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Para reeleger Dilma, PT vai concentrar ações em Estados-chave

Articuladores petistas miram em São Paulo, Pernambuco, Santa Catarina e Paraná

Equipe de comunicação será reforçada com membros do Palácio do Planalto

Dilma concede entrevista no Palácio da Alvorada nesta segunda-feira.
Dilma concede entrevista no Palácio da Alvorada nesta segunda-feira. EFE

Uma vitória esmagadora nas eleições estaduais de Minas Gerais, uma surpresa na Bahia e uma esperança no Rio Grande do Sul animaram a campanha à reeleição de Dilma Rousseff. Mas, ter quatro milhões a menos de votos que em 2010, quando disputou a presidência pela primeira vez, e ver uma arrancada inesperada de Aécio Neves (PSDB) na reta final deixaram em alerta a campanha petista.

Durante todo o dia, coordenadores da campanha se reuniram em Brasília para discutir as estratégias para o segundo turno e definir como transferir a força que teve na maioria dos Estados do Nordeste e do Norte para outros locais fundamentais para a eleição, como São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Pernambuco. Nesses quatro Estados-chave, Dilma perdeu para Aécio Neves (PSDB) e/ou para Marina Silva (PSB). Os três concentram 48 milhões de eleitores, um terço do eleitorado do país.

Ministros, como José Eduardo Cardozo (Justiça), Thomas Traumann (Comunicação), Ricardo Berzoini (Relações Institucionais) e Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário), ou seus representantes, participaram das conversas sobre a estratégia petista. Além deles, coordenadores da campanha dilmista e aliados, como Rui Falcão (presidente do PT) e Renato Rabelo (dirigente do PC do B), deram suas opiniões em alguns dos encontros desta segunda-feira.

O primeiro passo será fortalecer a equipe de comunicação. Profissionais que hoje atuam no Palácio do Planalto passarão a fazer parte direta da campanha. O objetivo é reforçar as comparações entre as gestões do PT e do PSDB. Um pouco disso já foi feito no pronunciamento de Dilma na noite de domingo, quando ela disse que a população não quer ver de volta os “fantasmas do passado”, como a recessão econômica, o desemprego, o arroxo salarial e a inflação anual de 45%.

Nesta segunda-feira, a presidenta deu sequência à estratégia, dizendo que "nós vamos ter mais uma vez no Brasil dois projetos se confrontando, e esses dois projetos têm uma peculiaridade". "Ambos têm práticas de governo que ocorreram. Não vamos comparar só programas, mas também governos muito concretos, que apresentaram propostas para o Brasil e tiveram tempo de fazer, ao contrário de quem nunca tinha governado o país antes", completou Dilma, durante entrevista coletiva no Palácio da Alvorada.

Além da aposta nas comparações, membros de movimentos sociais, como do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra e de entidades que defendem grupos LGBT, entrarão direto na mobilização de novos eleitores, assim como as centrais sindicais que já declararam apoio à petista.

A cúpula do partido acredita que o mais difícil será recuperar terreno em São Paulo, onde Aécio teve uma vitória maiúscula, 44,22% contra 25,82% de Dilma e o 25,09% de Marina. Nesse Estado, aliás, a derrota foi inteira do PT, não só da presidenta. O candidato ao governo, Alexandre Padilha, amargou a terceira colocação no pleito. O senador Eduardo Suplicy, que tentava seu quarto mandato consecutivo, naufragou no segundo lugar, e as bancadas para a Assembleia Legislativa e para a Câmara dos Deputados se reduziram. Os deputados estaduais caíram de 24 eleitos em 2010 para 14 e os federais de 15 para 10. “São Paulo é um caso à parte. Precisaremos da força do ex-presidente Lula para crescer lá”, afirmou um dos articuladores do PT.

Novas forças

Além de se preparar para o segundo turno, a equipe de Dilma já começa a analisar os nomes para um futuro governo. Um teste para os eventuais membros de sua gestão começará a ser feito nesses dias que antecedem a segunda etapa na votação. O governador da Bahia, Jaques Wagner, conseguiu eleger seu sucessor no primeiro turno e voltou a ter forças no PT. Seu empenho no Nordeste para a reeleição da presidenta será essencial e poderá lhe render um cargo importante em uma eventual nova gestão. Indicados por Fernando Pimentel, que arrebatou o governo mineiro, também aparecerão no governo, assim como Tarso Genro, caso perca o segundo turno no Rio Grande do Sul.

Aliados do PMDB que conseguiram eleger governadores também serão colocados à prova. Até mesmo candidatos que no primeiro turno não pediram votos para Dilma, como o governador eleito do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), serão cortejados. Dino derrotou o clã dos Sarney, aliado de primeira hora de Dilma, ao vencer Lobão Filho, primogênito do ministro das Minas e Energia, Edison Lobão. No já citado discurso de domingo, Dilma reforçou que receberá de braços abertos todos que quiserem apoiar sua candidatura.

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