OPINIÃO

Dá-lhe Messi!

Lionel é universal e, como tal, melhor vê-lo durante muito tempo ao vivo do que relembrar seus gols pela televisão

Messi, durante um treinamento.
Messi, durante um treinamento.Victor R. Caivano / AP

Em torno de Lionel Messi há uma certa sensação de fatalismo no setor mais pessimista do Barça, um clube de natureza pessimista, inclusive quando vence. Até os mais céticos afirmam que a melhor versão do 10 foi vista no Camp Nou e, por isso, agora é o caso de pagá-lo bem para que jogue amistosos e jogos oficiais, nem que seja só para agradecer seu legado como ganhador quatro vezes da Bola de Ouro.

Há torcidas azul-grenás que, pelo contrário, acusam Messe de poupar esforços na última temporada para depois se exibir na Copa pela Argentina. Argumentam que aprendeu com os títulos a ser seletivo e a dar as cartas, nada a ver com o garoto que não suportava perder no pátio da escola, houvesse ou não a isca de um prêmio, como aquela bicicleta que ganhou depois de fugir do quarto em que tinha sido trancado.

Chegou a hora de tirar a dúvida, depois de lembrar que a última vez que Messi foi campeão com a alviceleste foi no dia em que Pep Guardiola o liberou de uma eliminatória da Champions para que pudesse ganhar o ouro em Pequim. O 10 da Argentina nunca coincidiu com o 10 do Barça. Talvez não seja por acaso que ganhou a estima dos argentinos agora que o amor dos catalães é questionado.

Leo foi coroado como rei do futebol quando se aproximou da área

Mesmo sendo sempre um personagem tão admirável quanto difícil de decifrar, o sucesso de Messi no Brasil dependerá de duas coisas se for considerada sua estadia triunfal no Barcelona: a posição que ocupar no campo e sua forma física. Leo foi coroado como rei do futebol quando se aproximou da área, da mesma forma que perdeu a coroa quando se afastou do gol ou reduziu sua capacidade marcadora, superior de qualquer forma aos 40 gols nas últimas cinco temporadas.

O Messi mais adorado e premiado foi o que colocava o ponto final no jogo combinado dos volantes do Barça. O 10 azul-grená curiosamente minguou quando volantes como Xavi também perderam o pique. A Pulga retrocedeu uma linha e o Barcelona perdeu. A incógnita está em saber agora de que Messi a Argentina precisa.

Ser um finalizador não é a mesma coisa do que ser um armador de jogo, meia-atacante ou meia de ligação, ou, se quiser, a origem do gol, circunstância que compete ao técnico Sabella. E a escolha não dependerá só da capacidade de assimilação do jogador e do plantel disponível, mas também do estado de Messi. Lio, como o chamam na Argentina, é tão autêntico que não consegue dissimular, como fazem os jogadores de praia cheios de truques do Brasil.

Argumentam que aprendeu com os títulos a ser seletivo e a dar as cartas, nada a ver com o garoto que não suportava perder no pátio da escola

O segredo de Messi está em sua explosividade, um dom que não depende do treinador nem do sistema, mas de como se cuidou durante o ano. E isso é justamente o que os fãs barcelonistas, argentinos e do mundo estão esperando para ver, porque Messi é universal e, como tal, melhor vê-lo durante muito tempo ao vivo do que relembrar seus gols pela televisão.

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