Copa do Mundo 2014

A partida que ninguém quer

O Brasil, cuja a torcida quer renovação, testa sua depressão contra uma Holanda decepcionada

Felipão, na semifinal Brasil e Alemanha.
Felipão, na semifinal Brasil e Alemanha.

Se fosse jogado nas oitavas de final ou no domingo no Maracanã, o Brasil x Holanda de hoje teria chamado a atenção do mundo inteiro. Ainda que o treinador Luiz Felipe Scolari gostasse de repetir nas primeiras semanas do torneio que não queria enfrentar o Chile, a imensa maioria da torcida brasileira preferia que a Holanda ficasse em primeiro no grupo B para evitar Arjen Robben e companhia no primeiro mata-mata. Os holandeses golearam a campeã do mundo e mostraram um jogo alegre, ambicioso. O treinador holandês, Louis Van Gaal, até incomodou seu irritadiço homólogo brasileiro ao insinuar que o Brasil poderia escolher o adversário por jogar sua terceira partida do grupo horas depois que a Holanda. “Os que dizem isso, ou são burros ou mal-intencionados”, respondeu um Felipão que vivia seus momentos de maior popularidade.

A partida teria sido, além disso, uma possível revanche verde-amarela pela derrota nas quartas de final de 2010. Entretanto, a queda de ambas as equipes na semifinal e o esfriamento daquela discussão passageira murcharam um encontro que só teria interesse se a Argentina tivesse perdido na quarta-feira em São Paulo e Scolari pudesse utilizar o eterno rival como estímulo para animar uma seleção estigmatizada. De acordo com o sempre direto Van Gaal, que se despede hoje da seleção laranja para assumir o comando do Manchester United, “as partidas pelo terceiro lugar não deveriam ser jogadas”. “Venho dizendo isso há 15 anos”, acrescentou.

Na Canarinho é provável que a vontade de jogar seja ainda menor, apesar de Neymar se referir várias vezes na quinta-feira sobre “a motivação” que têm seus companheiros para terminar a Copa “com uma vitória e um sorriso”. Segundo todos os indícios, será desta forma a última participação de Scolari no comando de uma seleção brasileira, ainda que nada esteja confirmado. É provável que nem sequer uma vitória acompanhada de uma boa partida restabeleça a harmonia com uma torcida que parece ter aberto os olhos massivamente sobre a necessidade de renovação do futebol nacional.

Os dois treinadores destacaram que escalarão os jogadores que mostrarem maior força mental e disposição em participar de uma partida que dá ao vencedor a consolação do terceiro lugar e uma premiação superior em 4 milhões de reais a do quarto colocado.

Os brasileiros têm a motivação em terminar a Copa com uma vitória e um sorriso, segundo Neymar

Na seleção brasileira parece descartada a escalação dos questionados e abatidos Hulk, Fernandinho e Fred, maiores alvos das críticas em seu país. A julgar pelo visto no último treinamento em Teresópolis antes de a equipe viajar para Brasília, o time inicial seria composto por Júlio César, Maicon, Henrique, David Luiz, Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho, Ramires; Oscar, Willian e Jô. O Brasil é o favorito nas casas de aposta.

Na entrevista coletiva anterior à partida, Van Gaal resgatou um motivo para levar o jogo a sério: ser a primeira seleção holandesa da história que sai invicta de uma Copa. Também afirmou que preferia perder por 7 a 1 do que nos pênaltis: “É melhor, porque desta maneira perde-se claramente; mas nós não perdemos, nós somente não nos classificamos nos pênaltis”, sustentou antes de reconhecer que se sente “decepcionado”. “Viemos com um só objetivo [...]. Sabíamos que não éramos a melhor equipe em qualidade, mas sim a mais difícil de derrotar”, expressou. “A equipe ficou muito triste... Acabou um sonho que não volta mais”.

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