“Não se viciem em água”, avisa o novo ‘Mad Max’

Quarto filme da série estreia no Brasil, retratando um mundo mais seco do que nunca

Tom Hardy, o novo Max de 'Mad Max'.
Tom Hardy, o novo Max de 'Mad Max'.Divulgação

"Nunca, meus amigos, fiquem viciados em água. Vocês sentirão muito a sua falta”, diz Immortan Joe, o principal vilão de Mad Max: A estrada da fúria, quando aparece diante de um povo sujo e sedento no tradicional cenário desértico da saga do diretor australiano George Miller. O filme, que acaba de estrear ao Brasil, teve ao mesmo tempo seu lançamento mundial no Festival de Cannes, onde se destaca por ser o blockbuster da vez.

Quem viveu a década de 80 com suficiente idade para consumir filmes de ação se lembra muito bem de Mel Gibson na pele do policial Max Rockatansky, o mad (irado) do título, que nos primeiros três filmes dirigidos por Miller (em 1979, 1981 e 1985) se via às voltas num mundo louco por petróleo. Esse tempo até que passou. Mas Max está de volta ao quarto episódio da série, agora envolvido em um apocalipse de falta de água – recurso natural alçado hoje ao nível das guerras (com o agravante de que vicia).

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O ator britânico Tom Hardy é quem faz o papel que lançou Gibson ao estrelato, mantendo aquele mesmo estilo durão e de poucas palavras, para dar espaço às intermináveis sequências de ação da história – que, segundo Miller, foram filmadas à moda antiga, com poucos recursos digitais. Já no principal papel feminino quem aparece é Charlize Theron, na pele da imperatriz Furiosa, de fato bem furiosa e sem um braço, aliada à luta por uma realidade melhor.

Charlize Theron, a imperatriz 'Furiosa', defende as 'reprodutoras'.
Charlize Theron, a imperatriz 'Furiosa', defende as 'reprodutoras'.Divulgação

Juntos, Max e Furiosa são perseguidos no deserto por vilões que detêm não só a água, mas também as mulheres saudáveis e reprodutoras, que são a única esperança de continuidade num mundo seco de tudo. Se alimentam de leite materno e controlam a Cidadela, o único lugar com algo de verde e que distribui a disputada Aqua Cola. Nesse caos, nem mesmo Max pode fazer muito, apesar do seu esforço. Ele – um doador universal de sangue, usado para alimentar os camicases da guerra que está em curso – continua lançado à própria sorte, ainda atormentado pela perda da esposa e da filha no primeiro filme.

Atualmente em cartaz, por assim dizer, em uma infinidade de salas brasileiras, o filme conquista os fãs de ação frenética (o segundo Mad Max tinha 1.200 cortes, este tem 2.700, e dá pra sentir cada um deles) e também os madmaxistas. Para quem não sabe, o termo se refere a um grupo de pessoas que investem parte de suas vidas para se preparar para o fim do mundo e foi cunhado em fóruns de internet para designar uma atitude pessimista diante de um futuro apocalíptico.

Não é à toa que a saga ficou marcada na cabeça de muitos com We don’t need another hero, a canção de Tina Turner, que vive uma vilã em Mad Max 3: A cúpula do trovão. Aqui, continuamos não precisando de heróis e nem mesmo do esforçado Max. Precisamos é de uma chance de continuar. E, para isso, precisamos de água.

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