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O Atlético escapa como líder do La Rosaleda

Contra um Málaga que teve bom desempenho, um gol de Koke alivia o time de Simeone, que pressiona o Barcelona

Rafael Pineda

Vitória com mérito do Atlético, que sai como líder do La Rosaleda e coloca pressão no Barcelona. Triunfo que nada teve a ver com o brilhantismo de outras partidas, o que, de quebra, o dignifica ainda mais. Três pontos somados por um Atlético superado em muitos momentos pelo futebol fogoso do bom Málaga, mas contra o qual bastou uma única jogada de Diego Costa e um arremate de Koke. Típica vitória de time grande, que em um dia pouco inspirado ganha num cenário hostil, com um rival muito ligado, rápido e cheio de vida. Um excelente Málaga esse moldado por Schuster, brigando até o final e tendo como base um grande trabalho na sua defesa. Faltou-lhe pegada, mas colocou em apuros um aspirante ao título. Simeone se viu obrigado a trocar a seda de Óliver e Arda pelas corridas de Cebolla e Adrián, pois sua equipe se mostrava incapaz de superar a estrutura defensiva do Málaga. Houve uma fresta pela qual penetrou Diego Costa, para fazer a assistência a Adrián. Caballero afastou a bola, e Koke marcou o primeiro gol da Liga em 2014. Para isso precisou pisar na área rival e se desprender da posição de meio-campista central, no qual não parecia nada cômodo. O duelo do próximo sábado contra o Barcelona promete ser apaixonante para o Atlético e para a Liga, que conta também com estádios como o La Rosaleda, de onde sair com a vitória é sempre complicado.

O La Rosaleda, aliás, já gritou com raiva contra Schuster, chegando inclusive a pedir em massa a sua demissão. O alemão, com muita prudência, não levantou a voz. Limitou-se a trabalhar com o que tem, quase nada com o que estava nas mãos dos outros, para tentar forjar um Málaga competitivo. Por isso o Atlético topou com um rival onde a mão do seu treinador transparece bastante. Um posicionamento com pinceladas conservadoras, com três zagueiros centrais, com o meio-campo bem fechado por Camacho e Darder, e com dois laterais estupendos, Gámez e Antunes, para tentar surpreender o Atlético. Tudo isso sem Portillo, seu jogador de mais talento. O grupo de Simeone, impecável na pressão ofensiva desde o primeiro minuto, sofreu mais do que precisava na criação. O Málaga fechou espaços e se movimentou com um esforço comovedor a cada bola dividida. O Atlético sentia falta do seu farol, Gabi, tanto pela ausência de seus passes como por obrigar Koke a recuar sua posição.

MÁLAGA, 0; ATLÉTICO, 1

Málaga: Caballero; Gámez, Sergio Sánchez, Angeleri (Morais, m. 77), Weligton, Antunes; Eliseu (Dúvida, m. 65), Camacho, Darder, Samu; e Juanmi (Santa Cruz, m. 65). Não utilizados: Kameni; Flavio, Anderson y Portillo.

Atlético: Courtois; Juanfran, Miranda, Godín, Filipe Luis; Arda (Cebolla Rodríguez, m. 61), Tiago, Koke, Óliver (Adrián, m. 45); Diego Costa y Villa (Alderweireld, m. 84). Não utilizados: Aranzubia; Insúa, Guilavogui y Sosa.

Gol: 0-1. M. 70. Koke, com o interior.

Árbitro: José Antonio Teixeira Vitienes. Amonestó a Miranda, Darder, Tiago, Angeleri, Juanfran (baixa ante o Barcelona), Diego Costa, Cebolla Rodríguez, Samu y Antunes.

La Rosaleda. Uns 25.000 espetadores.

Os homens de Simeone tiveram a bola, mas se mostraram inócuos com ela. Possivelmente esta não é uma equipe feita para tocar, acostumada que está aos piques de Diego Costa e aos avanços de Villa y Arda quando a coisa fica feia. Também falta alguma coisa a Óliver, sublime com a bola nos pés, mas muito afastado dos setores onde causa estragos, perto da área rival. O Málaga não deixou o Atlético manobrar, e este caiu na precipitação da ligação direta com seus atacantes, justamente como queria o time de Schuster. Bolas limpas para serem afastadas por sua ampla lista de nomes na zaga central. Sem laterais nem conexão na linha dos três quartos, não houve notícias do Atlético no ataque até o 20º. minuto, quando Juanfran inventou uma jogadaça, com um duplo autopasse e um chute espalmado pelo sempre eficaz Caballero. Um oásis diante do torpor do jogo do Atlético, e a única distração na zaga de um Málaga motivadíssimo e muito rápido.

O time de Schuster soube mostrar movimentação ofensiva durante cinco minutos de procura pela meta de Courtois. Para isso foi preciso aparecer Gámez, dando uma de Iniesta, para fazer dois dribles no espaço de uma lajota e oferecer uma assistência a Eliseu, que chutou nas mãos de Courtois. Samu e Filipe Luis, num arremate contra o próprio gol, também puseram o belga em apuros.

Simeone tentou solucionar a confusão mental de seus jogadores trocando Óliver por Adrián. O Atlético não carburava. O sintoma mais claro de seu desespero se refletia nos dramalhões de Diego Costa, irritado com suas perdas da posse de bola, engolido que estava pela enorme marcação exercida por Sergio Sánchez e Angeleri.

Só houve uma fresta. Uma portinha pela qual Diego Costa penetrou, em sua única ação de mérito em toda a tarde. Seu toque deixou Adrián sozinho. Caballero defendeu, mas Koke se livrou de seus grilhões para marcar com um excelente toque com a parte de dentro do pé. A bola encobriu três defensores do Málaga e entrou no gol como um míssil. O tento acabou com o plano de Schuster, que ainda tentou até o final, promovendo a entrada de Santa Cruz e Duda. Um Málaga potente, que vendeu muito caro a sua derrota. Três pontos trabalhados para um Atlético que ganha quando joga bem e quando é freado por seu rival, com o que amplia seu prontuário de time grande e com aspirações a ganhar tudo.

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