O grupo PRISA abre uma nova etapa

O empresário mexicano Roberto Alcántara investe quase 300 milhões de reais no grupo José Luis Sainz substitui Fernando Abril-Martorell em suas tarefas executivas

O presidente de honra do grupo PRISA, Ignacio Polanco, à direita saúda o empresário mexicano Roberto Alcántara.
O presidente de honra do grupo PRISA, Ignacio Polanco, à direita saúda o empresário mexicano Roberto Alcántara.uly martin

A reunião desta terça-feira do Conselho de Administração do grupo PRISA, que edita o EL PAÍS, marcou o início de uma nova etapa para a companhia. Por um lado, o Conselho aprovou uma ampliação de 100 milhões de euros (297,7 milhões de reais) no seu capital, a serem subscritos pelo empresário mexicano Roberto Alcántara. E, por iniciativa do presidente-executivo da companhia, Juan Luis Cebrián, foi aprovada a nomeação de José Luis Sainz como substituto de Fernando Abril-Martorell no cargo de executivo-chefe, o que valerá depois que este deixar a função, por iniciativa própria, em 1º de outubro.

A entrada de Alcántara no capital do grupo se dará pela emissão de 188.679.245 ações ordinárias de Classe A, com exclusão do direito de subscrição preferencial ao valor de 53 cêntimos de euro por título, conforme comunicou pela empresa à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV). Esse preço representa um ágio de quase 40% sobre o preço médio ponderado das ações do PRISA durante os últimos três meses, e de 60% sobre o fechamento desta terça-feira.

Alcántara se coloca assim como o maior acionista individual do grupo, com uma participação de 9,3% do capital. O empresário mexicano é desde fevereiro membro do Conselho de Administração do PRISA e do seu Comitê Executivo, além de subscritor do contrato de acionistas da companhia, o que faz dele um sócio de referência.

O grupo recomprará dívida com um desconto mínimo de 25%

Os recursos obtidos na ampliação do capital se destinarão à recompra de dívida junto a diversas instituições financeiras credoras do grupo, com um desconto mínimo de 25%. Essas mesmas instituições se comprometeram a vender pelo menos 600 milhões de euros (1,79 bilhão de reais) em dívidas com esse desconto mínimo de 25% antes de 31 de dezembro de 2014. Em maio passado, o PRISA já havia recomprado 165 milhões (491 milhões) de dívida com um desconto de 27,6%, utilizando recursos obtidos com a venda de um pacote de ações da Mediaset Espanha. O PRISA ainda possui 13,6% da Mediaset, num valor de mercado de 466 milhões de euros (1,39 bilhão de reais).

Conforme apontou o presidente-executivo Juan Luis Cebrián em nota à imprensa, “a entrada de Roberto Alcántara coincide com uma nova etapa na companhia, que poderá se centrar num futuro próximo em projetos de crescimento e expansão. Estou muito satisfeito por contar com um sócio tão relevante como ele. Trata-se não só de um grande empresário, como também de alguém comprometido com os valores institucionais que a nossa companhia representa”.

Os bancos aceitaram vender 1,79 bilhão em títulos de dívida até o fim do ano

Roberto Alcántara Rojas (México, 1950) é um empresário dedicado ao transporte em longas distâncias. É presidente do Grupo Toluca e da companhia aérea VivaAerobus, que fundou em 2006 com o criador da irlandesa Ryanair. É acionista e presidente do Conselho de Administração do consórcio Iamsa (Investidores em Transportes Mexicanos), que agrupa as maiores empresas de ônibus no México. Entre 1991 e 1999 foi presidente do Conselho de Administração do BanCrecer. Alcántara foi incluído na lista dos 100 principais executivos do México, elaborada anualmente pela CNN.

“É uma honra fazer parte desta companhia. Além das brilhantes perspectivas de negócio que ela oferece, destaca-se o seu perfil institucional e a sua contribuição aos valores sociais e democráticos na América Latina. Sob a contínua liderança de Juan Luis Cebrián como presidente, a empresa pode agora empreender uma etapa de desenvolvimento e consolidação do importante legado que representa”, afirmou Alcántara em nota.

Novo executivo-chefe

Nesta nova etapa, o executivo-chefe da empresa será José Luis Sainz, que está há dois anos à frente da gestão dos negócios de Imprensa e Rádio do PRISA e passou a maior parte da sua vida profissional no grupo. Atualmente, é presidente do PRISA Noticias e executivo-chefe do EL PAÍS e da PRISA Radio, membro do Conselho Administrativo do EL PAÍS e da rádio SER e, desde esta terça-feira, também do Conselho do PRISA.

Sainz assumirá como executivo-chefe em 1º de outubro. Até então, ele e o atual executivo-chefe, Fernando Abril-Martorell, trabalharão coordenadamente sob a supervisão do presidente-executivo na definição de um novo organograma e para que os negócios do grupo continuem executando seus planos corretamente, informou a empresa em um comunicado.

As áreas Financeira, de Estratégia, Comunicação e a Secretaria Geral responderão diretamente ao presidente-executivo, Juan Luis Cebrián, ao passo que o executivo-chefe cuidará da gestão e supervisão dos vários negócios do grupo.

O PRISA explica que, após o saneamento do balanço da empresa, a adequação da estrutura de custos e o encaminhamento do processo de reestruturação da dívida, Fernando Abril-Martorell considera cumprido o compromisso assumido com Cebrián quando se incorporou ao grupo, em abril de 2011, primeiro como executivo-chefe-adjunto e diretor-geral financeiro, e, meses mais tarde, como executivo-chefe.

Abril-Martorell deixará as funções executivas em 1º de outubro, mas, a pedido de Cebrián, permanecerá tanto no Conselho Administrativo como no Comitê Editorial do jornal EL PAÍS.

“A contribuição de Fernando Abril-Martorell foi fundamental nesta fase da empresa. Fernando liderou a transformação do grupo ao mesmo tempo em que vencia o grande desafio de sanear suas contas. Todos os integrantes da empresa, acionistas, funcionários e usuários teremos sempre uma imensa dívida de gratidão com ele. Estou contente pelo fato de continuar conosco no Conselho Administrativo e no Comitê Editorial, de onde poderá continuar a colaborar ativamente com o grupo. Lamentaremos muito a sua ausência nas tarefas executivas, mas compreendo e respeito a sua decisão”, disse Cebrián em um comunicado.

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