Copa América

Derlis González, o novo ídolo do Paraguai

Depois de eliminar o Brasil, equipe de Ramón Díaz busca nova façanha contra a Argentina

Derlis González, segundo a partir da direita, é cumprimentado por seus companheiros após marcar.
Derlis González, segundo a partir da direita, é cumprimentado por seus companheiros após marcar. (AP)

No dia da estreia do Paraguai, quando ganhou o respeito da Copa América por sua recuperação contra a Argentina (2x2) no segundo tempo, a linha de ataque guarani mostrou uma cara nova com os sagrados Roque Santa Cruz, Haedo Valdez e Lucas Barrios. Derlis González (Mariano Roque Alonso, 1994) entrou no intervalo, com o marcador em 2x0 para a Argentina, enquanto o público argentino gritava a cada toque de Messi e pressentia uma goleada que, incrivelmente, ainda não havia chegado. O treinador Ramón Díaz adiantou as linhas, colocou González na ponta direita e amargou a noite de seus compatriotas. Alguns jornalistas credenciados se perguntavam quem era “esse Derlis”.

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No sábado, o jovem atacante do Basileia anotou de pênalti o gol de empate contra o Brasil aos 26 minutos do segundo tempo e depois, na rodada decisiva de pênaltis, correspondeu a ele o chute final desde os nove metros: depois de consultar seu goleiro, Justo Villar, chutou no canto direito do gol de Jefferson, e enviou a seleção Canarinho para casa.

Infarto letal

O turbilhão de emoções que se seguiu à vitória deu a volta ao mundo em poucas horas: seu tio Manuel Irrazábal, de 44 anos, faleceu de um infarto provocado pela tensão do lance. No dia seguinte, o jogador acertou ao dizer no Twitter: “Tio pq hoje tio pq me deixaste por um infarto tio por dar-te uma alegria e que você vá com tanta felicidade não posso acreditar” (sic)

O gol de sábado foi o seu primeiro em uma partida oficial pelo Paraguai, mas esta temporada Derlis já marcou um outro, por exemplo, no Real Madri nas oitavas de final da Liga dos Campeões. Sua equipe, o Basileia, concluiu um ano excepcional: além de passar para a fase de grupos na Europa, foi vice-campeã da copa Suíça e campeã da Liga. Fez três gols na Champions. Com uma velocidade explosiva e dotado de boa definição, Derlis González se destaca por sua ousadia. “É muito rápido e muito inteligente, dribla o que quiser. Tem personalidade desde que era menino”, comenta por telefone um empregado do Rubio Ñu, a equipe onde ele estreou aos 15 anos (o jogador mais jovem do clube a entrar na Primeira).

Escorregadio e às vezes também acelerado demais, o 10 paraguaio mudou a personalidade da equipe naquela estreia contra a Argentina e foi titular contra a Jamaica e o Brasil. Foi contratado aos 17 anos pelo Benfica, de Portugal, onde jogava Tacuara Óscar Cardozo (um de seus ídolos), por um milhão de euros (3,45 milhões de reais). Regressou a seu país por questões pessoais e fez 15 gols na temporada com o Guarani, de Assunção. Cedido outra vez pelo Benfica em 2014, mas desta vez ao Olímpia, seu rendimento voltou a chamar a atenção na Europa e ele firmou contrato de cinco anos com o Basileia em julho de 2014. “Imagina, no ano passado estive vendo a Copa pela tevê e hoje estou aqui, a ponto de jogar uma Copa em minha pouca idade. Acho que é uma alegria imensa, por isso tenho de aproveitar e mostrar por que estou aqui”, afirmou à imprensa um dia antes de viajar para o Chile com sua seleção.

O Paraguai enfrentou até agora os três grandes da América do Sul (Brasil, Argentina e Uruguai), e nenhum pôde superá-lo. É o atual vice-campeão e já está entre os quatro melhores da América. Apesar de seu técnico, Ramón Díaz, estar somente há sete meses no cargo, a equipe enfrentará as eliminatórias da Copa com uma mentalidade muito diferente das últimas (nas quais não conseguiu se classificar).

Derlis González marca de pênalti contra o Brasil.
Derlis González marca de pênalti contra o Brasil. (AP)

A superação da Copa de 2010

Derlis González se transformou no rosto visível da jovem geração encarregada de tomar o lugar dos protagonistas da Copa de 2010 (quartas de final) e da Copa América 2011, quando eram dirigidos precisamente pelo técnico rival esta noite, Gerardo Martino. Um Ramón Díaz satisfeito, mas prudente, disse que a Argentina é a melhor equipe do mundo, mas que a conhece bem “e vão tentar complicá-los um pouquinho”.

Aos 21 anos, a nova pérola guarani cresce como a espuma. Na imprensa italiana se comenta já sobre o interesse da Juventus. Ídolo de uma Copa com poucos ídolos e entristecido por uma história de dor que o fez ganhar o carinho imediato de seu país, Derlis agradeceu no Facebook o apoio popular e avisou: “Amanhã cada um de meus companheiros irá dar a vida, especialmente por meu tio e nossas famílias; fiquem tranquilos, porque se a Argentina quer ganhar de nós terão que fazer gols e ter muito mais culhões do que nós para amanhã”.

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