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Grupo PRISA estabiliza contas e vai se concentrar em crescimento

Cebrián destaca que o grupo seguirá apostando em tevê, na Europa e na América Latina

O executivo-chefe José Luis Sainz (à esq.) e Juan Luis Cebrián, presidente do Grupo PRISA.
O executivo-chefe José Luis Sainz (à esq.) e Juan Luis Cebrián, presidente do Grupo PRISA.

O Grupo Prisa, que publica o EL PAÍS, vai se concentrar no desenvolvimento de seus negócios e nas oportunidades de crescimento de suas diversas áreas, incluindo a de audiovisual, uma vez superadas as dificuldades financeiras pelas quais passou nos últimos anos devido à crise econômica global e da mídia, segundo anunciou o presidente do grupo de comunicação, Juan Luis Cebrián, na assembleia geral de acionistas realizada nesta segunda-feira em Madri.

O máximo dirigente do PRISA afirmou que 2014 “representará um marco no futuro” da empresa e que as contas do último exercício “fecham o ciclo perverso no qual nos vimos envoltos há mais de sete anos e prenunciam uma nova etapa na vida da companhia”.

Cebrián justificou que o foco primordial da direção do grupo nos últimos anos tenha sido a questão financeira para corrigir um excessivo endividamento, que levou a uma reestruturação da companhia em circunstâncias muito difíceis, como “o tsunami financeiro mundial” e uma “mudança tecnológica de dimensões históricas”.

Nesse sentido, o presidente do PRISA ressaltou o esforço de redução da dívida, que informou ser de 3,5 bilhões de euros (cerca de 11,4 bilhões de reais), contra 5,1 bilhões de euros da marca recorde atingida em 2008, coincidindo com a queda dos resultados operacionais em razão do impacto da crise. Apenas em 2014, a dívida líquida bancária da companhia foi reduzida em mais de 720 milhões de euros, chegando aos 2,58 bilhões de euros com que fechou dezembro.

Grupo estuda participar de concorrência para seis licenças de TV digital

Operações como o aumento de capital subscrito em julho do ano passado por Roberto Alcántara, por meio da Occher, e o acordo de venda do Canal+ para a Telefónica, junto com a venda de outros ativos, como ações da Mediaset España e editoras do grupo Santillana, permitiram reduzir o endividamento em operações de recompra de dívida com desconto médio de 25%, antecipando em quase um ano o cumprimento das exigências do plano de refinanciamento.

Embora sem cair no “triunfalismo dos políticos que consideram que o pior já passou”, Cebrián indicou que já houve feitos significativos na empresa, que permitem contemplar o futuro com mais otimismo que há alguns anos. O objetivo é avançar numa estrutura de capital sólida e numa dívida sustentável para não comprometer as oportunidades de crescimento e o desafio da transformação digital.

“Agora, no entanto, é hora de voltar os olhos para o desenvolvimento dos negócios. Continuaremos, é claro, trabalhando em favor de nossos credores até uma estabilização definitiva do balanço, mas são os acionistas e investidores, que tanto sofreram nos exercícios passados, assim como os trabalhadores e funcionários de nossas empresas, que devem se beneficiar o quanto antes do indubitável valor da companhia”, declarou.

Entre essas oportunidades de negócios estará a área audiovisual. Cebrián, em seu discurso aos acionistas, desmentiu “as análises e rumores que levam a crer que a venda do Canal+” signifique o abandono do mercado audiovisual e assegurou que o grupo continuará apostando na televisão, tanto na Espanha e em Portugal quanto na América Latina.

Presidente do grupo assegura que 2014 encerra o “ciclo perverso” da crise, e uma nova etapa se abre

Nesse sentido, o presidente do PRISA afirmou que estão sendo abertas novas oportunidades em países da América Latina, como o México e a Colômbia, e também na Espanha, onde o grupo estuda entrar na concorrência anunciada pelo Governo para seis canais de TV digital aberta (TDT). “Estamos estudando a possibilidade de participar dela, pois nos parece inadmissível o pressuposto de que tais canais sejam usados principalmente para reforçar o atual duopólio. Além disso é muito questionável que o Governo vá licitar tais concessões no meio de uma campanha eleitoral como a que se aproxima e da qual com toda chance sairá um gabinete de perfil diferente do da atual maioria absoluta. A suspeita de que o processo possa ser utilizado como método de premiação e punição ao comportamento dos diferentes meios de opinião é inevitável”, disse Cebrián.

O grupo também continuará apostando em seus investimentos em Portugal, por meio da Media Capital; na produção de ficção, com a Plural; e no desenvolvimento de conteúdos audiovisuais e canais digitais para serem distribuídos por meio da Internet, na recém-criada PRISA Vídeo.

Por sua vez, o executivo-chefe do Grupo Prisa, José Luis Sainz, ressaltou que o grupo manterá a política de desinvestir das áreas não rentáveis ou não estratégicas, concentrando os recursos nas que tenham expectativa de forte crescimento, nas quatro linhas atuais de negócios: Imprensa, Rádio, Educação e Televisão.

Desafio da transformação digital

“O grupo PRISA se define como uma empresa digital e será uma empresa digital. E, dentro dessa filosofia, o jornal EL PAÍS será o principal motor da mudança.” Com essas palavras, o CEO do grupo PRISA, José Luis Sainz, definiu na reunião de acionistas o primeiro eixo da estratégia do grupo. Para apoiar esse processo, o Conselho decidiu criar em seu interior uma comissão de trabalho para a transformação digital, cuja presidência cabe a John Paton, mundialmente reconhecido como especialista nesses processos.

Sainz destacou que o EL PAÍS é a ponta de lança do grupo nesse terreno porque lidera a transformação digital dos jornais na Espanha tanto em tráfego como em receitas, aumentando ano a ano o número de usuários únicos e sua presença internacional. Na mesma linha, o presidente do grupo, Juan Luis Cebrián, disse que, se o principal título da empresa for capaz de coroar a experiência com sucesso, servirá de exemplo para acelerar a conclusão do processo em todas as unidades de negócio.

Sainz disse que o mencionado Comitê de Transformação Tecnológica estabeleceu planos semestrais para multiplicar o tráfego, a receita e o tempo gasto pelos usuários nos produtos do grupo envolvendo todos os profissionais e especialmente os jornalistas. Uma das tarefas mais urgentes é o desenvolvimento de versões dos produtos para dispositivos portáteis (tablets e smartphones).

O grupo adaptou sua equipe de direção a esses planos de transformação no ano passado. A substituição, em outubro, do CEO, posto antes ocupado por Fernando Abril-Martorell, soma-se ao aumento das responsabilidades do diretor financeiro, Javier Lázaro, à chegada de Andrés Cardó e de Manuel Mirat como CEOs da PRISA Radio e da PRISA Noticias, respectivamente, à chegada –faz agora um ano– de Antonio Caño ao posto de diretor do EL PAÍS e à recente nomeação de Vicente Jiménez como diretor geral da rede de rádio SER.

Sainz também destacou as outras prioridades do grupo PRISA, como o desenvolvimento como produtos globais das principais marcas do grupo; a aposta na internacionalização, especialmente no mercado latino-americano, incluindo os hispanófonos dos Estados Unidos; a utilização estratégica das línguas em que nos expressamos, considerando que o espanhol é a terceira língua da Internet, depois do chinês e do inglês, e a criação de conteúdos como elemento de diferenciação.

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