Campeonato Espanhol | 19ª Rodada

Nem um milímetro consegue separar Atlético e Barça

Equipes empatam em um duelo vibrante e intenso e confirmam que mal há uma brecha entre eles

Iniesta conduz a bola entre jogadores do Atlético.
Iniesta conduz a bola entre jogadores do Atlético.Juanjo Martín (EFE)

Não se superam de forma alguma. Não há brecha entre o Atlético de Madri e o Barça, jogo após jogo. Três desafios até agora na temporada e nenhum conseguiu cantar bingo. Os ilustres da equipe azul-grená frente à força do jogo coletivo colchonero em capítulos, três duelos intensos, equilibrados, um choque de estilos vibrante, sinal de que no futebol há mais de uma carta. Em Manzanares um novo episódio intenso foi visto, um encontro muito de xadrez no começo que se desatou quando o atleticano Arda foi ativado, e sua expansão coincidiu com a saída de Messi para o duelo. O Atlético aguentou, o Barça resistiu. Ambos disputaram cada palmo até o apito final. De alguma forma, uma vitória para o time do técnico argentino Simeone, que em seu “jogo a jogo” soma pontos e segue inclusive entre os gigantes. De alguma forma, uma vitória para os atletas do também treinador argentino Martino, em uma posição substancial e que ante um adversário motivado por sua trajetória recente não saiu inferiorizado, apesar de não contar com Messi e Neymar em sua plenitude.

No início, pouco durou o estilo impetuoso do Atlético, desbravado muito rápido pelo Barça, equipe capaz de anestesiar qualquer um. O ímpeto inicial da equipe de Simeone, equipe alegre, enérgica, ficou atenuado assim que o time azul-grená amansou o jogo com um futebol algo sonolento, mais voltado a acalmar a noite e reduzir os decibéis no Vicente Calderón que a ameaçar primeiramente a meta do goleiro Courtois. Os goleiros passaram um tempo à margem do duelo.

ATLÉTICO, 0 - BARCELONA, 0

Atlético: Courtois; Juanfran, Miranda, Godín, Filipe; Arda, Gabi, Tiago (Cristian Rodríguez, m. 82), Koke; Diego Costa e Villa (Raúl García, m. 76). Não utilizados: Aranzubia; Alderweireld, Insúa, Guilavogui e Sosa.

Barcelona: Valdés; Alves, Piqué, Mascherano, Jordi Alba; Sérgio Busquets, Xavi, Iniesta (Messi, m. 46); Pedro (Sergi Roberto, m. 81), Cesc e Alexis (Neymar, m. 67). Não utilizados: Pinto; Bartra, Song e Adriano.

Árbitro: Mateu Lahoz. Deu cartão amarelo a Gabi, Godín, Jordi Alba, Mascherano e Alves.

54.800 espetadores no Vicente Calderón.

O Barça não caiu nas emboscadas colchoneras e o Atlético, para desgosto de seu técnico, ficou mais preso no início. Não é uma equipe que se sinta incomodada sem a bola, mas ante o líder demorou em ter respostas com ela. Os jogadores do time da casa se afastaram muito de Víctor Valdés, sentindo-se incapazes de punir seu adversário.

O Atlético quis correr, com muitos jogadores contidos, incluindo os laterais, que costumam ser uma via de escape para os rojiblancos. Não era o Atlético em seus pontos mais altos, submetido ao ritmo de seu rival, que não precisou assustar Courtois para se sentir no comando. Se no começo não houve trabalho para os goleiros, também não houve para Villa e Alexis, que acabaram substituídos antes do final. Combativos como são, a Pedro e Diego Costa faltou sutileza, sempre vencidos por seus marcadores, com Mascherano e Miranda muito firmes. Sem forçar no ataque, o Barça manteve-se à espera de Messi e Neymar, então reservas.

Fosse pelo imponente cartel que o time de Martino ainda tem ou pela perícia em amansar adversários de porte mais físico, a verdade é que a equipe azul-grená conseguiu neutralizar por um longo período jogadores como Arda e Koke, capitais para catalisar o estilo ofensivo do Atlético. Durante muitos trechos do confronto, um e outro se limitaram a um trabalho bruto de mão de obra, correndo atrás da bola, seu sustento. A ameaça dos locais ficou reduzida às jogadas de bola parada, filão explorado maravilhosamente bem pelo físico de seu plantel e o laboratório de Simeone. Possessivo, o Barça teve como foco as proximidades da área, até que Messi decolou do banco de reservas.

Dada a escalação visitante era fácil adivinhar que em Manzanares se previam dois confrontos, com e sem Messi. O argentino é um jogo por si só, com ele tudo é possível. Outra coisa é constatar seu estado físico, difícil de pressagiar porque é questão de Estado no Barcelona. A entrada do astro depois do intervalo no lugar de Iniesta deu outro ar ao Barça, que já conseguiu intimidar seu adversário. A irrupção de Neymar teve menos peso. O Atlético não tem um banco tão deslumbrante, mas tem suas armas e Simeone recorreu a Raúl García, que vive uma temporada em ebulição.

Com o duelo em uma linha tênue para uns e outros, a melhor resposta à pujança de Messi chegou por parte de Arda, já com mais desenvoltura na última meia hora, na qual sua equipe já não queimou a bola nos pés, não a atiçou como no início. Com ele, o Atlético conseguiu se soltar mais, ter mais jogadas no ataque. Com o argentino e o turco à frente, o duelo manteve-se aberto, sem as amarras iniciais e com mais pulso. O que se espera dos que por ora são os dois principais aspirantes ao título. Com o Real Madrid com opções de se aproximar um pouco mais, a ponta na tabela é um nó. Ao Barça se a esperava, o Atlético está com um mérito enorme e nem o campeão conseguiu afastá-lo. O Atlético parece apontar ao ritmo dos 100 pontos. A disputa continua. Até o momento, entre Atlético e Barça não há um milímetro de diferença, nem no Campeonato Espanhol em geral nem no duelo em particular.