A polícia prende 19 ativistas anti-Copa

Os detidos são suspeitos de participar no protesto que resultou na morte do cinegrafista Santiago Andrade em fevereiro no Rio

Um policial prende um manifestante terça-feira no Rio.
Um policial prende um manifestante terça-feira no Rio.EFE

A polícia civil do Rio de Janeiro prendeu, nesta véspera da final no estádio do Maracanã, 19 ativistas anti-Copa do Mundo "suspeitos de participar em atos violentos", informaram fontes oficiais. Os militantes, um deles professor universitário de história, respondem por crimes de formação de quadrilha armada, com pena prevista de até três anos de reclusão.

Entre os detidos, está a estudante Elisa Quadros Pinto Sanzi, a Sininho, que ganhou destaque nas manifestações do ano passado (durante a Copa das Confederações) e é considerada uma das líderes dos adeptos da tática Black Bloc (grupos cujos militantes vão aos protestos encapuzados e não descartam a violência). Sininho foi presa em Porto Alegre e levada ao Rio neste sábado.

A polícia informa que as prisões foram ordenadas pelo tribunal penal da cidade. Segundo os delegados responsáveis pela operação, buscas nas residências dos acusados levaram à apreensão de máscaras de gás, um revólver, que seria do pai de um dos detidos, material explosivo e computadores com registros de comunicações entre os militantes.

As autoridades negaram que as prisões tenham o intuito de desencorajar os protestos previstos para domingo no Brasil, coincidindo com a final do campeonato: vários grupos que, desde o ano passado, criticam o alto custo da organização e o deslocamento de moradores de favelas programaram para domingo manifestações em uma praça próxima ao Maracanã e em Copacabana. Em diversos comunicados, organizações de direitos humanos e contrárias à 'Copa das Copas' acusaram o Governo de realizar detenções arbitrárias a fim de impedir o direito à manifestação.

Apesar dos protestos contra a Copa terem perdido força no último mês, as autoridades organizaram a maior mobilização policial da história, com 26.000 policiais e soldados, para prevenir qualquer incidente relacionado a esses focos de protesto ou possíveis confrontos entre torcedores argentinos e brasileiros no último dia de um torneio até agora notavelmente pacífico.

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