue inicia o processo contra dois homens que o acompanhavam quando matou leão

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Walter Palmer com um cervo caçado no Alasca.

Walter Palmer, o dentista norte-americano que matou o leão protegido ‘Cecil’ em uma batida de caça no Zimbábue, tem antecedentes de caça ilegal. Palmer, que dirige uma clínica em Minnesota, foi condenado em 2008 por abater um urso negro no estado de Wisconsin dois anos antes. O caçador disparou no animal fora da área autorizada e tentou disfarçar o feito, como se tivesse sido abatido em outro lugar. Palmer foi condenado a pagar uma multa de 3.000 dólares (9.974,40 reais) e esteve em liberdade condicional durante um ano. Além disso, as autoridades limitaram sua permissão de usar o arco — a mesma arma que usou para matar o leão protegido — a usos esportivos.

Não foram seus primeiros problemas com a justiça. Em 2006, Palmer foi denunciado por assédio sexual por uma recepcionista que trabalhava com ele. O dentista evitou o julgamento com um acordo privado no qual pagou à mulher mais de 127.000 dólares (422.249,60 reais), segundo os registros da Junta de Odontologia de Minnesota.

O dentista norte-americano, de 55 anos, está sendo objeto de uma campanha massiva de críticas que o levaram a fechar sua clínica – até mesmo bloqueou sua página online –. Mais de 265.000 pessoas assinaram uma petição na Internet que pede justiça para ‘Cecil’ e exige que o Governo do Zimbábue pare com a emissão de permissões de caça para os animais que estão em risco de extinção. Além disso, Palmer poderá ter problemas legais pela morte do leão Cecil.

Walter Palmer fala sobre sua clínica em um vídeo.

As investigações do Escritório de Parques e Vida Selvagem do Zimbábue e a Associação de Operadores de Safári desse país mostram que Palmer supostamente pagou 50.000 dólares (166.240 reais) para caçar o felino protegido. As investigações indicam que o dentista norte-americano e o responsável pelo safári em que estavam enganaram ‘Cecil’, de 13 anos e o animal mais representativo do parque nacional de Hwange, para que saísse da área protegida. Com o leão fora do parque, Palmer o acertou com uma flecha. ‘Cecil’ – que estava com um GPS pois fazia parte de um estudo da Universidade de Oxford – agonizou durante 40 horas. Depois, foi morto, decapitado e despelado.

As autoridades do Zimbábue já abriram processo contra duas pessoas pela caça ilegal de ‘Cecil’. Elas são Theo Bronkhorst, caçador profissional e organizador do safári, que ocorreu no começo de julho, e Honest Ndlovu, dono da fazenda onde foram encontrados restos do animal e onde ele morreu, segundo os dados do GPS que levava. Ambos enfrentam acusações por caça ilegal.

Palmer, que em um comunicado na terça-feira lamentou o ocorrido e afirmou que acreditava que a caça do felino havia sido legal, afirmou que não foi contatado pelas autoridades do Zimbábue e dos EUA. Ainda que diga que irá colaborar em qualquer investigação. O dentista, um grande entusiasta da caça que possui quase cinquenta troféus por matar com arco e flechas desde búfalos e alces até um urso polar, poderá ser acusado no país africano por praticar caça ilegal, segundo a porta-voz da polícia do Zimbábue, Charity Charamba.

A associação de defesa dos direitos dos animais PETA pediu através de um comunicado que o dentista norte-americano seja extraditado, julgado e condenado pela morte de ‘Cecil’, um símbolo do Zimbábue.

Os problemas legais de Palmer, entretanto, poderão começar em seu próprio país. Se ficar comprovado que o dentista subornou os caçadores para realizar a caça ilegal, poderá então ser julgado nos EUA por violação de leis nacionais que proíbem esse tipo de prática no estrangeiro.

A congressista democrata por Minnesota Betty McCollum já pediu a investigação de um caso que a afeta pessoalmente. Não somente por ser representante do estado onde vive Palmer, mas porque é uma ativa defensora de espécies em perigo e faz parte do caucus (grupo parlamentar) para proteção animal da Câmara de Representantes em Washington.

“Como alguém comprometida em pôr fim à caça ilegal de espécies africanas icônicas, acredito que a Promotoria Geral e o Serviço norte-americano de Pesca e Vida Selvagem deveriam investigar se foram violadas leis norte-americanas em matéria de conspiração, suborno de funcionários estrangeiros e a caça ilegal de uma espécie protegida”, informou em um comunicado.

“Atrair com uma isca e matar um animal ameaçado como esse leão africano e considerá-lo um ato esportivo não poder ser chamado de caça, mas sim de uma vergonhosa amostra de crueldade desapiedada”, frisou McCollum, que além disso prometeu continuar lutando para que sejam aprovadas leis que protejam os animais “icônicos, ameaçados e em perigo de extinção em todo o mundo da ‘caça esportiva’ bárbara nas mãos das elites ultra ricas”.

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