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Lucro do Banco Santander sobe 32% até o terceiro trimestre

O banco tem seu melhor resultado trimestral em três anos, ganhando €1,605 bilhão

Ana Botín, presidenta do Banco Santander.
Ana Botín, presidenta do Banco Santander.

O Banco Santander fechou o terceiro trimestre de 2014 com um lucro atribuído de 4,361 bilhões de euros (13,632 bilhões de reais), o que representa um aumento de 32% com relação aos nove primeiros meses de 2013, graças à contenção de custos e à redução dos recursos para insolvências. O banco teve lucros de 1,605 bilhão de euros (5 bilhões de reais), uma cifra recorde nos últimos três anos e um aumento de 50% em relação ao mesmo trimestre de 2013. Os três principais mercados do grupo (Espanha, Reino Unido e Brasil) tiveram um aumento simultâneo dos lucros no período de janeiro a setembro, algo que não acontecia desde 2009.

Os resultados incluem os ganhos de capital líquidos obtidos com a venda de 85% da Altamira (1,203 bilhão de reais), a colocação da Santander Consumer USA (2,284 bilhões de reais) e 688 milhões de reais obtidos no Reino Unido com a modificação dos compromissos de pensões acordada no primeiro semestre, mas o banco indica que esses ganhos de capital não têm impacto sobre os lucros, já que houve gastos com reestruturação, amortização de intangíveis e outras medidas de saneamento financeiro, em valor equivalente.

“O aumento dos lucros em 2014 consolida a recuperação dos resultados, apoiada sobre a melhora da receita, a redução dos custos e a redução das medidas de saneamento financeiro”, assinalou em comunicado a presidenta do banco, Ana Botín.

O aumento dos lucros é consequência do aumento da receita básica em 1%, uma redução de 2% nos custos e uma diminuição de 15% dos gastos com insolvências nos nove primeiros meses do ano, segundo o banco. O lucro por ação subiu 19%, para 0,37 euros (1,15 reais).

Cortes maiores nos custos

O banco anunciou que a redução dos custos está sendo superior ao previsto no Plano de Eficiência e Produtividade 2014-2016, cujo objetivo central é que as despesas do banco aumentem menos que a inflação. Esse plano previa uma redução de 2,347 bilhões de reais nos custos este ano, meta que já foi alcançada em setembro, em boa parte devido ao fechamento de uma em cada dez agências do grupo, o que levou à revisão da meta de reduções. Assim, a nova previsão é de uma redução de custos de 3,13 bilhões de reais neste ano, 5 bilhões de reais em 2015 (mais que os 3,9 bilhões de reais estimados inicialmente) e 6,26 bilhões de reais em 2016 – ou seja, 1,565 bilhão de reais a mais.

Quarenta e cinco por cento do lucro tem sua origem em economias em desenvolvimento (América Latina e Polônia), e o resto, em economias maduras. Por países, a contribuição maior é do Reino Unido e Brasil, ambos com 20%, seguidos pela Espanha (14%), Estados Unidos (9%), México (8%), Chile e Polônia (6%) e Alemanha (4%).

Crescimento do crédito

No fechamento do terceiro trimestre, a carteira de créditos chegava a 2,345 bilhões de reais, valor 3% superior ao do fechamento de setembro do ano passado e 5% superior ao de dezembro de 2013. O grupo Santander elevou sua inversão creditícia em 119,94 bilhões de euros nos nove primeiros meses do ano. Dos dez mercados chaves onde o grupo opera, o crédito cresceu em oito deles no terceiro trimestre em comparação ao ano passado, destacando-se o Brasil, com 4% de aumento, e a Espanha e Portugal, com queda do crédito.

Na Espanha, o conjunto da carteira de créditos chega a 5,013 bilhões de reais, um aumento de 1% em relação ao fechamento de 2013. Nos nove primeiros meses deste ano o crédito teve um aumento de cinco bilhões de reais. Esse aumento se concentra principalmente nos empréstimos concedidos a pequenas e médias empresas, que aumentaram 34%; a empresas, com a nova produção subindo para 29%, sem contar o desconto comercial, e a pessoas físicas, entre as quais os financiamentos imobiliários aumentaram 73% e o consumo, 61%, com relação ao mesmo período do ano passado. Nesses nove meses o banco facilitou a empresas financiamentos no valor de 225 bilhões de reais através de instrumentos diferentes, como créditos e títulos.

Pelo lado dos recursos, o conjunto dos depósitos e fundos de investimento do grupo Santander soma 2,413 bilhões de reais, com um crescimento de 8%, equivalente à captação de 186.044 milhões de reais. Os depósitos chegam a 2.023 bilhões de reais e os fundos de investimentos a 390.971 reais, com aumentos em ambos nos primeiros nove meses desde ano, respectivamente de 6% e 20%. As contas correntes, que representam mais da metade dos ditos depósitos, apresentam evolução positiva nos dez mercados principais do grupo. O saldo das contas correntes chega a 112,639 bilhões de reais no final de setembro, com um crescimento de 12% relativo ao fechamento de dezembro passado. Isso significa que em nove meses foram captados 112,639 bilhões de reais em contas correntes, a metade do terceiro trimestre.

Na Espanha, o conjunto dos recursos dos clientes (depósitos mais fundos de investimento) chega a 697,451 bilhões no fechamento de setembro, com um aumento de 4% em nove meses. Os depósitos se mantêm praticamente estáveis, enquanto o patrimônio administrado em fundos de investimento cresceu 23% em nove meses.

A inadimplência diminui

A taxa de inadimplência do grupo caiu pelo terceiro trimestre consecutivo, até chegar a 5,28%. Ao mesmo tempo, a taxa de cobertura dessa inadimplência também melhorou pelo terceiro trimestre e está em 68%. A inadimplência na Espanha caiu pelo segundo trimestre consecutivo, para 7,57%, e pela primeira vez desde 2008 a inadimplência de empresas não imobiliárias caiu durante o ano. Ela também caiu no Brasil, onde tinha subido levemente nos dois trimestres anteriores, no Reino Unido, nos Estados Unidos e na Santander Consumer Finance.

O capital do Santander está nas mãos de 3.229.672 acionistas (1,6% menos que um ano atrás), e o grupo tem 183.534 funcionários (uma redução de cerca de 5.000 empregos em um ano) que atendem a 107 milhões de clientes. O banco fechou 10,3% de suas agências em um ano e hoje tem 13.067 agências.

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