rio de janeiro

Sérgio Cabral se rende depois de meses de pressão social

O atual governador do Rio de Janeiro pretende, com isso, se lançar a uma vaga de senador. Ele já exerceu o cargo antes de 2006, quando foi eleito para o executivo fluminense

O governador de Rio Sergio Cabral.
O governador de Rio Sergio Cabral.Divulgação

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, do centrista PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), rendeu-se à evidência do seu incomparável desgaste político e anunciou sua saída em breve do Governo estadual que mais impactará nos próximos anos na imagem internacional do Brasil. A decisão de Cabral coincide com a divulgação de uma sondagem realizada pelo Datafolha, que confirma o que vinha sendo uma tendência nos últimos meses: desde as manifestações de junho, sua popularidade despencou 20%, enquanto os que consideram seu gerenciamento mau ou péssimo somam 38% dos entrevistados.

No entanto, o ainda Governador do Rio não quer o ostracismo, e busca se reacomodar como Senador da República, cargo que já exerceu antes de ser eleito em 2006. Cabral anunciou que se coloca à disposição de seu partido para apresentar sua candidatura ao apreciável cargo de senador, entrincheirado em Brasília e fora dos focos e das polêmicas que vem amargurando sua existência há meses.

Cabral disse que sairá do partido no próximo 31 de março para se lançar à nova campanha eleitoral. Até cinco de outubro de 2014, quando se celebrarão as eleições para presidente e para governadores, seu atual vice-governador, Luiz Fernando Pezão, o substituirá interinamente à frente do Executivo estadual e como futuro candidato do PMDB ao Governo do Rio.

Pezão também não parece ser o candidato ideal do PMDB, com magros 5% de intenção de voto, ele vê pouco a pouco que se apagam as possibilidades de revalidar sua liderança política estadual. Como se não fosse pouco a queda de apoio popular, a última novidade veio do principal aliado no Governo, o Partido dos Trabalhadores (PT), que anunciou sua intenção de romper sua aliança, firmada há sete anos, e apresentar um candidato próprio às eleições de outubro. O senador Lindbergh Farias, que inicialmente estava destinado a se apresentar como vice na coalizão, competirá diretamente com Pezão e com os outros pré-candidatos, o senador Anthony Garotinho (líder nas pesquisas com 21% de intenção de voto) e o atual ministro da Pesca, Marcelo Crivella (PRB).

Sérgio Cabral experimentou a glória política em seus primeiros anos como Governador, com a eleição do Rio como sede olímpica e o exitoso processo de pacificação que renderam níveis de aceitação generalizados e uma diminuição da violência na cidade mais turística do Brasil. Recentemente, o rosário de denúncias e de gastos em várias das obras que estão transformando o Rio para os próximos eventos esportivos, os primeiros buracos negros no processo de pacificação das favelas, os desalojados de comunidades pobres próximas às instalações esportivas, a brutalidade policial nas manifestações que explodiram na cidade desde junho ou as suspeitas de corrupção que recaem sobre Cabral abalaram sua imagem e seu crédito político a ponto de forçá-lo a renunciar.

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