Caso Neymar

Pai de Neymar diz que recebeu 2,3 vezes mais que o Santos na venda para o Barça

Empresário afirma ainda que não deve nada a ninguém, nem ao fisco espanhol nem ao brasileiro

Neymar da Silva Santos, o pai do atacante brasileiro do Barcelona, levou pouco mais de uma hora e vinte minutos para tentar encerrar a polêmica em torno da venda do filho dele ao time catalão. Não conseguiu.

Apesar da falta de clareza em suas palavras durante uma entrevista coletiva dada a 13 repórteres pré-selecionados, pela primeira vez admitiu que, por ser agente do atleta, ganhou mais do que o dobro do que o Santos nessa negociação. Conforme divulgado por ele, foram 17,1 milhões para o clube paulista e 40 milhões de euros, 2,3 vezes mais, para a empresa N&N Sports, de sua propriedade de Neymar. Na semana passada, um dirigente do Santos disse ao EL PAÍS que o clube sentia que tinha recebido migalhas pela venda do atleta.

O valor que a N&N recebeu, diz seu proprietário, foi como uma indenização, já que firmou um acordo com o Barcelona em 2011 garantindo a preferência na negociação de Neymar Jr. Nesse acordo, os catalães lhe anteciparam 10 milhões de euros.

“Em 2011, o Barcelona me faz um empréstimo de 10 milhões de euros, que tinha um gatilho nesse contrato. Isso seria como prioridade, preferência, chame como quiser. Isso implicava que, em 2014, quando o Neymar estivesse livre, o Barcelona deveria ser o primeiro clube a ter a chance de ter o Neymar”. Essa explicação foi dada em tom irritado após a coletiva, em uma entrevista ao canal esportivo ESPN Brasil.

O que aconteceu de fato, segundo o agente, foi que o Santos precisou vender o jogador em 2013 e, por essa antecipação da venda, sua empresa recebeu 40 milhões de euros. E se Neymar não fosse vendido ao Barça? Segundo o empresário, era ele quem teria que pagar essa mesma quantia ao clube espanhol.

“O contrato dele era para [durar até] 2014. Tinha outro clube europeu que daria 120 milhões de euros pelo Neymar. E eu tinha um empréstimo de 10 milhões de euros. A gente poderia fazer o que quisesse. Poderia chegar em dezembro de 2013 pegar esses 120 milhões. Mas o Neymar não queria outro clube, que não o Barcelona”, afirmou.

Ao tentar se explicar, Neymar diz ainda que pediu para o Barcelona uma autorização para quebrar o contrato de confidencialidade firmado com o clube. E também porque “não deve nada” a ninguém nem teme o fisco. “Não devo nada às Receitas da Espanha e do Brasil. Espero que acreditem nestes esclarecimentos. Queremos paz”.

O imbróglio resultou na renúncia de Sandro Rossel da presidência do Barcelona. Foi ele quem assinou o contrato que levou o atacante ao clube. O ex-mandatário está sendo investigado pelo caso Neymar na Espanha. No Brasil, ele responde a processos judiciais desde 2008.

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