O BC dos EUA vê possível a normalização da economia norte-americana até 2016

A presidenta do Fed assegura que as taxas de juros seguirão no nível atual por um tempo considerável

Janet Yellen acha possível que a economia dos Estados Unidos esteja plenamente recuperada da Grande Recessão em uma margem de dois anos. Para então, antecipa a presidenta do Banco Central norte-americano (Federal Reserve, Fed), o mercado de trabalho poderia voltar a estar inclusive em uma situação de pleno emprego. Mas, no curto prazo, a estratégia que será seguida é a mesma: retirar os estímulos de forma gradual.

É o primeiro discurso de política monetária relevante que Yellen pronuncia desde que assumiu a chefia do Fed, no início de fevereiro. As vezes em que falou em público, além disso, marcaram sempre uma clara distinção entre sua posição pessoal e o acordado pelo comitê de mercado aberto em suas reuniões. Ben Bernanke, seu antecessor, falava mais do consenso interno no Fed.

Essa linguagem dupla criou confusão no mercado, que nunca leu a mensagem corretamente. Para aclarar dúvidas, repetiu que os juros estarão excepcionalmente baixos durante um “tempo considerável”. No entanto, deu novos detalhes sobre o roteiro que dá ao mercado e antecipou que vê como algo “possível” o cumprimento das metas de inflação e emprego até o final de 2016.

Isto é, em sua projeção para o médio prazo, está previsto que o pleno emprego seja alcançado já em dois anos. Essa previsão, avalia, “é já um sinal do que conseguiu avançar a economia”.Mas também reconheceu “que é um lembrete do longe que temos de ir”. Uma vez mais, Yellen mostrou que não está satisfeita e explicou que a resposta do Fed será modulada em função da evolução da economia.

Janet Yellen tinha previsto falar no Economic Club de Nova York antes de ser nomeada para dirigir o banco central. Mas isso foi adiado. O ímpeto do último inverno, admitiu, dificultou que fizesse um julgamento exato do estado de saúde da economia. Agora está convencida de que a fragilidade dos dados publicados no início do ano está relacionada em grande parte com o mau tempo.

A presidenta da Fed esclareceu que a política monetária será executada limitando ao máximo as consequências. A próxima reunião está prevista para o final do mês. A retirada da compra de bônus da dívida teve início em dezembro. Depois de três cortes consecutivos, a aquisição de ativos ronda os 55 bilhões de dólares mensais. Os juros estão em 0% desde dezembro de 2008.

A ideia é desmantelar o mecanismo até o outono do hemisfério norte. O primeiro aumento no preço do dinheiro poderia chegar em meados de 2015. Mas Yellen comentou que o nível dos juros dependerá da distância que o emprego e a inflação estiverem das metas traçadas. Em suas palavras, esse foco é uma mostra de que o Fed vai apoiar a recuperação no tempo que for necessário.

Uma vez mais, Janet Yellen põe em evidência que a política do BC dos EUA não vai depender da evolução de um só indicador, senão da informação que for chegando do mercado de trabalho, da inflação e do setor financeiro. Também garantiu que a comunicação de suas estratégias será o mais clara possível, para que o setor privado antecipe qualquer movimento.