Telefonia

Operadoras preparam chip universal que permitirá troca livre de empresa

Usuário poderá mudar a qualquer momento assinatura sem precisar de novo processador

Operadoras de telecomunicações, fabricantes de aparelhos e de cartões SIM querem dar uma resposta à Apple e a seu novo modelo de chip em branco ou virtual, anunciado no último trimestre do ano passado, e criar um padrão comum que permita desenvolver um SIM card capaz de operar em qualquer empresa. Com ele, os usuários poderiam a qualquer momento, em qualquer aparelho, escolher o plano de dados ou de voz de qualquer operadora, sem ter que trocar de SIM ou de dispositivo.

Foi o que anunciaram na última segunda-feira no Mobile World Congress, realizado em Barcelona (Espanha), um grupo de operadoras internacionais. No anúncio, feito sob o guarda-chuva da Associação Mundial de Operadoras de Telecomunicações (GSMA), ressalta-se que operadoras e fabricantes estão trabalhando em conjunto desde setembro de 2014 (ou seja, antes do anúncio da Apple) na definição e implantação de uma solução interoperacional para o chamado eSIM, com a meta de oferecer uma proposta que beneficie os clientes finais, permitindo-lhes a liberdade de escolha de aparelho e operadora.

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O grupo de trabalho é formado atualmente por América Móvil, Ooredoo, Telefónica e China Unicom como operadoras mundiais; Huawei, LG, Samsung e Sony Mobile como fabricantes de aparelhos; e Gemalto, Giesecke & Devrient, Morpho, Oberthur Technologies, STMicrolectronics e Valid como fabricantes de SIM cards.

É um claro contra-ataque à Apple para frear sua tentativa de entrar no negócio de telefonia móvel fora da trilha imposta pelas operadoras. Na apresentação do novo iPad Air 2, a empresa anunciou em outubro do ano passado o Apple SIM, um chip em branco ou virtual pré-instalado no aparelho, teoricamente permitindo que seus usuários troquem de operadora conforme sejam melhores as tarifas de dados de cada uma. Agora, operadoras e fabricantes criaram um grupo de trabalho focado na definição de uma especificação técnica que garanta a interoperabilidade independentemente do operador, do fabricante do chip, do fabricante do terminal e do provedor da plataforma de gestão remota do cartão eSIM.

Essas empresas explicaram que, como resultado desse esforço conjunto, em 5 de fevereiro passado foi liberada e colocada à disposição da indústria (GSMA e SIM Alliance) a primeira definição técnica do perfil interoperável (Interoperable Profile Package – IPP), com a intenção de permitir que qualquer empresa da indústria possa fazer parte dessa iniciativa de um modo transparente e aberto.

"Essa definição de perfil interoperável permite a implantação do eSIM para todos, favorece a inovação e promove o desenvolvimento de serviços de valor agregado sobre a base do cartão SIM, respeitando os princípios e fundamentos do negócio definidos em GSMA e permitindo o uso de infraestrutura e equipamentos de rede existentes para facilitar a adoção do eSIM no cenário atual”, afirmam. Com isso, as empresas informam que também foram definidos casos de utilização orientada ao mercado de consumo, e acrescentam que esses casos serão testados nas próximas semanas, tanto local quanto globalmente, com o objetivo de garantir que a solução proposta seja totalmente válida para qualquer região e tipo de cliente, não importando a operadora e o aparelho selecionado.

“Espera-se que os resultados saiam no terceiro trimestre de 2015, com a liberação de uma especificação comum para a gestão remota dos terminais de mercado de consumo já antecipados para 2016”, afirmam essas empresas, destacando que essa iniciativa está dirigida ao mercado de aparelhos de consumo, de modo a que os clientes finais estejam protegidos e seja assegurada sua liberdade de escolha.

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