CAMPEONATO ARGENTINO

River Plate, do inferno ao paraíso em três anos

O clube de Buenos Aires ganha o seu 35° título argentino após cair para a segunda divisão em 2011

Um torcedor do River incentivando a sua equipe.
Um torcedor do River incentivando a sua equipe.V. R. Caivano (AP)

Há três anos, na última rodada da temporada 2010-2011, o River Plate abria o marcador pouco depois do início de uma partida disputada em seu estádio cheio. Mariano Pavone fazia 1 x 0 contra o Belgrano, de Córdoba, mas o jogo terminaria 1 x 1 e o clube mais ganhador de campeonatos argentinos acabaria sendo rebaixado pela primeira vez em sua história.

Nunca os orgulhosos millonarios imaginariam semelhante humilhação. A sua passagem pela segunda divisão durou um ano. Neste domingo, na última rodada do Torneio Final 2013/2014, Fernando Cavenaghi, que regressava ao River em 2011 para ajudar no retorno à primeira divisão, marcou 1 x 0 aos nove minutos ante o Quilmes em um Monumental lotado, mas dessa vez a história terminaria bem. O clube do bairro portenho de Núñez, um dos mais populares da Argentina, foi ao inferno, mas ao terceiro ano subiu aos céus com a sua conquista nacional de número 35.

Com tranquilidade e toques precisos, frente a um rival com poucas pretensões, o River terminou impondo-se por 5 x 0. Ramón Díaz, artilheiro histórico do clube, conduziu à equipe outra vez à glória, mas ao contrário do que ocorreu nos cinco títulos nacionais anteriormente conquistados como treinador (o último em 2002), desta vez o River não se caraterizou por ter uma equipe contundente no ataque, embora na partida ante o Quilmes tenha mostrado sua melhor versão, como nos velhos tempos.

Apesar de ter goleado neste domingo, no torneio foi irregular: somou 11 vitórias, quatro empates e quatro derrotas. Anotou 28 gols em 19 jogos. Nove deles foram de Cavenaghi, o ex-atacante de Mallorca, Villarreal e Pachuca (México). Seis tentos foram convertidos por uma das três estrelas colombianas que muito contribuíram para o título do River, o meio-campista Carlos Carbonero, que não disputará a Copa do Mundo no Brasil, embora o seu futuro imediato esteja em algum clube europeu. Outro cinco gols foram de seu compatriota Teo Gutiérrez, atacante que está entre os 30 pré-selecionados por José Pekerman para disputar o Mundial. O terceiro colombiano do River é o defensor Éder Álvarez Balanta, outro pré-selecionado.

O nível do River em 2014 não destoa com o de um Torneio Final que pouco a pouco foi perdendo estrelas e que está distante daquele dos anos 90 nos quais Díaz treinava equipes campeãs. O que não há dúvidas é de que este River foi o melhor dos 20 clubes da primeira divisão argentina, na qual foram rebaixados Argentinos Juniors e All Boys e na qual também cairá o perdedor de uma partida desempate entre o Colón, de Santa Fé, e o Atlético Rafaela.

O nível do River Plate em 2014 não destoa de um campeonato que pouco a pouco foi perdendo suas estrelas

Desde o início do confronto deste domingo, o River dominou o jogo. Buscava o ataque com lançamentos e passes no meio-campo, combinando a participação do meia ofensivo Lanzini, que aos 21 anos foi outro símbolo do clube, Gutiérrez e o experiente Ledesma, de 35 anos. Logo aos nove minutos, depois de um perfeito cruzamento de Vangioni, Carbonero fuzilou de cabeça sobre o goleiro Benítez, que deu rebote e Cavenaghi não perdoou.

Aos 24 minutos, depois de um escanteio, dois zagueiros tocaram de cabeça na área rival, primeiro Maidana e depois Gabriel Mercado, que anotou o 2 x 0. Foi na mesma semana em que Mercado, aos 27 anos, foi surpreendentemente convocado por Alejandro Sabella entre os 30 pré-selecionados da Argentina para o Mundial.

“Sim, sim, senhores, eu sou do River, sim, sim, senhores, de coração, porque neste ano daqui de Núñez saiu o novo campeão”, voltaram a gritar os torcedores após tantos anos de frustrações. A última conquista do clube no Campeonato Argentino havia ocorrido em 2008, quando era dirigido por Diego Simeone. O filho de Cholo, Gio, é, aos 18 anos, outro integrante do plantel do River campeão.

O restante do primeiro tempo foi morno, típico de um jogo no qual as cartas já foram à mesa. Na segunda etapa, os millonarios decidiram celebrar ainda mais. E assim foi, quando aos 17 minutos, Ledesma anotou o seu primeiro gol na história do River com um soberbo arremate de 35 metros no ângulo. Caiu e chorou. Aos 25, chegou o quarto gol, de Cavenaghi, depois de outra jogada de vários toques, tantos que podem surpreender na Argentina, embora não entre os talentosos jogadores desse país que brilham por todo o mundo. Foi aí que até Díaz começou a chorar. Aos 44, coube a Teo fechar o placar, em um contra-ataque.

O River voltou a ser o River. O clube onde brilharam Di Stéfano, Fillol, Passarella, Luque, Tarantini, Kempes, Olarticoechea, Gallego, Houseman, Pumpido, Francescoli, Ruggeri, Caniggia e Ortega voltou a dar a volta olímpica na Argentina.

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