Petróleo foi vilão da balança comercial brasileira

Expectativa é a de que novas plataformas garantam aumento da produção neste ano, que teve o pior saldo desde 2000

Plataforma de petróleo, em imagem de arquivo.
Plataforma de petróleo, em imagem de arquivo.Arquivo ABr

Grande vilão da balança comercial brasileira em 2013, o setor de petróleo pode ajudar a alavancar o comércio exterior do país em 2014. As receitas com exportações de petróleo caíram 36,7% neste ano, em comparação com 2012, o que ajudou a derrubar o saldo comercial do Brasil no ano que terminou, ao despencar 86,8% em relação a 2012, totalizando 2,561 bilhões de dólares, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Foi o pior resultado anual desde 2000, quando o país acumulou déficit de 731 milhões de dólares.

Mas é justamente o petróleo que poderá ajudar a melhorar o resultado de 2014. Isso porque a Petrobras deve aumentar em 50% as exportações da matéria-prima neste ano, segundo o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. “Há novas plataformas que começarão a produzir. Além disso, foram concluídas manutenções importantes em outras”, avalia.

No balanço anual, as vendas ao exterior caíram 1% em 2013, somando 242,178 bilhões de dólares. Já as importações subiram 6,5% ante 2012, para atingir o valor recorde de 239,617 bilhões de dólares. Houve aumento das compras feitas a todos os principais blocos econômicos, com exceção da Europa Oriental e do Oriente Médio. A alta foi puxada também pelas compras de combustíveis e lubrificantes do exterior, que avançaram 13,8% ante 2012. Logo atrás vêm as importações de matérias-primas e intermediários (+5,8%), bens de capital (+5,4%) e bens de consumo (+3,2%).

Os resultados da balança também sofreram o efeito de um artifício usado pelo Governo em 2012, quando deixou de registrar importações de combustíveis feitas naquele ano, que acabaram sendo contabilizadas no resultado de 2013. O aumento do consumo doméstico também impulsionou a compra de petróleo do exterior. 

Em contrapartida, o registro de exportações de plataformas de petróleo que não chegaram a sair do país serviram para equilibrar os números que poderiam ser ainda mais negativos do comércio exterior. O Governo e a Petrobras já afirmaram que as operações não violam normas internacionais de estatísticas de comércio exterior.

Entre os manufaturados em geral, o crescimento das vendas de plataformas de petróleo avançou mais de 400% em relação a 2012.

Agronegócio

Como todos os anos, a soja e o milho foram destaques positivos nas vendas para o exterior, cujas vendas subiram 29,7% e 17,3%, respectivamente. Café e algodão, entretanto, registraram quedas acentuadas, de 47,8% e 20,5%. A expectativa de demanda para este ano é melhor, embora os preços dessas commodities devam ficar mais conservadores em 2014.

“Os produtos que mais apanharam neste ano foram mesmo o café e o algodão. No caso do café, o preço deve se estabilizar ou mesmo subir. Já no do algodão, o que pesou (em 2013) foi o volume, que deve melhorar em 2014. Vamos colher mais neste ano”, avalia o consultor em agronegócio Flávio França Júnior.

Ele destaca ainda o bom momento da safra de verão, com colheitas previstas para os primeiros meses do ano. “O agronegócio em geral em 2014 continuará extremamente superavitário, embora deva apresentar um resultado financeiro um pouco menor. Você tem provavelmente um volume maior, mas não necessariamente um preço maior”, completa.

Welber Barral, que foi secretário de Comércio Exterior durante o Governo Lula, destaca a importância de uma maior diversificação na cesta de exportações justamente para se evitar a dependência de commodities, com “o enorme componente negativo da volatilidade dos preços” no mercado internacional.

Ele cita o exemplo do algodão, que sentiu o impacto do crescimento abaixo do esperado da China. O país asiático, que continua como o principal parceiro comercial do Brasil, com 37,3 bilhões de dólares em importações e 46 bilhões de dólares em exportações, registrou muitos estoques do produto. Os estímulos econômicos e o desempenho de outros importantes parceiros, como os EUA e a Argentina, também podem ter impacto no desempenho brasileiro, acrescenta.

“Para o ano que vem, não há grande perspectiva de aumento de preços das commodities, mas, por outro lado, com o novo patamar do câmbio, você pode ter um resultado um pouco melhor”, acrescenta Barral. Segundo ele, um dólar cotado acima de 2,25 reais já dá um alívio à indústria brasileira para elevar suas exportações.

O Brasil registrou queda nas exportações para a África (9,9%), Estados Unidos (8,2%), Oriente Médio (5,7%), Europa Oriental (4,2%) e União Europeia (3,6%). Cresceram, por sua vez, as vendas para a América Latina e o Caribe (6,1%), categoria que não inclui o Mercosul (5,2%).

Em entrevista coletiva por ocasião da apresentação dos dados, o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Daniel Godinho, classificou o resultado da balança em 2013 como "conjuntural". "Tivemos um ano bastante difícil”, acrescentou, reafirmando a expectativa de que um câmbio mais favorável possa ajudar a elevar as exportações em 2014.

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