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Procurador-geral da República recebe ameaças pelo ‘caso Petrobras’

Janot elevou segurança após ser informado sobre a possibilidade de ser alvo de atentados

Janot apresenta relatório no Senado, em outubro.
Janot apresenta relatório no Senado, em outubro. ABr

Fontes oficiais confirmaram na quinta-feira a este jornal que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, elevou sua segurança e a de sua família depois que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ter anunciado pessoalmente na quarta-feira a preocupação dos serviços de inteligência diante da possibilidade concreta de que ele seja alvo de atentados relacionados com as investigações do 'caso Petrobras'. A Operação Lava Jato, que mantém o país em suspense há quase um ano, está a ponto de dar um passo decisivo e de repercussões históricas com a apresentação de denúncias formais contra deputados e senadores, aguardadas para esta sexta-feira, mas que serão conhecidas na próxima semana, conforme informações obtidas pelo EL PAÍS.

As ameaças não provêm de células terroristas, mas de elementos “radicalizados” que extremaram suas posturas como consequência do processo de polarização que vem sendo observado na sociedade brasileira desde as eleições de outubro (vencidas por Dilma Rousseff com apenas com 51% dos votos, contra 49% do oposicionista Aécio Neves). Segundo fontes confiáveis, essa polarização pode conduzir à “violência” e dificulta o trabalho “firme e equilibrado” da Procuradoria e da Polícia Federal, que junto com o juiz federal do Paraná Sergio Moro trouxeram à luz o maior caso de corrupção da sétima economia mundial, tornando pública a podridão escondida pela maior empresa do Brasil, a maior empresa pública da América Latina (outrora “o orgulho dos brasileiros”), que hoje é considerada a petroleira mais endividada do mundo depois de ter perdido, em dois anos, 70% do seu valor de mercado.

Nos últimos meses, a fanatização de determinados grupos que atribuem a corrupção ao PT e a Dilma Rousseff (presidenta do Conselho de Administração da Petrobras durante a maior parte dos anos investigados) e dos círculos próximos ao Governo, que defendem sua atuação, é claramente perceptível em blogs e inclusive nos meios de comunicação tradicionais. “As denúncias vão deixar insatisfeitos ambos os extremos”, explica outra fonte muito próxima da investigação iniciada em Curitiba há dois anos, que aponta para a possibilidade de que as ameaças tenham sido “estimuladas” por setores com interesses na Lava Jato.

Rodrigo Janot (com seu dispositivo de segurança já aumentado) participou na quinta-feira de um ato público em Uberlândia (Minas Gerais) em repudio à tentativa de assassinato sofrida pelo procurador Marcus Vinicius Ribeiro, de Monte Carmelo, atingido por 3 dos 12 disparos feitos por um desconhecido na semana passada e que, segundo o procurador-geral, “é um ataque à democracia”.

Espera-se que ao menos trinta políticos sejam denunciados na próxima semana: a lista vem sendo vazada há meses por alguns jornais brasileiros e compromete muito seriamente o partido do governo e sua base aliada (PP e PMDB). As autoridades reconhecem que o montante total de dinheiro desviado pela rede de subornos, superfaturamento de contratos, financiamento irregular de partidos e lavagem de dinheiro poderia inclusive duplicar a quantidade inicialmente calculada pela Polícia Federal e o Tribunal de Contas, que era de 4 bilhões de dólares (cerca de 11,4 bilhões de reais) entre 2004 e 2012.

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