REVISTA SÁBADO

Alec Baldwin, a estrela mais odiada de Nova York

Embora sua vida pessoal vá de vento em popa, o ator reconhece que seu último ano foi “uma grande cagada” Aos contínuos atritos com os ‘paparazzi’, incluindo surras e insultos homofóbicos, soma-se agora um chilique dele com a polícia de Manhattan

O ator Alec Baldwin, à direita, briga com um fotógrafo numa rua de Nova York, em agosto passado.
O ator Alec Baldwin, à direita, briga com um fotógrafo numa rua de Nova York, em agosto passado.

Os ânimos andam meio acalorados para os lados de Alec Baldwin. Assim é o mundo de Hollywood – em que o filho dileto de repente vira o mais odiado. Mas não estamos falando de Los Angeles, e sim de Nova York, cidade na qual, segundo série Friends, “todos são seus amigos”. Nesse ritmo, o ator nova-iorquino de 56 anos está a ponto de ser declarado persona non grata na Big Apple.

O último chilique foi sua detenção na terça-feira passada, em plena Quinta Avenida nova-iorquina, quando andava de bicicleta – só que na contramão. Uma multa que acabou com o ator sendo levado algemado para uma delegacia, por causa da infração, por não portar documentos e por resistir aos agentes. Ou, o que dá na mesma, por armar um salseiro. Porque, quando sua identificação se baseia em “encontros anteriores com a polícia”, como constou nos autos da sua detenção, não interessa se você se chama Alec Baldwin ou Zé da Silva, você sabe que as coisas não vão bem, inclusive na cidade dos seus sonhos.

O próprio Baldwin admitiu isso há alguns meses quando, em uma carta aberta a quem quisesse ler, concordou com algo que muitos haviam dito antes: que seu último ano havia sido “uma grande cagada”. Nada a ver com a sua vida pessoal, um período maravilhoso, com a chegada da sua segunda filha, Carmen, fruto do casamento com a espanhola Hilaria Thomas, professora de pilates. Mas o ator é perseguido por escândalos. Ou muitos diriam que corre atrás deles. Porque seus atritos com os paparazzi já viraram fatos cotidianos, alguns deles terminando em surras ou, o que é pior, em insultos supostamente homofóbicos. O termo o persegue e inclusive já lhe custou sua nova carreira como apresentador de um talk show televisivo que foi cancelado depois que Baldwin supostamente chamou de “viado”, aos gritos, um dos fotógrafos que regularmente o perseguem à espera de um flagrante.

Nada que envolve sua fama é normal: chegou a ser fotografado coberto por um lençol, com as mãos no rosto ou tampando-se com um jogo Monopoly, tudo para não aparecer nessas odiosas fotos que alimentam a imprensa de celebridades. Esse é o dia a dia dos famosos no novo milênio.

Há quem responda com naturalidade às fotos não solicitadas. Não é o caso de Baldwin. Naturalmente, seu nome ainda está associado ao terrível divórcio com Kim Basinger e à gravação (revelada pela imprensa) de uma mensagem privada à sua filha Ireland, em que ele xingava a menina de todos os nomes imagináveis.

Durante anos, e não faz tanto tempo, ao se falar do mais velho dos quatro Baldwins se fazia referência a outro tipo de gênio. Ator, produtor e humorista, Alec Baldwin demonstrou seu valor em todos esses campos. Foi indicado ao Oscar por The Cooler – Quebrando a Banca, ao Tony por sua versão de Um Bonde Chamado Desejo, e ganhou vários prêmios Emmy por sua interpretação do magnata televisivo Jack Donaghy na série Rockefeller Plaza, um edifício que fica, ironicamente, na mesma avenida onde ele foi detido pela última vez. Requisitado pelos melhores – de Martin Scorsese para O Aviador e Os Infiltrados até David Mamet para seuO Sucesso a Qualquer Preço, além de ser encarregado de interpretar a primeira versão de Jack Ryan em A Caçada ao Outubro Vermelho, antes que Harrison Ford popularizasse na tela o herói de Tom Clancy –, Baldwin também foi invejado em sua vida pessoal quando se casou com a beleza feita mulher, essa Kim Basinger que conheceu quando contracenaram como amantes na comédia romântica Uma Loira em Minha Vida.

Seu caráter volátil sempre o acompanhou, como quando supostamente bateu em um fotógrafo por gravar imagens da sua mulher e da sua filha Ireland, então com três anos. Isso foi em 1995, mas nas duas últimas décadas esse comportamento agressivo se tornou algo habitual. Baldwin, segundo suas próprias palavras, se sente acuado pelo contínuo assédio dos paparazzi e de telefones celulares apontando na sua direção, nesta era de redes sociais em que uma imagem vale mais que mil palavras.

Com saudades de antigamente, quando ser famoso significava distribuir fotos autografadas e posar de vez em quando com um fã atrevido, seu amigo Warren Beatty resumiu em uma ocasião o que acontecia com Baldwin. “O problema básico é que, como atores, temos que transformar nossa presença diante das câmaras em um momento dramático”, disse. Baldwin parece ter seguido essa descrição ao pé da letra. Inclusive quando, há alguns anos, se recusou a desligar seu celular num avião, apesar da solicitação feita pelos comissários a todos os passageiros.

Pedir desculpas tampouco é o do seu feitio. Naquela ocasião pediu, mas só aos passageiros, não à tripulação nem à companhia aérea. Tampouco quis pedir perdão por algo que na sua opinião não fez: dedicar um xingamento homofóbico a um fotógrafo que o perseguia. Baldwin além do mais meteu os pés pelas mãos em sua carta aberta quando disse que seus ataques estão dirigidos apenas aos paparazzi. “Não tenho problemas com garçons, policiais ou empregados”, escreveu. Mentiu, como demonstra a sua última detenção e, especialmente, os ataques que dirigiu via Twitter contra os agentes que o prenderam: “Algemar um ciclista por andar na contramão é ridículo. O relatório do agente Montero está distorcido”. Palavras que não foram bem recebidas pela polícia nova-iorquina, desgostosa de ver um agente seu sendo chamado de mentiroso.

E mentiu também porque, ao contrário do que prometera, não foi embora de Nova York, cidade onde vive desde 1979, mas na qual diz ter perdido seu anonimato. “Sinto falta de tudo o que eu odiava em Los Angeles”, foram as últimas declarações públicas do ator. E, a julgar por um artigo de opinião publicado nesta semana no jornal Los Angeles Times, sob o título Alec Baldwin, você tem toda a razão: Nova York é um lugar desagradável para viver, a cidade das estrelas parece disposta a acolher de braços abertos o seu filho pródigo.

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