FC BARCELONA

O ataque que joga nos tribunais

O Barça está preocupado com os problemas extracampo de seu trio estelar: Suárez se defenderá no dia 8 de agosto no TAS, Messi continua acusado e o juiz solicita os contratos de Neymar

Neymar, com Zubizarreta e Bartomeu em sua apresentação.
Neymar, com Zubizarreta e Bartomeu em sua apresentação.ALBERT GEA (REUTERS)

O Barcelona joga amanhã seu primeiro amistoso de certa relevância em Nice e no dia 24 de agosto lhe aguarda o primeiro jogo do campeonato espanhol contra o Elche. Os problemas com os tribunais esportivos ou com a justiça preocupam o trio de luxo que a equipe reuniu para esta temporada: Luis Suárez, Neymar e Messi.

A audiência de Luis Suárez no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS, na sigla em francês), ao qual recorreu da suspensão de nove jogos e quatro meses de inabilitação por morder o italiano Chiellini na Copa do Mundo, acontecerá no dia 8 de agosto em Lausanne. O jogador e seus advogados apresentarão nesse dia seus argumentos. O TAS decidiu resolver o caso pelo procedimento express e seu veredicto será dado na primeira quinzena de agosto. A sanção imposta ao atacante uruguaio o impede de "exercer qualquer tipo de atividade relacionada com o futebol" e, em principio, termina no dia 25 de outubro, justamente no fim de semana em que se disputa o clássico do campeonato espanhol entre Barcelona e Real Madrid.

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O Comitê de Apelação da FIFA indeferiu o recurso apresentado pelo Barça e a Federação Uruguaia, que decidiram recorrer ao TAS. Suárez não pode cumprir nenhum trâmite administrativo nem tampouco foi apresentado pelo Barcelona para evitar um confronto com a FIFA.

Os advogados do atacante consideram a suspensão desproporcional e citam precedentes como a cotovelada de Tassotti em Luis Enrique na Copa de 1994 —sete jogos de suspensão—, ou a cabeçada de Zidane em Materazzi na final da Copa da Alemanha, em 2006. O francês foi punido com três jogos e 7.550 francos suíços (cerca de 18,8 mil reais) de multa. Os advogados pedirão a diminuição da punição ao TAS, e não a absolvição, dado que não duvidam que o gesto do jogador é passível de sanção, mas consideram que os termos do castigo são uma violação dos direitos fundamentais do futebolista.

O tribunal comunicará a decisão sobre o jogador uruguaio na primeira quinzena de agosto

A novela de Messi com os tribunais prossegue depois de que o juiz de Gavà responsável pelo caso recusou, na segunda-feira, a petição da promotoria de deixar o jogador fora da causa, na qual ele e seu pai foram acusados. O atacante argentino deve responder por ter fraudado a Fazenda em 4,1 milhões de euros (cerca de 12,3 milhões de reais), correspondentes ao Imposto de Renda referente a seus direitos de imagem entre 2007 e 2009. Há um ano, a família Messi depositou em juízo essa quantia mais os juros, cerca de cinco milhões de euros (aproximadamente 15 milhões de reais), a título de "pagamento reparatório". O tribunal considera isso "irrelevante" para decidir se mantém ou não a acusação a Messi. Além disso, o astro azulgrená pagou outros 10 milhões de euros (cerca de 30 milhões de reais) para regularizar a situação de 2010 e 2011.

Depois da determinação do juiz no dia 28 de julho, a procuradoria e a Advocacia do Estado dispõem de um prazo de 10 dias para solicitar a abertura da audiência ou o arquivamento.

O caso Neymar, investigado pelo juiz Pablo Ruz na Audiência Nacional em razão da queixa apresentada por Jordi Cases, sócio do Barcelona, não avançará até bem depois do começo do campeonato espanhol, quando o magistrado interrogará o pai do jogador e o diretor financeiro do clube. A contratação do atacante brasileiro, que segundo o clube custou 57 milhões de euros (cerca de 171 milhões de reais) e segundo a documentação reunida na instrução pode ter chegado a 86 milhões de euros (aproximadamente 258 milhões de reais) em função de diferentes contratos relacionados com a operação, está sob a lupa judicial depois da acusação do ex-presidente Sandro Rosell por um delito de apropriação indébita em grau de distração (gestão desleal do patrimônio cometida pelo administrador quando lesa patrimonialmente a sociedade). Como principal responsável do clube que conduziu a contratação, Rosell deve se defender da acusação de gestão desleal do patrimônio do Barça que supostamente prejudicou gravemente os cofres do clube.

O pai de Neymar deverá entregar na Audiência Nacional da Espanha, nos próximos dias, uma variada documentação sobre as quantias que recebeu derivadas de distintos contratos que assinou com o clube sobre gratificações variáveis

Diante do juiz Ruz, o ex-presidente defendeu a legalidade da operação, apesar de que nunca, segundo confessou, leu os detalhes do contrato, e tentou desvincular do caso Josep María Bartomeu, seu sucessor no cargo. A assinatura de Bartomeu figura em algum dos contratos investigados. O sócio que deflagrou o caso ampliou sua queixa para pedir a acusação de Bartomeu. O juiz deu cinco dias às partes para que se pronunciem.

Até agora o juiz só notificou para declarar como testemunhas, no dia 1 de outubro, Neymar da Silva Santos, pai do jogador, e o diretor financeiro do clube, Néstor Almela. O pai de Neymar deverá entregar na Audiência Nacional, nos próximos dias, uma variada documentação sobre as quantias que recebeu derivadas de distintos contratos que assinou com o clube sobre gratificações variáveis, reembolso de gastos ou pagamentos diretos assumidos pelo clube. Ruz também lhe pergunta sobre a data em que está previsto o recebimento de 900.000 euros (cerca de 2,7 milhões de reais) por direitos de imagem da temporada 2013-2014.

A Promotoria entende que na operação da contratação de Neymar o Barça pode ter economizado indevidamente 9,1 milhões de euros (aproximadamente 27,3 milhões de reais) em impostos na Espanha. O Barça tentou sufocar o enredo judicial pagando 13,5 milhões de euros (cerca de 40,5 milhões de reais) à Agência Tributária, como se tratasse de uma declaração complementar, para evitar o processo judicial, algo que não conseguiu.

O magistrado encomendou vários relatórios à Agência Tributária sobre a situação fiscal do Barça em relação à operação Neymar e solicitou ao clube as atas das reuniões realizadas pela Junta Diretiva entre os dias 1 de janeiro e 10 de junho de 2013.