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Apple Watch, muito mais que notificações

Analisamos o relógio inteligente da Apple para avaliar seus prós e contras

An employee sets up an Apple Watch for a customer at an Apple Inc. store, in New York, U.S., on Wednesday, June 17, 2015. Apple Inc. is rolling out a "Reserve & Pickup" system which allows customers to choose a Watch online then buy and collect the order in store. Photographer: Victor J. Blue/Bloomberg
An employee sets up an Apple Watch for a customer at an Apple Inc. store, in New York, U.S., on Wednesday, June 17, 2015. Apple Inc. is rolling out a "Reserve & Pickup" system which allows customers to choose a Watch online then buy and collect the order in store. Photographer: Victor J. Blue/BloombergVictor J. Blue (Bloomberg)

Poderiam ter sido óculos, uma pulseira que se dobra no antebraço ou um projetor de bolso. A Apple decidiu pensar do zero como queria que fosse seu primeiro wearable, os aparelhos tecnológicos que os usuários “vestem”, e decidiu fazer um relógio. Como é norma na casa, não são os primeiros a chegar, mas os que dedicaram mais tempo a pensar nisso. E se esmeraram para que exista uma lógica por trás do novo produto, que chega ao mercado no México e na Espanha nesta sexta-feira 26 de junho. O Apple Watch deve chegar ao Brasil neste ano.

O aparelho é diferente em muitos aspectos do que se viu até agora. Seu pai espiritual, Kevin Lynch, contratado pela Adobe em 2013, afirma que para concebê-lo se inspiraram na história. Os relógios de pulso nasceram junto com a aviação moderna, quando o piloto Alberto Santos Dumont se queixou a seu amigo Louis Cartier de como eram inúteis os modelos de bolso enquanto tinha ambas as mãos controlando a aeronave. Ele precisava saber quanto tempo tinha transcorrido da decolagem e por quanto tempo ainda teria combustível. Em 1912, o joalheiro francês lançou um modelo fabricado até hoje.

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Seguindo essa linha, o relógio pretende suprir a necessidade de olhar o telefone de maneira constante e procura ser útil. Naturalmente, dá a hora. É possível escolher desenhos com informações diversas: temperatura, estado da bateria ou a hora em outro lugar do planeta. Apesar de a personalização ser simples, com numerosas opções, parece que causa furor usar Mickey Mouse com suas mãos fazendo de ponteiros sobre um disco analógico.

A experiência de compra também é diferente do habitual nos produtos da Apple. Não haverá fila na porta das lojas e a Apple não quer filas. Pelo contrário, prefere que se concretizem encontros na internet ou usando o aplicativo Apple Store em um iPhone ou iPad. Pode-se comprar online para recebê-lo em casa, fazer uma reserva para ir a alguma das lojas físicas da Apple ou – a opção mais recomendável – marcar hora para experimentar na loja o modelo que mais se ajusta ao gosto do consumidor. Assim saberá se prefere a versão de 38 milímetros ou de 42. Não depende só do tamanho do pulso, mas também das preferências de cada comprador.

Se comprar online, o cliente pode sair no mesmo dia com o relógio no braço. Basta ir buscá-lo se o mostrador e a pulseira estiverem disponíveis. O aplicativo confirmará esses detalhes antes de processar o pagamento.

Com o relógio nas mãos, é melhor configurá-lo: a carga de sua bateria é suficiente para fazê-lo dar seus primeiros passos. Só é necessário instalar um aplicativo no celular que orientará o usuário durante o processo. O processo é simples: primeiro conecta ambos os dispositivos e depois começa a instalar os aplicativos compatíveis que já estão no celular.

Truques para manter o Apple Watch sob controle

A coroa.Serve para aproximar e afastar o menu e as fotos. Também para deslocar-se dentro dos textos. Um toque rápido remete à tela de início. Um toqueu de mais de um segundo contata a Siri, sempre disposta.

O botão lateral. Basta dar um toque para entrar no aplicativo de mensagens. Permite mandar desenhos, emoticons animados, e até o batimento (para que o ser amado sinta as batidas do seu coração).

Toque forte sobre a tela. O chamado Force Touch, uma novidade que ainda não existe em celulares e tablets, seria o equivalente ao botão direito no mouse dos computadores com Windows: serve para entrar em opções de menu mais concretas, como mudar a tela principal.

Apple Pay. Ainda não funciona na Espanha, mas nos Estados Unidos basta passá-lo na caixa registradora das grandes redes para sair da loja em poucos segundos e evitar filas.

Pela primeira vez com a Apple, seu produto deixa a sensação de que nos pede muito: faz muitas perguntas para adaptar-se. É preciso decidir entre muitas notificações: WhatsApp, Twitter, Facebook, calendário... Embora produza certa ansiedade no início, esse investimento de tempo se revela muito útil para evitar constantes interrupções mais tarde.

Um relógio saudável

Depois de 10 dias de uso, o smartwatch parece especialmente preocupado em fazer o usuário se mexer pelo menos meia hora por dia com certa intensidade. Também fica inquieto se o dono passar uma hora inteira sentado. Uma pequena vibração recorda que é hora de ficar de pé e se mexer durante pelo menos um minuto. Esses benefícios não acrescentam nada ao que já oferecem pulseiras como Fitbit – líder de mercado – , Jawbone ou relógios que funcionam com o Android. A diferença mais notável está em como a Apple apresenta isso de maneira gráfica: tempo, consumo de calorias e distância. Quanto mais se usa, melhor ajusta a meta mais adequada segundo a idade, o sexo, o estilo de vida e o tipo físico.

O Apple Watch não substitui o telefone, mas permite responder chamadas, mandar SMS –e também pequenos desenhos feitos sobre a superfície do relógio – ou contatar a Siri, sua assistente de voz. Apesar dessas supostas carências, a consultora Slice Intelligence calcula que a Apple já vendeu 2,7 milhões de unidades só nos Estados Unidos.

Os melhores aplicativos

Os aplicativos não são instalados diretamente no relógio. Também não existe uma loja específica para eles. O aplicativo Apple Watch do telefone serve de vitrine para escolher. Dá para acompanhar as compras e a moda com Zara, Wallapop e Chicisimo. A rede social espanhola Tuenti chegou a tempo para a estreia. Twitter e Facebook também estão. A adaptação do pássaro azul é melhor que a de Zuckerberg. O WhatsApp também funciona mas é possível que o cliente queira desconectar-se logo. A Apple Pay não funciona na Espanha, mas a Caixa permite consultar os movimentos da conta. Quanto ao turismo, há três aplicativos que resolvem muito bem a tarefa de dizer muito em poucos pixels: Minube, Vueling e AirEuropa.

Talvez no futuro o novo gadget possa dar muito mais de si. O iOS 9, sistema operacional apresentado durante sua conferência e que chegará a iPhones e iPads em setembro dará sentido a muitas ideias que, por enquanto, são mera intenção. Por exemplo, os aplicativos para a prática de esportes, como Runtastic, Endomondo ou Strava, somarão todas as atividades dentro da genérica da Apple. Acaba-se assim com a incômoda decisão de escolher um deles para monitorar o rendimento. Os esportistas também agradecerão poder conectar o relógio com um medidor de ritmo cardíaco no peito através do Bluetooth. É possível sair para correr sem o celular, pois armazena canções e conta com GPS para fazer o controle da rota.

A pergunta final é “preciso disso?”. E a resposta é que, provavelmente, não. A prova de fogo é deixar o relógio esquecido em casa ao sair de manhã. O impulso de voltar para buscá-lo, como se fosse um telefone, neste caso não aparece. Mas também é verdade que há cinco anos não precisávamos de iPhones...

Sim ou não?

O melhor

O design salta aos olhos. Sua construção é bem cuidada. Até o modelo mais modesto dá sensação de solidez. Não se percebe demora na mostra de dados; embora a conexão dependa do telefone, a sensação é de fluidez. Nasce com um bom número de aplicativos para dar sentido à compra.

As notificações são discretas, apenas uma leve vibração, e não permite que os curiosos vejam as mensagens.

Basta mover o pulso levemente, levá-lo em direção ao rosto e se acende mostrando o conteúdo.

O pior

A bateria chega ao fim do dia com apenas 15%. Conta com uma opção de economia, que o transforma em um relógio comum. O carregador é diferente, vem com o dispositivo, mas não deixa de ser um cabo a mais para levar na viagem. Demora cerca de duas horas para carregar completamente.

É necessário dispor, no mínimo, de um iPhone 5. Se telefone e relógio estão afastados a mais de 150 metros, o relógio deixa de ter acesso à Internet. Não só por esse motivo, o Apple Watch depende do iPhone para que o usuário desfrute de uma experiência plena.

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