Nunca se ganhou um jogo sem chutar a gol

Raso em sem pegada, o Barcelona nega fogo em La Rosaleda ante um excelente Málaga, forte na defesa e com mais finalizações do que os azulgrana, estéreis apesar de terem alinhado seus cinco atacantes

Gerard Piqué se lamenta depois de uma ocasião perdida diante dos defensores do Málaga Sergio Sánchez e Weligton.
Gerard Piqué se lamenta depois de uma ocasião perdida diante dos defensores do Málaga Sergio Sánchez e Weligton.Daniel Pérez (EFE)

Nenhum dos cinco atacantes que Luis Enrique escalou achou o gol do Málaga. Tampouco apareceu o disparo de meia distância de Rakitic. E os dois centrais, novos ontem (Piqué e Bartra), cabecearam sempre fora das traves de Kameni. Nunca se ganhou um jogo sem chutar a gol, tampouco o Barcelona, repelido por um excelente Málaga. O exercício futebolístico dos alviazuis foi admirável, ganharam com sobras o empate e a honra de parar o Barça, que havia arrancado muito depressa na Liga. Os azulgrenás perderam seus dois primeiros pontos porque continuaram sem sofrer gols com Bravo.

O encontro do Barcelona em Málaga evocou a enfadonha noite no Camp Nou contra o Apoel. Os barcelonistas têm um sério problema na elaboração do jogo, preferem correr, pressionar, abrir e defender, os ataques curtos e as transições, a vertigem, e ontem não conseguiram dar ritmo à partida em La Rosaleda. O futebol foi tedioso, aborrecido, estéril, muito distante de Kameni.

O Barcelona nunca esteve à vontade em La Rosaleda. O Málaga aplicou-se em seguir uma receita já comum em muitos times que enfrentam a nova equipe de Luis Enrique: fechou-se muito bem por dentro e deixou livres os dois lados para os laterais azulgrenás, especialmente o direito, ontem ocupado pelo estreante Douglas. Tímido e inócuo, insistente no passe para trás, o brasileiro não atacava nem desequilibrava, superado também no final na defesa, ao ser substituído por Adriano depois de receber um cartão amarelo. Não restava outra saída que não fosse Jordi Alba, convertido definitivamente no jogador decisivo do Barcelona. O canhoto fez dois bons centros que não encontraram finalizador porque os azulgrenás não têm altura no ataque e ninguém alcançou a segunda trave do Málaga.

Também não havia ninguém para enfiar um passe e os atacantes não se infiltravam, muito menos Messi, muito quieto e parado, tão ausente com Neymar e Pedro do que com Munir e Sandro. O gramado não ajudava, estava uma calamidade; não era fácil permanecer em pé, como constatou Pedro logo no início da partida, quando tropeçou em uma queda um pouco cômica, quando se aproximava de Kameni. A bola ia muito lentamente de um lado a outro do campo, as jogadas do Barça eram telegrafadas e o Málaga se defendia de maneira organizada e contundente, muito valente na pressão e bem resguardado em La Rosaleda.

Os alviazuis atacavam a bola com agressividade e Kameni a lançava em busca de Amrabat. Assim conseguiu uma das melhores ocasiões, quando uma ligação direta do goleiro acabou em um arremate do atacante, bem bloqueado por Bravo. O Barça não podia recuperar a bola porque o Málaga jogava de maneira direta, minimizando as perdas, incomodando um adversário sem chispa nem sutileza, nada criativo, mais lento do que em partidas anteriores, com seus atacantes confusos, sem notícias de Messi. Houve apenas uma oportunidade no primeiro tempo, em uma entrada de Alba que o 10 não alcançou por pouco. Ninguém chutava a gol no Barça, que necessitava de uma marcha a mais para desequilibrar o Málaga.

Messi, subjugado pela zaga local, nunca entrou no jogo e Neymar foi substituído

Os rapazes de Javier Gracia se entusiasmaram com o passar do tempo e em alguns momentos alcançaram a área de Bravo. Houve um tiro cruzado de Rosales que não acertou o gol e depois Luis Alberto chutou na trave uma falta depois de a bola ter sido espalmada por Bravo. O incômodo azulgrená se refletiu na saída de Douglas.

Recuperada a estabilidade defensiva, o Barcelona continuou sem encontrar o fio ofensivo apesar das entradas de Munir e Sandro. Inepto na criação de jogo, sem passe nem toque, só encontrou alívio em algum escanteio, principalmente graças às cabeçadas de Bartra. A zaga do Málaga, contudo, foi impenetrável inclusive por Messi, alheio à partida, subjugado por Wellington em uma falta que pareceu para cartão vermelho e não amarelo, como apitou o árbitro Hernández Hernández.

O Barcelona nunca pareceu uma equipe perigosa nem superior à do Málaga, que continua invicto em seu estádio de La Rosaleda. Os azulgrenás nunca encontraram a maneira de reverter um encontro que a equipe andaluza sempre jogou como quis, muito estável, intensa e competitiva, mais finalizadora do que o desfigurado Barça.

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