O mercado vende Dilma e compra Petrobras, diz especialista

Potencial avanço dos adversários da presidenta nas pesquisas anima investidores, que compram ações da estatal esperando menos intervenção do Governo em caso de vitória da oposição

Rousseff no encontro do PT, nesta sexta, em São Paulo.
Rousseff no encontro do PT, nesta sexta, em São Paulo.Andre Penner (AP)

Foi dada a largada para o segundo turno das eleições brasileiras. De um lado, a ainda favorita Dilma Rousseff. De outro, a união de seus dois opositores, Eduardo Campos e Aécio Neves, que não escondem publicamente a sintonia em torno do mesmo objetivo: arrastar a disputa para a segunda rodada, quando um ou outro estarão em condições isonômicas à da atual presidenta. Neste momento, há uma torcida para que Neves cumpra essa missão. Uma pesquisa divulgada neste sábado, elaborada pelo instituto Sensus, em parceria com a revista Istoé, mostra que o candidato mineiro tem 23,7% das preferências, enquanto a mandatária está com 35%. Campos, por sua vez, tem 11%. Na última terça-feira, o instituto MDA também apontou um resultado favorável para Neves, que teria 21,6% das preferências, contra 37% de Rousseff.

Na última sexta-feira, o candidato do PSDB fez declarações favoráveis a Campos, dizendo inclusive que gostaria que estivessem juntos em 2015. “Eu não consigo vê-lo como adversário”, disse Neves, durante um fórum empresarial em que ambos estavam presentes. Esse pacto silencioso pode mudar, à medida que a campanha eleitoral avança. Mas, a expectativa de mudança de poder contagia o mercado financeiro. “Há muito nervosismo no ar. Veja por exemplo o frenesi do mercado toda vez que a Dilma cai nas pesquisas. O raciocínio é vendido em Dilma e comprado em Petrobras (e por conseguinte Ibovespa)”, afirma André Perfeito, da Gradual Investimentos. Isso porque a perspectiva de mudança mostra que a interferência na economia pode ser menor com outro mandatário.

O Governo de Rousseff tem sido muito criticado por ter segurado os preços dos combustíveis, para controlar a inflação, mas que ao mesmo tempo, prejudica a saúde financeira da petroleira. “Grosso modo o mercado acredita que se a oposição ganhar, a estatal brasileira fará reajustes generosos na gasolina. Há quem acredite até que irá se criar uma regra de reajuste da gasolina a cada seis meses o que seria mais um passo perigoso rumo à hiperindexação da economia brasileira mais uma vez”.

Nesta sexta-feira, a fim de reduzir a pressão crescente -de algumas alas do próprio partido, inclusive- por uma candidatura à Presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, o encontro nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) formalizou a indicação de Rousseff para concorrer à reeleição no pleito de outubro. O presidente da legenda, Rui Falcão, disse na ocasião que a tarefa mais importante do PT agora é reeleger Rousseff. Na plateia do evento, realizado em São Paulo, o "Volta, Lula" perdeu espaço para o "Um, dois, três, é Dilma outra vez".

Frederico Sampaio, diretor de renda variável da Franklin Templeton Investimentos, afirma que o movimento nas ações dos principais bancos e empresas mistas, como a própria Petrobras, mostra que existe uma esperança do mercado em uma renovação da política brasileira. “O que Dilma vai fazer se for reeleita ou algum de seus opositores, ninguém sabe, mas há um consenso de que a gestão da equipe econômica precisa de mudanças e essa entrada recente de capitais em meio a uma situação muito debilitada da economia demonstra isso”, afirma Sampaio.