Copa do Mundo 2014

Os eficazes inimigos do gol

Na Copa do Mundo com mais gols, a atuação dos goleiros tem sido crucial para o sonho de muitas seleções Tim Howard é o goleiro com mais defesas: 27

Navas defende o pênalti chutado por Gekas.
Navas defende o pênalti chutado por Gekas.Ryan Pierse (Getty Images)

A Copa do Mundo de 2014 se encaminha para as quartas de final em que Brasil, Colômbia, França, Alemanha, Costa Rica, Argentina, Holanda e Bélgica disputam uma vaga na semifinal, a partir de sexta-feira. A explicação para que muitas destas seleções ainda estejam lutando pelo título está debaixo das traves. Apesar do número de gols marcados até o momento ser maior do que o anotado em toda a Copa de 2010, 154 contra 145 na África do Sul, e também que na Alemanha-2006, 147, as luvas de muitos goleiros evitaram que a cifra fosse ainda maior. Além disso, duas das oitavas de final (Brasil x Chile e Costa Rica x Grécia) foram decididas na marca do pênalti, e outros três duelos foram decididos na prorrogação (Alemanha x Argélia, Argentina x Suíça e Bélgica x Estados Unidos). Em todos eles, a atuação dos goleiros foi decisiva.

Keylor Navas (Costa Rica, 14 defesas)

Keylor Navas, durante a cobrança de pênaltis contra a Grécia.
Keylor Navas, durante a cobrança de pênaltis contra a Grécia.Paul Gilham (Getty Images)

O goleiro do Levante é uma peça-chave na seleção de Jorge Luís Pinto. Depois de completar um final de temporada espetacular com seu clube na Espanha, Navas manteve o nível nos quatro jogos que disputou com os Ticos. Seu papel na disputa por pênaltis contra a Grécia merece uma menção especial. Sua defesa na cobrança de Gekas foi decisiva para que a Costa Rica conseguisse passar para as quartas de final pela primeira vez em sua história. Sua capacidade para manter a calma, aliada a uma elasticidade acima da média colocam Navas, de 27 anos, como um goleiros mais desejados do mundo atualmente. Para isso também contribui sua cláusula de rescisão de 10 milhões de euros. Ainda resta saber até onde pode chegar a Costa Rica, mas a presença de Navas, por si só, já é garantia de espetáculo.

Manuel Neuer (Alemanha, 11 defesas)

Neuer, na partida contra a Argélia.
Neuer, na partida contra a Argélia.ARMANDO BABANI (EFE)

Ainda que não se possa chamar de surpresa o bom desempenho do goleiro da Alemanha, um arqueiro espigado, de solidez que se destaca tanto na seleção quanto no Bayern de Munique, sua atuação contra a Argélia foi notável, especialmente quanto a seu jogo com os pés. Em pelo menos cinco momentos ele teve de sair da área para interromper as jogadas de ataque da seleção africana, tornando-se um defensor a mais na zaga alemã. Além disso, Neuer completou 32 passes, sendo 17 deles de longa distância, com 75% de acerto, algo mais que destacável para um goleiro. O jogo exigiu concentração, já que a equipe comandada por Salid Halidhozic esteve várias vezes na área da Alemanha, mas a solidez de Neuer e a melhor forma física de seus companheiros foram decisivas para desequilibrar o jogo.

Julio César (Brasil, 6 defesas)

Julio César, durante a cobrança de pênaltis contra o Chile.
Julio César, durante a cobrança de pênaltis contra o Chile.Alex Grimm - FIFA (Getty Images)

Com certeza é o goleiro com mais pressão de toda a Copa do Mundo. Junto de seus companheiros no Brasil, Julio César vive permanentemente na mira dos torcedores, que até o jogo contra o Chile não os viam com bons olhos. Veterano, completará 35 nos em setembro, sóbrio, sem grandes alardes físicos, o goleiro do Toronto FC, do Canadá, é uma aposta de Luis Felipe Scolari, apesar de estar longe das competições de nível mais alto. Suas lágrimas antes e depois da disputa de pênaltis com o Chile, em que defendeu duas cobranças e viu outra bater na trave, formaram uma das imagens mais emocionantes da Copa do Mundo. Culpado pela eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2010, Julio César explodiu depois de conseguir uma vaga nas quartas e conseguiu, assim, absolver-se das condenações que sofria desde então. No entanto, o fantasma de Barbosa, o goleiro do Brasil no histórico Maracanazo do Uruguai em 1950, continua.

Thibaut Courtois (Bélgica, 11 defesas)

Courtois comemora a ida da Bélgica às quartas de final contra os Estados Unidos.
Courtois comemora a ida da Bélgica às quartas de final contra os Estados Unidos.SERGIO MORAES (REUTERS)

Com apenas 22 anos, o goleiro belga é um dos jogadores com maior reputação em sua posição atualmente, e tem um futuro ainda mais promissor. Sua boa temporada com o Atlético de Madri, finalista da Champions League e campeão espanhol, o colocam como uma das joias do mercado atualmente. Propriedade do Chelsea, Courtois é titular indiscutível para o técnico belga Marc Wilmots, e demonstrou, principalmente no duelo de ontem contra os Estados Unidos, que continua mantendo um bom nível técnico também atuando pela seleção. Nem sequer o fato de não saber onde jogará na próxima temporada parece distrair o goleiro belga, de boa envergadura (1,99 metro) e grandes reflexos, que segue sendo um dos jogadores sobre os quais recaem muitos dos sonhos da Bélgica nesta Copa.

Guillermo Ochoa (México, 10 defesas)

Guillermo Ochoa, na partida contra a Holanda.
Guillermo Ochoa, na partida contra a Holanda.Mauricio Dueñas (EFE)

Pode-se dizer que o goleiro mexicano foi uma das revelações do torneio. Seu estoque de reflexos nas partidas contra o Brasil e a Holanda ajudaram a El Tri primeiro a passar da fase de grupos, e depois a colocar em apuros o time de Van Gaal, que só conseguiu superá-los nos minutos finais do segundo tempo. Ochoa, que durante os jogos do México na Copa do Mundo estava sem clube, mostrou-se um goleiro especialmente ativo sob as traves, com um bom um contra um e muito estável pelo alto. Agora resta saber se sua grande atuação no Brasil poderão proporcionar a ele um novo desafio na carreira, já que 28 anos, ele ainda tem um longo caminho pela frente.

Tim Howard (Estados Unidos, 27 defesas)

Tim Howard, na partida contra a Bélgica.
Tim Howard, na partida contra a Bélgica.Jamie McDonald (Getty Images)

Com certeza ninguém havia feito tantas defesas em apenas um jogo como ele contra a Bélgica. Em 15 momentos, um recorde, Howard teve de intervir para que a bola não entrasse no gol dos norte-americanos. O goleiro do Everton, de 35 anos, foi um muro para os belgas durante mais de 90 minutos, mostrando um grande repertório de habilidades debaixo das traves. Com 104 jogos pela seleção dos Estados Unidos, Howard ontem manteve vivo o time de Jurgen Klinsmann, que vendeu cara sua eliminação na prorrogação. No gol do Everton desde que deixou o Manchester United em 2006, Howard tem sido presença constante na seleção de seu país e tem um histórico de grandes atuações. Ontem, ele pouco pode fazer quando De Bruyne e depois Lukaku chutaram, de dentro da área, depois que sua defesa já estava se afundando.

Vincent Enyeama (Nigéria, 22 defesas)

Enyeama, na partida contra a França.
Enyeama, na partida contra a França.SIPHIWE SIBEKO (REUTERS)

Ele foi o herói de seu país durante 80 minutos, mas logo depois foi ao fundo do poço. É a sina dos goleiros, eles são avaliados por seus erros. Enyeama, 31 anos, goleiro do Lille e considerado o melhor na posição do Campeonato Francês, voltou a se encontrar com Messi em uma Copa do Mundo, como havia acontecido há 4 anos na África do Sul. Naquela ocasião, o craque argentino despediu-se do torneio sem fazer gols, em parte graças às boas defesas do goleiro nigeriano. No Brasil, no entanto La Pulga superou Enyeama duas vezes, ainda que a atuação do arqueiro tenha sido destacável. Contra a França também, até que uma saída errada em um escanteio propiciou o primeiro gol dos franceses. Pogba cabeceou a bola para a rede, e ali terminaram os sonhos africanos.

Rais M’Bolhi (Argélia, 20 defesas)

M'Bolhi, no jogo contra a Alemanha.
M'Bolhi, no jogo contra a Alemanha.Sergei Grits (AP)

Graças a ele, a Alemanha sofreu mais do que qualquer torcedor poderia esperar. M’Bolhi, goleiro do CSKA de Sofia, parou todas as oportunidades da Mannschaft durante os 90 minutos de jogo. Ele só cedeu depois. Em um jogo disputado, em que a Argélia mostrou-se competitiva enquanto o físico aguentou, seu goleiro, sereno e sem grandes alardes porém muito seguro, deu tranquilidade à defesa e mostrou-se completo. Ele foi bem pelo alto e mostrou bons reflexos entre as traves. Enyeama começou a carreira em 2006, na Escócia, no Heart of Midlothian, e depois esteve por duas temporadas, entre 2006 e 2008 na Grécia (Ethinikos Piraeus e Panetolikos). No entanto, ele cresceu mesmo como goleiro na Bulgária, no Slavia Sofia e agora no CSKA.

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