O Barcelona começa a perder a liga em Granada

Depois de ser eliminado na Liga dos Campeões, o time de Tata Martino, sem concentração e impotente, tropeçou em Los Cármenes A rebeldia de Neymar não compensou a apatia de Messi

Brahimi supera Pinto não chute a gol do Granada.
Brahimi supera Pinto não chute a gol do Granada.M.A. Molina / EFE

Derrotado na Liga dos Campeões, a caminho da final da Copa do Rei, o Barcelona abandonou a luta pelo título do Campeonato Espanhol. O sonho do "doblete" não funcionou no Novo Los Cármenes. Os azul-grenás vão se despedindo da temporada de maneira ruim, como se não fossem ninguém, resignados com a fatalidade e com a impotência, superados por adversários diferentes, grandes ou menores, seja na liga ou na Copa da Europa. No último sábado, perderam em Granada. Não foi uma derrota qualquer, mas uma que evocou aquelas tardes já distantes em que os azul-grenás perdiam o título em Córdoba, Salamanca e também em Granada. Perderam a comodidade do empate que restava e agora o título não depende do Barça.

O Barcelona anda desajeitado em algumas partidas, sem sorte em outras, excessivamente irregulares, muito bipolares. Desperdiçaram uma hora de partida contra o Granada para depois falhar diante do excelente goleiro Karneizs. Não houve jeito de fazer um gol. Esteve mal nas duas áreas, também na sua, desprotegida, e Bahimi aproveitou, já no começo do jogo. A imagem do final da partida foi muito reveladora da desorientação e decadência do time: uma articulação dupla, Xavi no banco, Busquets substituído e Song de zagueiro central. Também precisando do resultado, o Granada rentabilizou melhor o seu esforço pela permanência na primeira divisão do que o Barcelona pelo título de La Liga.

Granada 1 x 0 Barcelona

Granada: Karnezis; Nyom, Ilori, Murillo (Mainz, min. 90), Foulquier; Iturra, Fran Rico, Recio; Piti (Coeff, min. 69), El Arabi e Brahimi (Bravo, min. 64). Não utilizados: Roberto; Ighalo, Fatau e Success.

Barcelona: Pinto; Montoya; Busquets (Alexis, min. 73), Mascherano, Adriano (Jordi Alba, min. 67); Cesc, Song, Iniesta; Pedro, Messi e Neymar. Não utilizados: Oier; Alves, Xavi, Sergi Roberto e Tello.

Gol: 1 x 0, Brahimi, min 16, com passe de Fran Rico.

Árbitro: Delgado Ferreriro. Expulsou Elvio Paolorosso, preparador físico do Barcelona, e mostrou cartão amarelo para Neymar, Messi e Busquets.

Cerca de 20.000 pessoas no Nuevo Los Cármenes.

O Barcelona não se encontra. Com falta de zagueiros, até Bartra machucou-se, Martino colocou Busquets na defesa e Song de meia. Os azul-grenás asseguraram uma saída limpa de bola desde a sua área, algo muito questionado nos últimos jogos, e em troca perderam a capacidade de armar no meio-campo, reduzida ainda mais pela ausência de Xavi, e agravaram as suas deficiências defensivas, expressadas nas tremulações de Pinto. O Granada não precisou de 15 minutos para perceber a vulnerabilidade do Barcelona. O técnico Alcaraz usou o goleador El Arabi (12 gols em 29 jogos) e o driblador Brahimi (cinco fintas por partida) para dinamitar o bloqueio montado pelos zagueiros improvisados do Barça.

Os azul-grenás apelaram excessivamente à paciência, à capacidade de mastigar a jogada, sempre à espera de encontrar Neymar ou Messi. Não havia dúvidas sobre o plano ofensivo, repetidamente pelo lado do excelente Montoya, sempre mal resolvidas pelos pontas. Enquanto isso, cada chegada do Granada, muito seletivo, era uma chance de gol, para desespero de Pinto. Os locais puniram o Barcelona por cada bola perdida. Assim, chegou ao gol de Brahimi, excelente ao se desmarcar para receber o passe de Rico depois de um erro de Song e um possível pênalti em El Arabi, mal vigiado por Mascherano. Pinto também não esteve bem no 1 a 0.

Nada novo, porém, se olharmos para as estatísticas: os azul-grenás estão acostumados a começar qualquer jogo no campo adversário perdendo por um gol, e foi assim também no Novo Los Cármenes. Os erros individuais condenaram o Barcelona, muito frágil defensivamente, enquanto se aguarda a resolução das dúvidas sobre Pinto. O Granada precisou de muita pouca coisa para ficar à frente no placar e colocar em evidência a falta de malícia e eficiência do Barcelona frente ao reserva Karnezis. A pouca participação de Messi foi compensada por Neymar, o único rebelde nessa equipe azul-grená, sem sangue, criatividade, chutes de média ou longa distância, sem gatilho.

O Barcelona desperdiçou uma hora de partida contra o Granada para depois falhar diante do excelente goleiro Karneizs. Não houve jeito de fazer um gol.

O Granada deixou o tempo passar e buscou matar o jogo diante da precipitação e impaciência crescente do Barcelona. Não se sabe de nenhuma partida que tenha sido ganha sem finalizar a jogada ou buscar a meta adversária, inclusive no caso do Barcelona, cujo padrão é a troca de passes, mais acadêmicos que operacionais. No final, conseguiram fazer isso algumas vezes, e então surgiu a figura do goleiro grego, substituto do lesionado Roberto. Embora Martino tenha demorado para fazer substituições, ampliar o campo e agitar a partida, os chutes e as chances de gol apareceram na área do Granada, enquanto Brahimi exigia, nos contra-ataques, a melhor versão de Montoya. O Barcelona não teve sorte e a partida terminou, para a alegria dos torcedores do Granada.

Nem Neymar, nem Messi, nem Iniesta conseguiram colocar a bola na meta de Karnezis e até houve um chute que exigiu que Ilori abrisse as pernas para cortar. A derrota já não tinha remédio para o Barça, em desgraça e sem concentração, incapaz de ser diferente, tão estéril quanto no jogo contra o Valladolid. Ninguém conseguiu ser confirmar a superioridade azul-grená na partida, para a sorte do Granada. As equipes menores que estão escancarando a queda do Barcelona, uma equipe triste, melancólica, sem coração e sem cabeça, abandonada pela sorte e exposta à adversidade, com todos seus personagens responsáveis: Martino não consegue, não se sabe de Messi e Neymar não acerta.