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Casas, costumes e famílias que vivem na região do rio Trombetas

Os quilombolas que lutam pela titulação da terra em que vivem há mais de 150 anos

  • Típicas casas de palafitas vistas desde o rio, sustentadas por paus de madeira para proteger o imóvel na época das cheias do rio Trombetas, entre dezembro e maio. Nelas vivem famílias quilombolas, que ao casar e ter filhos, acabam morando ao lado da casa onde cresceram, próximos de seus familiares.
    1Típicas casas de palafitas vistas desde o rio, sustentadas por paus de madeira para proteger o imóvel na época das cheias do rio Trombetas, entre dezembro e maio. Nelas vivem famílias quilombolas, que ao casar e ter filhos, acabam morando ao lado da casa onde cresceram, próximos de seus familiares.
  • Os quilombolas se locomovem entre as casas e comunidades com barcos ou lancha rápida, como a da foto, que também é usada para transportar gás de cozinha, alimentos, gasolina e madeira para construção. Na imagem, o rio Trombetas no caminho entre Porto Trombetas e a comunidade quilombola do Abuí.
    2Os quilombolas se locomovem entre as casas e comunidades com barcos ou lancha rápida, como a da foto, que também é usada para transportar gás de cozinha, alimentos, gasolina e madeira para construção. Na imagem, o rio Trombetas no caminho entre Porto Trombetas e a comunidade quilombola do Abuí.
  • Dois quilombolas conversam a caminho do barco que lhes aguarda, um deles com uma panela com comida nas mãos. É comum que as famílias se presenteiem com pratos, farinha ou peixe, não necessariamente em troca de outro alimento ou objeto.
    3Dois quilombolas conversam a caminho do barco que lhes aguarda, um deles com uma panela com comida nas mãos. É comum que as famílias se presenteiem com pratos, farinha ou peixe, não necessariamente em troca de outro alimento ou objeto.
  • Raimundo do Carmo tem 48 anos e tem nove filhos. Vive da extração da copaíba. “Tenho que andar na mata uma hora e meia, mais ou menos, até encontrar a árvore da copaíba. Aí eu faço um furo até chegar na seiva, que é o óleo dela. Coloco um pote embaixo onde ele vai caindo”, explica, esclarecendo que na época dos pais, ao invés de furar a árvore e colocar um tampão para evitar o cupim, o método era derrubar com machado. Para comer e alimentar a família, caça “porco, cotia, queixada (javali)” matando com sua espingarda enferrujada e “levando nas costas” animais que podem chegar a 40 quilos.
    4Raimundo do Carmo tem 48 anos e tem nove filhos. Vive da extração da copaíba. “Tenho que andar na mata uma hora e meia, mais ou menos, até encontrar a árvore da copaíba. Aí eu faço um furo até chegar na seiva, que é o óleo dela. Coloco um pote embaixo onde ele vai caindo”, explica, esclarecendo que na época dos pais, ao invés de furar a árvore e colocar um tampão para evitar o cupim, o método era derrubar com machado. Para comer e alimentar a família, caça “porco, cotia, queixada (javali)” matando com sua espingarda enferrujada e “levando nas costas” animais que podem chegar a 40 quilos.
  • Interior de uma casa quilombola, com chão de madeira. Algumas famílias têm televisão e rádio, mas os eletrodomésticos, de modo geral, são escassos. Dois irmãos, Dhemerson (15) e Deiviti (9), assistem desenhos animados na hora do almoço, acompanhados pela vizinha Sabrina (10).
    5Interior de uma casa quilombola, com chão de madeira. Algumas famílias têm televisão e rádio, mas os eletrodomésticos, de modo geral, são escassos. Dois irmãos, Dhemerson (15) e Deiviti (9), assistem desenhos animados na hora do almoço, acompanhados pela vizinha Sabrina (10).
  • Uma das bases da alimentação do quilombola é a farinha de mandioca. A massa da farinha ainda úmida é colocada no espremedor, uma espécie de entrelaçado de cipó chamado tipiti, para extrair o tucupi, o líquido amarelo usado na culinária típica para molhos de aves e peixes.
    6Uma das bases da alimentação do quilombola é a farinha de mandioca. A massa da farinha ainda úmida é colocada no espremedor, uma espécie de entrelaçado de cipó chamado tipiti, para extrair o tucupi, o líquido amarelo usado na culinária típica para molhos de aves e peixes.
  • A última parte do processo da farinha de mandioca é passar a massa pelo "forno", como os quilombolas chamam a panela de ferro que se encaixa no semi-círculo de barro onde colocam a lenha. Com uma espátula de madeira se mexe até que a farinha fique dura e seca, em flocos.
    7A última parte do processo da farinha de mandioca é passar a massa pelo "forno", como os quilombolas chamam a panela de ferro que se encaixa no semi-círculo de barro onde colocam a lenha. Com uma espátula de madeira se mexe até que a farinha fique dura e seca, em flocos.
  • Final de tarde em um lago do rio Trombetas. As distâncias entre as casas variam muito, mas o acesso quase sempre somente é possível de barco com motor ou pequenas canoas, usadas para a pesca.
    8Final de tarde em um lago do rio Trombetas. As distâncias entre as casas variam muito, mas o acesso quase sempre somente é possível de barco com motor ou pequenas canoas, usadas para a pesca.
  • Uma menina descasca castanha-do-pará para preparar um bolo. Além da venda da castanha-do-pará, uma das fontes de renda do quilombola que no ano passado gerou 4,9 milhões de reais somente no município de Oriximiná, é feita a extração de óleo de copaíba, bastante usado na indústria cosmética.
    9Uma menina descasca castanha-do-pará para preparar um bolo. Além da venda da castanha-do-pará, uma das fontes de renda do quilombola que no ano passado gerou 4,9 milhões de reais somente no município de Oriximiná, é feita a extração de óleo de copaíba, bastante usado na indústria cosmética.
  • A família de Manuel Cordeiro, de 65 anos, conhecido como Seu Canela, quilombola descendente de escravos. Não quiseram tirar foto em frente à casa "porque ainda falta terminar" a construção de um dos cômodos. Para concluir a obra, Seu Canela teve que gastar 600 reais em madeira, que está pagando em pequenas prestações a um conhecido.
    10A família de Manuel Cordeiro, de 65 anos, conhecido como Seu Canela, quilombola descendente de escravos. Não quiseram tirar foto em frente à casa "porque ainda falta terminar" a construção de um dos cômodos. Para concluir a obra, Seu Canela teve que gastar 600 reais em madeira, que está pagando em pequenas prestações a um conhecido.
  • O quilombola Domingos Humberto de Oliveira, de 73 anos, trabalha o ambé, um tipo de cipó que serve para tecer o paneiro, uma espécie de mochila cilíndrica usada pelos quilombolas para colher castanha, ao fundo à direita da imagem. Aos seus pés, ouriços abertos, de onde se tira a castanha-do-pará.
    11O quilombola Domingos Humberto de Oliveira, de 73 anos, trabalha o ambé, um tipo de cipó que serve para tecer o paneiro, uma espécie de mochila cilíndrica usada pelos quilombolas para colher castanha, ao fundo à direita da imagem. Aos seus pés, ouriços abertos, de onde se tira a castanha-do-pará.
  • Francisco Cordeiro Xavier, Seu Duí, de 73 anos, rodeado pelos netos e bisnetos. Sua esposa é parteira e atende as mulheres da comunidade Tapagem. Tiveram 11 filhos, 8 deles estão vivos. Não gostam da cidade porque "é tudo comprado" e acrescenta: "aqui a gente pega uma fruta e come".
    12Francisco Cordeiro Xavier, Seu Duí, de 73 anos, rodeado pelos netos e bisnetos. Sua esposa é parteira e atende as mulheres da comunidade Tapagem. Tiveram 11 filhos, 8 deles estão vivos. Não gostam da cidade porque "é tudo comprado" e acrescenta: "aqui a gente pega uma fruta e come".
  • Crianças se apoiam na escada de uma casa quilombola para assistir televisão.
    13Crianças se apoiam na escada de uma casa quilombola para assistir televisão.