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China manda polícia reprimir especuladores e Bolsas se recuperam

Xangai e Shenzhen sobem após anúncio de investigação

Metade das ações nas Bolsas chinesas está congelada

Telão na Bolsa de Xangai.
Telão na Bolsa de Xangai. EFE

O Governo chinês está se mostrando disposto a tudo o que for necessário para frear a sangria nas Bolsas do país. As autoridades da China anunciaram nesta quinta-feira uma investigação conjunta da polícia e da Comissão Reguladora do Mercado de Valores contra especuladores que praticam “vendas curtas maliciosas”, segundo a agência estatal de notícias Xinhua. Meng Qingfeng, vice-ministro de Segurança Pública – um dos órgãos mais poderosos do regime chinês –, visitou a sede da agência reguladora das Bolsas e prometeu “castigar severamente as operações que violam as leis e regulamentos”.

A decisão, divulgada uma hora depois da abertura dos mercados, animou as duas principais Bolsas chinesas, que até então mantinham a tendência negativa que se arrastava havia praticamente um mês. O índice de Xangai acabou fechando com uma espetacular alta de 5,8%, enquanto a de Shenzhen subiu 3,8%. Mais de metade das 2.800 empresas que negociam seus papéis nas duas Bolsas mantiveram sua decisão de suspender os negócios, ao passo que outras 400 registraram quedas de até 10% nos primeiros minutos do pregão, o que levou à suspensão automática dessas ações.

“A volatilidade continua sendo extrema. Eu sinceramente não animaria a ninguém a investir seu dinheiro nestas condições, muitos títulos continuam claramente supervalorizados”, disse um analista do mercado que pediu anonimato. O Banco Central chinês continuou prometendo mais liquidez para fazer frente à crise das Bolsas, e a Comissão Reguladora bancária autorizou às instituições financeiras a renegociarem as condições das hipotecas entregues como aval para investimentos em Bolsas. Essa medida, em especial, acarreta uma pausa para alguns dos milhões de investidores que, quando os preços começaram a baixar, se viram obrigados a vender suas ações maciçamente a fim de pagar dívidas.

O intervencionismo das autoridades vinha crescendo nas últimas semanas, à medida que o pânico se apoderava dos investidores. Desde então, Pequim utilizou todas as ferramentas políticas ao seu dispor: começou com um corte nos juros e no coeficiente de caixa dos bancos, para aumentar a liquidez no mercado. Depois, ordenou um plano de compras para sustentar as ações mais estáveis em Xangai e Shenzhen, uma medida que seria posteriormente estendida a pequenas e médias empresas. O lançamento de novas ações foi cancelado temporariamente, os impostos sobre as transações foram reduzidos, e os limites para compras de ações por parte das seguradoras foi flexibilizado. As corretoras de valores, amparadas por linhas de crédito do Banco Central chinês num valor equivalente a 135,7 bilhões de reais, continuaram adquirindo títulos apesar da queda. As maiores empresas estatais do país se comprometeram a não vender, e na quarta-feira o órgão regulador das Bolsas deu seis meses para que grandes acionistas, detentores de mais de 5% do capital de alguma empresa com ações negociadas em Bolsas, reduzam sua participação nos próximos seis meses.

Essa ofensiva permitiu evitar maiores prejuízos nesta quinta-feira, mas não está claro se bastou para acalmar milhões de pequenos investidores que contribuem com aproximadamente 80% do volume de negócios. Metade das ações nas Bolsas chinesas está congelada (os prejuízos evitados agora podem ocorrer quando voltarem a ter seus papéis negociados), enquanto outras operam em um mercado praticamente sob intervenção.

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