Porto Rico se oferece às empresas espanholas como ponte até os EUA

O Estado Livre Associado pretende levantar a economia com investimento estrangeiro

O presidente do El Pais, Juan Luis Cebrian, cumprimenta o governador de Porto Rico, Alejandro Garcia Padilla.
O presidente do El Pais, Juan Luis Cebrian, cumprimenta o governador de Porto Rico, Alejandro Garcia Padilla.R. Arduengo

Há exatamente um ano, o Governo de Porto Rico enfrentava o compromisso de reduzir o déficit em sua economia de 2,2 bilhões de dólares (4,98 bilhões de reais) para 820 milhões de dólares (1,85 bilhão de reais). Hoje este Estado Livre Associado dos Estados Unidos se encontra em uma conjuntura similar: Com um déficit de 320 milhões de dólares (724 milhões de reais) na arrecadação acumulada e obrigado a equilibrar o caixa, para que este não prejudique a previsão do próximo ano fiscal, que começa em 1 de julho, estimado em mais de 9,5 bilhões de dólares (21,5 bilhões de reais).

É neste contexto no qual Porto Rico pede uma oportunidade aos empresários da Espanha, e oferece a possibilidade de entrar sem traumas no mercado norte-americano, na tentativa de reativar a deprimida economia da ilha com custos muito inferiores.

As contas gerais da ilha somam oito anos de crises sustentada que reduziu em 15% a economia

“Temos acesso direto ao mercado dos Estados Unidos, muito maior que o de qualquer país latino-americano, incluindo aqueles que assinaram acordos de livre comércio com os Estados Unidos. Falamos espanhol e conhecemos o marco regulatório para fazer negócios nos Estados Unidos”, disse o governador de Porto Rico, Alejandro García Padilla, durante o Fórum Investir em Porto Rico, organizado pelo EL PAÍS na cidade de San Juan, e patrocinado pelo Governo de Porto Rico, o diário El Nuevo Día e as empresas espanholas Albertis, Mapfre e Santander e a porto-riquenha Pharma Bio Serv, com a colaboração da Air Europa e o hotel Intercontinental de Porto Rico.

As contas gerais da ilha atravessam momento ruim. Já são oito anos de uma crise contínua que reduziu por volta de 15% da economia, com a previsão de crescer mais do que 2% até o ano de 2018. Mais da metade da população em idade de trabalhar não tem emprego, apesar da quarta parte da população em idade produtiva ter educação universitária, e do Estado contar com a terceira maior taxa de engenheiros e cientistas do mundo, de acordo com o mais recente informe do Foro Econômico Mundial. E ainda que as finanças do presente indiquem o contrário, o Governo de Porto Rico confia que há razões para otimismo sobre o futuro.

“Somos uma economia completamente aberta que incentiva o investimento. A proteção de Porto Rico à propriedade intelectual e ao sistema bancário e financeiro é a mesma dos Estados Unidos. Mas apesar de operarmos de acordo com estas normas, estamos fora do sistema de impostos norte-americano”, disse também García Padilla, oferecendo ao investimento “o melhor” dos mundos.

Atualmente, a atividade econômica e a rentabilidade que gera investimento estrangeiro em Porto Rico está isenta do pagamento de impostos aos Estados Unidos, seja em arrecadação ou os lucros de capital.

“Trata-se de uma vantagem competitiva que nenhuma outra jurisdição dos Estados Unidos pode oferecer. Esta autonomia fiscal nos permite oferecer incentivos de contribuição que reduzem o pagamento de impostos ao Governo de Porto Rico, com taxas inimagináveis na Europa”, acrescentou o governador de Porto Rico.

A rentabilidade que o investimento estrangeiro gera está isenta do pagamento de contribuições aos Estados Unidos

É desta forma, por exemplo, que as empresas globais de manufaturas que operam na ilha desfrutam de taxas de contribuição de 4% e até menores. Ao mesmo tempo, a legislação vigente as exime do pagamento de contribuições sobre propriedades móveis e imóveis e sobre lucro de capital, e o mesmo ocorre com as patentes, os arbítrios e outros impostos municipais.

Outras contas pendentes, reconheceu o Governador porto-riquenho, também abundam: “Temos que continuar baixando o preço da energia elétrica, procurar maior eficiência na gestão de Governo e continuar reduzindo a criminalidade”.

Neste último aspecto, combater a insegurança associada ao crime organizado, especialmente o tráfico de drogas na rota do Caribe, é outro assunto a resolver. Ainda com o vento contra, García Padilla confia que a chegada de investimento estrangeiro ajudará a superar estas adversidades: “Na hora dos senhores escolherem aonde fazer seu investimento, se nos derem a oportunidade de competir, vamos entrar nesta concorrência para ganhar”.

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