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Rosell: “Apresento minha demissão irrevogável. Minha etapa acabou”

O presidente do Barcelona assegura em sua despedida que se sente vítima de "ameaças e ataques" e defende que a contratação do Neymar foi "correta", em uma coletiva sem perguntas

Sandro Rosell, durante o jogo contra o Levante.
Sandro Rosell, durante o jogo contra o Levante. Getty

"Minha etapa aqui acabou". Sandro Rosell, de 49 anos, se demitiu esta noite como presidente do Barcelona depois que um juiz da Audiência Nacional, Pablo Ruz, aceitasse a ação contra ele, iniciada pelo sócio Jordi Cases por "apropriação indébita por distração" na contratação de Neymar. Em um depoimento que não permitiu perguntas de jornalistas, Rosell disse que se sente vítima de "ameaças e ataques" que colocam "em risco sua própria família". Insistiu que a contratação do Neymar foi "correta" e atribuiu a denúncia à "inveja de muitos adversários".

Rosell foi presidente azulgrana desde junho de 2010 até esta quinta-feira. Logo depois, a junta diretiva aprovou um código de ética que exigia "transparência" aos diretores da sociedade. Josep Maria Bartoméu, até agora vice-presidente da área esportiva, de 50 anos, assume a presidência. "A continuidade de nosso projeto chegará a 2016 [até o fim do mandato], depois de ter sido a candidatura mais votada em 2010", disse Bartoméu.

Ao terminar seu discurso, Rosell e Bartoméu receberam uma salva de palmas dos diretores presentes na sala de imprensa. Nela estavam os capitães do Barça. Cases fez a denúncia em 5 de dezembro pela contratação de Neymar. O sócio requerente entende que o montante da contratação alcança os 94,4 milhões de euros por "contratos simulados" e não como garante o clube, 57,1 milhões. Depois de consultar os contratos apresentados pelo Barça ao juiz Ruz, Cases interpreta que, entre 2011 e 2013, o contrato de trabalho do Neymar aumentou de 36 milhões de euros a 46; os direitos de imagem, de seis a oito milhões; e acrescenta um pagamento de 8,5 milhões que não estava no contrato de 2011. O juiz Ruz pediu ao Santos FC, à empresa do pai de Neymar e à Confederação Brasileira toda a informação sobre a contratação e o chamado caso Neymar.

O crime de "apropriação indébita por distração" surge do suposto fato de que os contratos assinados entre Neymar e Barcelona "não respondem ao que está indicado nos mesmos". Este delito, com pena de um a seis anos de prisão, não implica em que quem o cometa fique com os bens para seu benefício, mas castiga uma administração desleal.

Vários porta-vozes do clube coincidem que nenhuma ilegalidade foi cometida, nem um crime de apropriação indébita, nem distração econômica, mas que sua atuação foi "impecável". O requerente reitera que uma informação que deveria ser pública foi ocultada. A transparência, à qual se refere reiteradamente o presidente, já questionou detalhes desconhecidos sobre o contrato com o Qatar, divulgados posteriormente.