Mais tributos este ano e conta de luz mais cara em 2015

Em pleno ano eleitoral, o risco da falta de energia faz o Governo adotar medidas impopulares

Uma conspiração desfavorável era tudo que a presidenta Dilma Rousseff não precisava em pleno ano eleitoral. A escassez de chuvas no país no início deste ano reduziu a capacidade de geração de energia elétrica, o que obrigará o país a acionar termelétricas para compensar o risco de falta de eletricidade. O custo da fatura – a energia térmica é até seis vezes mais cara que a energia hidráulica - vai chegar ao consumidor, um potencial eleitor que não gosta de ser pego de surpresa. Coube ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, e ao secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmerman, a ingrata tarefa de fazer o anúncio. “Vamos tomar medidas para dividir o ônus entre a União, os consumidores e o sistema elétrico”, disse Mantega, que passou a semana conversando com empresários para dizer que tudo estava bem na economia brasileira.

Ao todo, o Governo deve repassar 4 bilhões de reais do Tesouro para um fundo do setor elétrico. Outros 8 bilhões de reais serão captados no mercado pelas distribuidoras de energia, em forma de empréstimo, cujo valor será diluído na conta de luz. A alta está prevista para 2015, mas a medida antipopular era tudo que o Governo da presidenta Dilma Rousseff, que vai tentar a reeleição neste ano, não precisava.

Atendendo a uma das grandes bandeiras da indústria, o governo reduziu no ano passado as tarifas de energia elétrica nos custos de produção. A medida fez com que o setor, que sofre com a perda de competitividade, recuperasse parte de suas margens de lucro. Com o início da escassez de chuvas, no entanto, especialistas alertaram que talvez o momento da redução não fosse o mais apropriado, pois poderia alimentar o consumo, em vez de detê-lo.

No fim de fevereiro, o Governo já reconhecia que o sistema elétrico enfrentava “uma situação desfavorável em termos climáticos, em um momento em que o período úmido ainda não está caracterizado”, mas afirmava que dispunha das condições de equilíbrio estrutural necessárias para o país”. Inicialmente, o Executivo estimava o risco de desabastecimento como baixíssimo. Nesta quarta-feira passou a avaliá-lo como “baixo”, de acordo com levantamento do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico após sua reunião de março.

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