O dilema entre gravata e vestido

Brad Pitt e Angelina Jolie apoiam a filha Shiloh em sua decisão de se vestir de menino

Shiloh (centro), junto a seus irmãos Pax (esquerda) e Maddox e seu pai, Brad Pitt.
Shiloh (centro), junto a seus irmãos Pax (esquerda) e Maddox e seu pai, Brad Pitt.

Ela se chama Shiloh Nouvel Jolie-Pitt, tem apenas 8 anos e falam dela como de seus pais. Uma última aparição em Los Angeles na estreia do filme Invencível, dirigido por Angelina Jolie, com a família quase completa e ela vestida no estilo do pai (calças, elegante casaco escuro, camisa branca e gravata preta) não era uma novidade, mas sim a confirmação de que Shi (assim a chamam na família) está mais do que determinada a se vestir como menino, e que tem o apoio dos pais.

Brad Pitt e Angelina Jolie já falaram aberta e claramente do tema para cortar qualquer especulação e, sobretudo, para proteger sua pequena de se transformar em carniça para a imprensa marrom.

Shi já havia chamado a atenção da imprensa não por sua vestimenta, mas por seus traços faciais, uma junção milagrosa e proporcionada dos pais: o jeito de olhar e os olhos de Brad Pitt; a boca de Angelina Jolie; o cabelo cor de areia do pai e o nariz em uma equilibrada versão dos de seus pais. A curva do crânio da menina é um decalque do de Brad Pitt, mas seu pescoço elevado lembra o de Angelina. Se essa espécie de mosaico refinado produzido pela natureza se mantiver quando ela crescer, alguns cronistas dizem que as gerações vindouras terão em Shi uma “maravilha de plasticidade e harmonia”; para isso falta tempo e ela deve atravessar a difícil transição da infância para a adolescência, as espinhas... Mas agora, com oito aninhos, é o centro de todos os olhares.

No tapete vermelho Shi ia com o rosto sério e as mãos nos bolsos, como para reafirmar sua decisão. As páginas dos jornais (e as especulações) não tardaram. Esta semana várias publicações europeias analisavam com lupa outra vez a família: Shi, que está no meio da prole, tem três irmãos mais velhos adotados: Chivan Maddoz, de 13 anos e originário do Camboja; Pax Thien, de 11, nascido no Vietnã; e Zahara Marley, da Etiópia, com 9 anos. Os menores são Knox Leon e Vivienne Marcheline, de 6 anos e, como Shi, filhos biológicos. Os gêmeos nasceram em Nice e Shi, em Swakopmund (Namíbia).

O casal enfrentou um dilema já há cinco anos: quando ela estava com 3 anos (e isso contou o próprio Pitt a Ophra Winfrey em seu programa de televisão), Shi deixou de responder quando a chamavam por seu nome e dizia que queria se chamar John. Toda a família achou engraçado, mas Shi-John estava decidida. Indo direto ao ponto, Angelina Jolie declarou à revista Vanity Fair: “Que há de estranho nisso? Algumas crianças querem a capa de Super-Homem, ela quer ser como seus irmãos mais velhos.”

Mas, sem serem pais convencionais, esses famosos atores deram demonstrações de sobra de que estão preocupados com a educação dos filhos e que procuram estar com eles todo o tempo possível, levando-os a filmagens e viagens continentais. Talvez poucas crianças no mundo estejam tão acostumadas a focos e flashes como essas, e a decisão de Shi não está sendo um mar de rosas. O casal Pitt-Jolie consultou vários psicólogos especializados nessas questões para comparar critérios e agir em conformidade. Com coragem, optaram pela exposição: nem ocultamentos nem comportamentos dramáticos, nada de dar excessiva importância ao assunto. Algumas publicações nos Estados Unidos e no Reino Unido não veem isso como algo tão simples. A revista Life & Style acusou Angelina de manipular a menina e forçá-la a usar a roupa masculina. Entre fofocas, as declarações bem-intencionadas da avó paterna, que deu de presente para Shi, sem sucesso, vários trajes de princesa com as saias evanescentes de tule rosa bordadas com florzinhas, que a menina nem tocou.

Debido a las excepcionales circunstancias, EL PAÍS está ofreciendo gratuitamente todos sus contenidos digitales. La información relativa al coronavirus seguirá en abierto mientras persista la gravedad de la crisis.

Decenas de periodistas trabajan sin descanso para llevarte la cobertura más rigurosa y cumplir con su misión de servicio público. Si quieres apoyar nuestro periodismo puedes hacerlo aquí por 1 euro el primer mes (a partir de junio 10 euros). Suscríbete a los hechos.

Suscríbete