Mostra sobre mestiçagem toca a essência da cultura brasileira

Corra para conferir 'Histórias mestiças', em cartaz em São Paulo até domingo com obras de Portinari, Tarsila do Amaral e Adriana Varejão

'Joaninha', de Luiz Zerbini.
'Joaninha', de Luiz Zerbini.

Há dois bons motivos para reservar um tempo livre neste fim de semana e conferir a mostra Histórias Mestiças, em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo: ela fala sobre ser mestiço (o que, se você for brasileiro, tem tudo a ver com você) e, além disso, termina no domingo, 5 de outubro, depois de repercutir bem entre críticos e visitantes. E isso não é tudo.

A exposição é composta por 400 obras originais, produzidas do século XVI até os dias atuais em diferentes suportes, e várias delas são inéditas. Além de alguns artistas estrangeiros, figuram nela nomes essenciais da arte brasileira de outros tempos, como Portinari, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Di Cavalcanti e Lasar Segall, e contemporâneos, como Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Luiz Zerbini, Thiago Martins de Melo, Dalton Paula, Sidney Amaral. Esses últimos, por sinal, fazem parte de um grupo que foi convidado a criar obras especialmente para a ocasião.

Segundo Adriano Pedrosa e Lilia Schwarcz, responsáveis pela curadoria, a ideia é investigar as matrizes formadoras do povo brasileiro, abordando a mestiçagem e seu reflexo na arte com uma mescla de linguagens e sem hierarquizar culturas. Apesar de ser um traço marcante da realidade cultural brasileira, a miscigenação é um tema discutido muito timidamente no país.

Muitas questões essenciais foram planteadas: Quem mestiçou quem? Como se mistura inclusão com exclusão social? Como se combinam prazer e dominação? Quais são as diferentes histórias escondidas nesses processos de mestiçagem? "O nosso intuito foi convidar artistas nacionais, africanos e ameríndios para 'conversar' nessa exposição, de maneira a priorizar um aporte mais amplo e que rompa com as margens precisas e expressas pelos nossos cânones Ocidentais", afirmam os curadores, que não se preocuparam com ordens cronológicas.

Obra que compõe a mostra 'Histórias Mestiças'.
Obra que compõe a mostra 'Histórias Mestiças'.Divulgação

São seis núcleos expositivos: Mapas e Trilhas; Máscaras e Retratos; Emblemas Nacionais e cosmologias; Ritos e religiões; Trabalho; Tramas e Grafismos. Neles convivem telas, esculturas, instalações, mapas, artefatos indígenas e africanos, fotos, documentos, textos, vídeos e histórias provenientes de 60 acervos de importantes instituições nacionais e internacionais – o Musée Quai Branly, o National Museum of Denmark, o Instituto de Estudos Brasileiros, o Museu de Arqueologia e Etnologia, o Museu Nacional de Belas Artes e as coleções Mario de Andrade, Masp, Biblioteca Nacional, Museu Joaquim Nabuco.

Um dos destaques imperdíveis é um novo mapa, especialmente confeccionado para a ocasião, que traça a rota dos escravos do interior da África para o Brasil, tendo como base um estudo inédito de maior africanista brasileiros, Alberto Costa e Silva, e produção cartográfica de Pedro Guidara Jr.

Saiba mais no site do Tomie Ohtake.