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‘Hoje eu quero voltar sozinho’ é a aposta do Brasil para o Oscar

O filme de Daniel Ribeiro, com atuação elogiada de Ghilherme Lobo, desbancou concorrentes de peso, como 'O lobo atrás da porta'

A Academia anuncia os selecionados em 15 de janeiro

Ghilherme Lobo (à direita) vive um adolescente cego no filme.
Ghilherme Lobo (à direita) vive um adolescente cego no filme.

O Brasil já tem um candidato a finalista na disputa da 87ª edição do Oscar pelo melhor filme estrangeiro de 2014. Hoje eu quero voltar sozinho, do diretor paulistano Daniel Ribeiro, foi o concorrente brasileiro anunciado nesta quinta-feira pela ministra da Cultura, Marta Suplicy, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. No ano passado, a produção nacional que ocupou o mesmo cargo foi o Som ao redor, do recifense Kleber Mendonça.

O longa-metragem, que conta a história de um adolescente cego e homossexual em plena fase de descobertas, desbancou concorrentes de peso, como A praia do futuro, do veterano Karim Aïnouz, e O lobo atrás da porta, de Fernando Coimbra, aclamado em vários festivais internacionais.

Hoje eu quero voltar sozinho também teve seu reconhecimento internacional quando estreou no Festival de Berlim, em fevereiro deste ano. Lá, ganhou o Teddy de melhor longa para um filme com temática LGBT e o prêmio da Fipresci (Federação Internacional de Críticos de Cinema) de melhor filme da mostra Panamorama. No Brasil, o filme fez até o momento 189 mil espectadores – uma cifra não muito alta, mas que pode ser considerada satisfatória para uma produção independente, que terminou sendo distribuída comercialmente em também em outros países, como Alemanha, França, Espanha e Taiwan. Um de seus maiores trunfos, segundo a crítica, é a atuação do jovem ator e bailarino Ghilherme Lobo, que faz o papel de Leonardo, o garoto cego.

A comissão que fez a escolha foi composta pelo cineasta Jeferson De, pela coordenadora geral de desenvolvimento sustentável do audiovisual da Secretaria do Audiovisual, Sylvia Regina Bahiense Naves, pelo jornalista Luís Erlanger, pelo presidente do conselho da Televisão América Latina, Orlando de Salles Senna, e por George Torquato Firmeza, que dirige o Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores. "É um filme de linguagem universal, com uma história que poderia acontecer em qualquer lugar do mundo", disse Marta Suplicy. "É um filme extremamente positivo. Trata do tema da homossexualidade com uma rara delicadeza."

Vários países já definiram seus pré-candidatos ao Oscar do ano que vem, entre eles o colombiano Mateo, de María Gamboa, o mexicano Cantinflas, cinebiografia do humorista homônimo dirigida por Sebastian del Amo e o venezuelano Libertador, de Alberto Arvelo, sobre Simón Bolívar.

O resultado dos selecionados a uma das cinco vagas da disputa será divulgado em 15 de janeiro. E a festa do Oscar acontece em 22 de fevereiro. A última vez que o Brasil teve um filme indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro foi em 1999, com Central do Brasil.