Crise hídrica

Centenas de pessoas protestam contra falta d’água em São Paulo

Poucos foram ao evento que prometia reunir 17.000 contra o governador Geraldo Alckmin

Manifestantes protestam contra crise de água em São Paulo.
Manifestantes protestam contra crise de água em São Paulo. A. P. (AP)

Enquanto eleitores insatisfeitos com a reeleição da presidenta Dilma Rousseff protestavam na avenida Paulista, em São Paulo, um grupo de 200 pessoas, na estimativa da Polícia Militar, e 500, nas contas dos manifestantes, se reuniu a quilômetros dali, no Largo da Batata, para criticar a falta de água no Estado. Empunhando faixas e cartazes com inscrições como “Tenho direito a ter direito! Onde está a água”, os integrantes do protesto “Alckmin, cadê a água?”, em referência ao governador de São Paulo, rumaram por volta das 16h em direção à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

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Durante a caminhada, que prometia mobilizar 17.000 pessoas via redes sociais, os manifestantes, muitos em roupões e enrolados em toalhas, adaptaram marchinhas de carnaval para criticar a crise hídrica do Estado. Muitas das paródias tinham provocações direta ao governador Geraldo Alckmin: “Se você pensa que São Paulo tem água, São Paulo não tem água, não. A culpa não é de São Pedro, a culpa é do Geraldão”. Minutos depois de os manifestantes se dispersarem, começaram a cair as primeiras gotas do que se espera seja o início da estação de chuvas em São Paulo.

A chuva que caiu nesta sexta-feira ainda não foi o bastante para impedir as perdas que a temporada de seca impôs aos reservatórios do Estado. No sistema Cantareira, que abastece 6,5 milhões de pessoas, as reservas caíram de 12,4% para 12,2%, já levando-se em conta a segunda cota do volume morto. No sistema Guarapiranga, a queda foi de 39,6% para 39,2%. O Alto Tietê também registrou queda, de 6,6% para 6,5%.

Neste sábado, a Sabesp deu início a uma nova política de descontos para incentivar os consumidores a economizar água. A partir desta data, quem economizar entre 10% e 15% terá um desconto de 10% no valor pago no fim do mês. Quem conseguir economizar um pouco mais, de 15% a 20%, ganha o desconto de 20%. Até então, o desconto de 30% só valia para quem economizava pelo menos 20% do que estava acostumado a consumir, de acordo com política estabelecida em fevereiro deste ano.