GEORGE CLOONEY

Amal Clooney, a ‘algoz’ do governo egípcio

Segundo a esposa de George Clooney, as autoridades ameaçaram prendê-la se publicasse um documento crítico ao sistema judicial do país. O ministério do Interior nega a denúncia

Amal e George Clonney.
Amal e George Clonney.PIERRE TEYSSOT (AFP)

A advogada especializada em direitos humanos Amal Alamuddin Clooney, esposa do ator George Clooney, esclareceu no último domingo, em um artigo opinativo publicado no Huffington Post, seu conflito com o governo egípcio. Segundo uma informação publicada no jornal The Guardian, as autoridades egípcias ameaçaram prender Clooney –que atualmente faz parte da equipe de advogados que defende um jornalista da Al Jazeera preso há um ano– se ela divulgasse um documento crítico ao sistema judicial do país.

No artigo, a advogada, de 36 anos, desmente que o incidente esteja relacionado ao fato de atualmente representar o repórter Mohamed Fahmy, que tem dupla nacionalidade egípcia e canadense, como afirmava o periódico britânico. Os fatos aconteceram no início de 2014, antes que Fahmy se tornasse seu cliente, devido a um relatório de cuja elaboração participou, encomendado pelo Colégio Internacional de Advogados de Direitos Humanos.

Segundo The Guardian, as autoridades teriam perguntado se o texto criticava “o exército, a justiça ou governo”, e teriam advertido-a de que “se arriscava a ser presa” se fosse divulgado. No entanto, a advertência na verdade veio de especialistas nas questões do Egito e não do governo egípcio. O jornalista do diário britânico pediu desculpas pela confusão. Naquele momento, a advogada estava no Egito e finalmente desistiu de tornar público o informe durante sua estada no país árabe.

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De concreto, o controverso texto criticava que o fato de o executivo egípcio ser responsável por designar os juízes que fazem parte dos tribunais, o que mina a independência do poder judiciário e pode ser usado com fins políticos. O país árabe vivenciou um golpe de Estado no verão de 2013, ao qual se seguiu uma dura campanha de repressão contra qualquer voz dissidente, islâmica ou laica, cujo resultado foi a prisão de milhares de pessoas e longas condenações à prisão.

Por meio do porta-voz do ministério do Interior, Hani Abdel Latif, as autoridades egípcias negaram a veracidade das acusações feitas por Clooney, divulgadas pela imprensa internacional. “Ela deveria explicar exatamente quem disse isso. Por que não especificou desde o início quem lhe falou? Não temos nada contra ela”, declarou Abdel Latif.

No artigo do Huffington Post, assinado por Mark Wassouf, também advogado de Fahmy, ambos expressam sua opinião sobre a recente decisão da justiça egípcia de anular a sentença de 7 anos contra o repórter da Al Jazeera, condenado com outros dois colegas do canal em inglês da televisão por satélite do Catar, e de repetir seu julgamento. Os jornalistas foram presos em 29 de dezembro de 2013 sob a acusação de manipular informações para difundir a tese dos Irmãos Muçulmanos, considerados uma “organização terrorista” pelo governo atual. O presidente deposto no golpe, Mohamed Morsi, o primeiro eleito democraticamente na história do Egito, pertencia a esse movimento islâmico.

“A repetição do julgamento é um processo longo e seu resultado é incerto. Além disso, não está claro como um novo processo vai resolver as deficiências do julgamento original”, afirma o artigo. Tanto as famílias dos repórteres, que continuam em prisão preventiva, como a Al Jazeera negaram a veracidade dos processos contra eles. Entre os analistas estrangeiros, o processo contra os jornalistas, um deles Peter Greste, de nacionalidade australiana, percebe-se um ajuste de contas das autoridades egípcias contra o Catar por seu apoio aos Irmãos Muçulmanos. Uma possível solução para o caso seria a assinatura de indulto por parte do presidente do país, Abdel Fatah al Sisi, e sua posterior deportação.

Além de representar Fahmy, Clooney faz parte da equipe de advogados que defenderá as teses armênias em julgamento sobre o suposto genocídio perpetrado contra essa comunidade na Turquia durante a Primeira Guerra Mundial, que acontecerá na Corte Europeia de Direitos Humanos de Estrasburgo no próximo dia 28 de janeiro.