Os Estados Unidos crescem 3,6% no terceiro trimestre

A debilidade do consumo contém a euforia sobre a recuperação da economia

A economia dos Estados Unidos cresceu mais do que esperado no terceiro trimestre, com uma taxa anualizada de 3,6% do produto interno bruto (PIB). É o melhor resultado desde o primeiro trimestre de 2012 e houve quase um ponto percentual de melhora em relação à estimativa feita há um mês. O dado, portanto, poderia reforçar o otimismo sobre o passo da economia porque está 2,5% acima do resultado do segundo trimestre de 2013. Mas a euforia se contém quando se observa o consumo, que continua vulnerável.

A primeira leitura indicou um crescimento de 2,8%. O mercado contava com uma revisão ascendente, até os 3,2%. O dado, em todo caso, começa a ficar um pouco velho e também não inclui o efeito da interrupção que o Governo federal sofreu durante duas semanas pela batalha fiscal, por isso se considera que este indicador influirá pouco na próxima reunião da Federal Reserve (Fed). O banco central americano está mais concentrado no desemprego, dado que se publica manhã.

Sobre o indicador do PIB comprova-se, também, que a revisão ascendente se explica por um incremento dos estoques, que teve seu maior aumento desde 1998. Contribuiu 1,68 pontos ao PIB. Isso poderia indicar que o crescimento pode ser moderado de maneira considerável no quarto trimestre, quando todos esses produtos forem desovados.

A demanda interna mostra-se débil ao moderar-se o consumo a uma alça de 1,4%

Por outro lado, a demanda interna ficou debilitada quando o consumo diminuiu mais do que o esperado, com um crescimento de 1,4%. É um décimo a menos que o publicado há um mês e se afasta do 1,8% do segundo trimestre. Há dois anos e meio que não se via um rendimento tão pobre deste componente, do qual depende dois terços da economia e que reflete a incerteza atual.

O investimento empresarial cresceu 3,5%, o dobro do previsto. Mas continua sendo mais débil que os 4,7% do segundo trimestre. Não aconteceu o mesmo com o peso das exportações na balança comercial, que foi reduzido, de um crescimento de 4,5% previsto há um mês, para 3,7%. Com as importações o ajuste foi oposto, crescendo de 1,9% a 2,7%.

Portanto, o dado do PIB revela que a economia dos EUA continua tendo muitas peças em movimento. No Livro Bege publicado na quarta-feira, o Fed segue qualificando o ritmo atual de crescimento como “modesto a moderado”. É verdade que o clima está bem mais positivo que há dois meses, mas a cautela continua dominando.

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