EDUARDO CUNHA

Na TV, Cunha fala da ditadura e diz que Legislativo agora é autônomo

Presidente da Câmara não abordou em rede nacional as denúncias de propina

Quem assistiu ao pronunciamento de Eduardo Cunha em rede nacional de TV poderia até achar que as coisas vão bem para o presidente da Câmara. No vídeo de pouco mais de três minutos que foi ao ar na noite desta sexta-feira o peemedebista em nada lembrava o deputado que disparou contra o Judiciário, o Ministério Público e o Governo horas antes. Durante a manhã ele convocou uma entrevista para refutar as acusações de que recebeu 5 milhões de dólares em propinas envolvendo contratos da Petrobras, e anunciou o rompimento com Dilma.

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No início do vídeo, Cunha fala da inauguração de Brasília em 1960 e do golpe militar de quatro anos depois. Em seguida, disse que "só recentemente o Judiciário e o Legislativo recuperaram sua autonomia. A Câmara de hoje é um poder com muito mais independência". Desde que tomou posse, o peemedebista tem encampado o lema de que o Congresso não pode andar a reboque do Executivo. Sob seu comando, a Casa impôs uma série de derrotas a Dilma Rousseff.

Cunha também falou brevemente sobre a crise econômica, e disse que com ela "todos sofrem", e o Governo "busca enfrentá-la com ajustes, que a Câmara avalia com critério, atenta às conquistas do nossos povo". A Casa já aprovou parte do ajuste fiscal proposto pelo ministro de Economia, Joaquim Levy, que entre outros pontos polêmicos dificultou o acesso ao seguro desemprego - que foi introduzido no país em 1986. A medida provocou críticas de setores de esquerda e de algumas centrais sindicais ligadas ao Governo.

O presidente da Câmara não deixou de lado as derrotas impostas ao Governo, e falou sobre a PEC da Bengala, que na prática impediu que Dilma indicasse mais ministros para o Supremo Tribunal Federal, e a redução da maioridade penal. "Na segurança, aprovamos projetos que combatem a impunidade. Com coragem e maturidade debatemos a redução da maioridade penal", afirmou.

A reforma política, rebatizada de mini reforma eleitoral e que também inclui uma Proposta de Emenda a Constituição, votada às pressas essa semana, foi mencionada de forma breve: "Entre as medidas já aprovadas da reforma política esta o fim da reeleição e a redução de gastos". A constitucionalização das doações empresariais, defendida por Cunha e criticada por especialistas e pelo Governo, ficou para ser votada em agosto.

"Ainda há muito por fazer, mas agora estamos avançando com temas que a sociedade aguarda há anos", conclui Cunha. Resta saber se o todo-poderoso da Câmara terá forças e apoio político para continuar no comando.