Manifestações contra o governo Dilma

Após domingo de manifestações, dólar abre em queda e bolsa sobe

Contrariando expectativa do mercado, Bovespa operava em alta nesta segunda-feira Bolsa foi influenciada por fatores externos, como o provável estímulo à economia chinesa

Contrariando a expectativa do mercado brasileiro, que esperava uma reação negativa dos investidores após as manifestações deste domingo, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) apresentava recuperação no início da manhã e o dólar comercial operava em queda. Na última sexta-feira, a moeda norte-americana atingiu a maior cotação em quase 12 anos.

Às 11h, o dólar era vendido a 3,229 reais, em queda de 0,62% frente ao real. Já o Ibovespa, principal índice de referência do mercado acionário, registrava alta de 0,60%, aos 48.934 pontos.

“Esperávamos que, com os protestos massivos, aumentasse a preocupação de risco dos investidores com as tensões políticas do país. Além disso, o discurso dos ministros, após os atos, não trouxe nenhuma novidade que animasse o mercado”, explica a economista Camila Abdelmalack, da Capital Markets.

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Para o economista André Perfeito, da Gradual, a mudança de humor da Bolsa e a desvalorização do dólar seguem a tendência de mercados do exterior. De acordo com o especialista, a notícia que a produção manufatureira dos Estados Unidos caiu no mês passado, aponta para um crescimento econômico mais lento do país no primeiro trimestre e, consequentemente, deprecia o dólar.

"Hoje não dá para isolar o fato da manifestação como um fator decisivo no mercado. A situação não é boa, mas ainda não há nada concreto que possa sair dessas manifestações", afirmou Perfeito.

Outro fator que contribui para a alta da Bolsa é a expectativa de novas medidas de estímulo da China, um dos principais parceiros comercias do Brasil. Neste domingo, o premiê chinês, Li Keqiang, admitiu que não será fácil para o país cumprir a meta de crescimento de 7% neste ano e afirmou que tomará medidas para aquecer a economia chinesa.

Abdelmalack, da Capital Markets, ressalta que, nesta semana, o foco dos investidores, estará na reunião que será realizada pelo Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos EUA. A expectativa é que o banco sinalize uma alta de juros.

No mercado interno, as atenções seguirão voltadas para os desdobramentos das investigações da Petrobras e  para as tensões do Congresso para aprovação das medidas necessárias para colocar em prática o ajuste fiscal.

A Petrobras, no entanto, continua sendo castigada na Bolsa. Nesta segunda, dia em que a Polícia Federal prendeu o ex-diretor Renato Duque, acusado de ser operador do PT dentro da petroleira, as ações da companhia estavam em queda. Às 12h15, os papéis preferenciais (PNs, sem direito a voto) caíam 0,60%, cotados a R$ 8,25.

Dólar

Pesquisa Focus do Banco Central, divulgada nesta segunda-feira, mostrou pela primeira vez uma projeção do dólar para mais de 3 reais neste ano.

Os economistas de instituições financeiras passam a ver a moeda norte-americana a 3,06 reais, ante 2,95 da semana anterior. Para 2016, a projeção é de 3,11 reais, ante 3 reais antes.