Moody’s dá um empurrão às reformas de Peña Nieto no México

O país é o segundo melhor qualificado da América Latina pelas agências de risco, mas a desconfiança dos consumidores cresce

Enrique Peña Nieto, em Morelia.
Enrique Peña Nieto, em Morelia.

México é o segundo país melhor qualificado pelas agências de risco da América Latina. Moody's anunciou na quarta-feira que a qualificação mexicana passava de BAA1 a A3, enquanto Standard and Poor's aumentava a BBB+ o status do país em dezembro de 2013. A única economia latino-americana com melhor prognóstico de estabilidade que a mexicana é o Chile (com um Aa3, segundo Moody's). O entusiasmo das instituições responde, segundo os analistas, às reformas econômicas promovidas pelo presidente mexicano Enrique Peña Nieto durante seu primeiro ano de Governo.

O relatório de Moody's indica que o pacote de reformas promovidas pelo Governo de Peña Nieto (do Partido Revolucionário Institucional, PRI) é um das mudanças mais importantes para a economia mexicana desde o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, em inglês), em 1994. As reformas foram aprovadas de modo geral no Congresso mexicano, mas falta a ratificação das leis secundárias: isto é, dos detalhes que definirão sua aplicação. Moody's, no entanto, tem confiança em que a legislação “manterá seu espírito”.

O Governo mexicano aprovou no ano passado um ambicioso pacote de reformas que incluíam mudanças em sua legislação fiscal, política de impostos, licenças em telecomunicações e modificações na lei de exploração de hidrocarbonetos que afeta a Petróleos Mexicanos (Pemex), um dos pontos da Constituição mexicana considerados intocáveis até agora.

Moody's qualifica as reformas de Peña Nieto como as mudanças mais importantes desde a aprovação do Tratado de Livre Comércio da América do Norte

Contudo, o entusiasmo econômico entre os lares mexicanos se encontra no ponto mais baixo em quatro anos. De acordo com um inquérito realizado pela Bloomberg, o Índice de Confiança do Consumidor no México diminuiu pelo menos 15% (de 99 a 84,5 unidades) em apenas um mês. Em 2013, o México registrou a taxa de inflação mais alta da OCDE com 3,8%, atrás da Turquia (7,5%) e Islândia (3,9%).

Durante 2013, no primeiro ano de Governo de Enrique Peña Nieto, a previsão de crescimento foi revisada em quatro ocasiões e reduzida de 3,5% a 1,3%. Moody's concordou que a nota poderia ser diminuída se houver um período prolongado de crescimento abaixo do esperado. A agência de qualificação Fitch, que com Moody's e S&P é das mais importantes do mundo, não elevou a nota do México depois que as reformas foram aprovadas, mas subiu a qualificação BBB- para um BBB em maio de 2013. A instituição disse nesta quinta-feira através de um comunicado que esperará que as mudanças na legislação mexicana comecem a gerar benefícios na economia para elevar o status mexicano.

Mauro Leos-López, um dos autores do relatório de Moody's, disse à agência Reuters que a subida da qualificação mexicana permitirá que outros emissores do país elevem suas próprias notas. Acrescentou que o perfil de crédito mexicano é comparável ao da Polônia e Malásia, outros mercados emergentes, mas enfatizou que a fortaleza fiscal mexicana “é superior em termos de indicadores de dívida governamental”.

México tem a terceira inflação mais alta da OCDE, superada apenas por Turquia e Islândia

A melhoria na qualificação do crédito permite à iniciativa privada, ao Governo mexicano e aos consumidores reduzir os custos de financiamento e de dívida pública, conclui o relatório de Moody's.