Copa do Mundo 2014 | Os grupos

Duas pedreiras para a Espanha, que tem o Brasil como possível rival nas oitavas

Holanda, atual vice-campeã, e Chile, uma grande equipe, são os primeiros rivais da Espanha, que fechará a fase de grupos ante a Austrália Os espanhóis jogarão em 13, 18 e 23 de junho de 2014 Os dois primeiros do grupo da Espanha se cruzarão com os dois primeiros da chave brasileira, que inclui também a Croácia, México e Camarões

Caf?avaro e Zidane, durante o sorteio.
Caf?avaro e Zidane, durante o sorteio.Victor R. Caivano (AP)

Piscada de olho do destino: a Espanha estreará no Brasil ante seu último rival em Copas do Mundo, a Holanda. Da decisão na Copa da África do Sul a Salvador, na Bahia (Nordeste brasileiro), onde a atual campeã e a vice se enfrentarão na sexta-feira, 13 de junho. A seleção do técnico Vicente del Bosque caiu em um grupo complicado, não só pela força holandesa, como também pela presença do Chile, o adversário mais temido pelo treinador. A equipe do atacante Alexis e do meia Vidal enfrentará os espanhóis na quarta-feira, 18, no Rio. A Austrália, a Cinderela, será o oponente da Espanha no encerramento da fase de grupos, na segunda-feira, 23, em Curitiba. no Paraná (Sul brasileiro). Boas sedes e dois inimigos incisivos. Além disso, a Espanha corre o risco de enfrentar o Brasil logo nas oitavas se for a segunda do grupo. A seleção anfitriã jogará com a Croácia, o México e Camarões. Com a equipe dos meias Rakitic e Modric disputará a partida de abertura em São Paulo, na quinta-feira, 12.

Se o grupo B da Espanha será exigente, não menos o será o cruzamento entre Uruguai, Itália, Inglaterra e Costa Rica

Se o grupo B da Espanha será exigente, não menos o será o cruzamento entre Uruguai, Itália, Inglaterra e Costa Rica, com três campeões mundiais. A estreia da Alemanha também terá um papel de destaque, por coincidir com o de Cristiano Ronaldo. Alemães e portugueses também enfrentarão Gana e Estados Unidos. A princípio, mais tranquila será a estreia de Messi, ante a Bósnia Herzegovina, em um grupo que inclui também Irã e Nigéria. Mais simples ainda pode ser a tarefa da França, que, depois do enredo protagonizado pela Fifa, terá pela frente Suíça, Equador e Honduras. Colômbia, Grécia, Costa do Marfim e Japão integram um grupo de difícil prognóstico, enquanto a Bélgica, que recuperou a pujança de outras épocas, e a Rússia do técnico Fabio Capello são favoritas ante Argélia e Coreia do Sul.

A cerimônia do sorteio teve início com uma homenagem a Nelson Mandela, ao qual também se somou ao vivo a presidenta brasileira, Dilma Rousseff. Pelé, Del Bosque, Fernando Hierro e Zidane, entre outros, também participaram do evento. Emocionante foi a presença de Ghiggia, o único sobrevivente do Maracanazo e seu grande protagonista. Aos 86 anos, sustentado por uma bengala, surgiu o herói uruguaio que fez o Brasil chorar. A imagem de Ghiggia serviu para lembrar que em uma Copa até o impossível é possível. Primeiramente, o Mundial arrancará em grande estilo, com o Brasil nos holofotes e no dia seguinte a final da África do Sul.

Austrália, veterano enfraquecido

CAYETANO ROS

O jogador mais conhecido da Austrália segue sendo Harry Kewell, o ex-volante do Liverpoool, campeão da Champions em 2005, agora no Melbourne Victory, aos 35 anos. Os socceroos (uma mistura de soccer e Kangaroo, os cangurus do futebol) seguem nutrindo-se de veteranos como o goleiro Mark Schwarzer (41 anos, Chelsea) e o meia atacante Tim Cahill (34, New York Red Bull). A Austrália disputou três Mundiais, os dois da Alemanha (1974 e 2006) e o passado de África do Sul 2010. 59ª na classificação da FIFA, para a Copa do Brasil se classificou no dia 13 de junho depois de vencer 1-0 a Iraque. A Austrália competiu na Confederação Asiática em busca da competitividade que não encontrava na Oceania, onde chegou a golear 31-0 em 2001 a Samoa Americana.

O ponto alto do futebol australiano produziu-se o 26 de junho de 2006, em Kaiserlautern. Eram as oitavos de final do Mundial da Alemanha e o time australiano empatava com uma das favoritas, Itália, até o minuto 96, quando o árbitro, o espanhol Medina Cantalejo, inventou um pênalti sobre o lateral esquerdo Grosso. Marcou Totti e a Itália seguiu progredindo até ganhar aquele seu quarto Mundial ante a França de Zidane em Berlim. A Austrália marchou-se com a amargura de ter merecido algo mais.

O treinador, Ange Postecoclou, um ex-jogador australiano de origem grega, de 48 anos, é o técnico mais exitoso de liga local

Chile retomou a trilha de Bielsa

Ladislao J. Moñino

Espanha vai medir suas forças com o Chile na quarta-feira, 18 de junho, no Maracanã. Este era um dos rivais menos desejados por Vicente del Bosque, provavelmente o que mais temia, pelo alto ritmo de jogo e as individualidades do time chileno. Del Bosque a considera uma das seleções com mais capacidade para surpreender.

Após a saída de Marcelo Bielsa e o fracasso de seu sucessor, Claudio Borghi, a Federação chilena procurou um clone do ex-treinador do Athletic. Foi encontrado em um outro argentino, Jorge Sampaoli, bielsista declarado e reconhecido por seu futebol corajoso na Universidade Católica do Chile, que chegou a ser denomiada o Barcelona de América do Sul. Sua admiração por Bielsa levou-o a fazer footing com um walkman no qual introduzia fitas com as coletivas de imprensa da sua referência nos bancos. Também é conhecido um episódio muito similar ao protagonizado por El loco. Expulso de um jogo quando dirigia o Alumni, subiu numa árvore para continuar dando ordens dali. O mesmo Sampaoli não teve inconveniente algum em reconhecer que tratou de recuperar a essência daquela seleção que já constrangeu muito a Espanha na fase de grupos de 2010. Enfrentaram-se no terceiro jogo, no qual a Roja, durante os primeiros 20 minutos, se sentiu fora da Copa por jogo e impotência, até que Vila marcou aquela parábola a partir do centro do campo. Esse grupo que agora dirige Sampaoli, quatro anos mais velho, está em plena maturidade.

Sampaoli, como Bielsa, utilizou o 3-3-3-1, o 3-4-1-2 e o 4-3-3, sempre sob parâmetros inegociáveis: intensidade na pressão e a intenção de sentir-se protagonista com a bola. Alexis Sánchez e Vargas formam uma dupla que desequilibra muito e de dinâmica intensa, à qual há que se acrescentar Valdivia, que Sampaoli utiliza como um falso centro-avante. No centro do campo a referência indiscutível é o juventino Vidal, que o treinador prefere manter diante dos pivôs para aproveitar sua chegada. Marcelo Díaz é o meio-centrista de referência e Medel costuma alternar o centro do campo com o centro da defesa.

Holanda: Nova equipe, velhos líderes

DIEGO TORRES

Espanha começará na Copa do Mundo no Brasil como terminou a Copa da África do Sul, enfrentando a Holanda. Quatro anos mais tarde, no entanto, o duelo se parecerá pouco. A Holanda é uma seleção em processo de regeneração depois do fracasso da Eurocopa de 2012. Muitos dos jogadores da África do Sul vão vê-los pela televisão. Enterrada à lembrança de Bert van Marwijk, que fez um movimento de simplificar o estilo e acabou fomentando chutes perdidos, o novo treinador, Louis van Gaal, pretende retornar aos velhos valores que fizeram grande a equipe laranja. Holanda é uma seleção que pretende elaborar tocando rápido, que pressiona com ordem e energia, mas que carece de experiência nas linhas que definem o modo de gerenciar os partidas. Sobram as defesas e os meio-campistas jovens, gente como Blind, Schars, Vlaar ou Indi, titulares habituais nas zagas que não participaram do campeonato antenior.

A equipe é jovem e seus melhores atletas são veteranos. Sneijder, o engate que movimentava a máquina na África do Sul, viveu há muito tempo seus melhores dias. Vai completar 30 anos três dias antes de apresentar-se à Espanha e a temporada que está completando no Galatasaray não é convidativa a pensar em uma reação. Se é capaz de recuperar certo nível, a equipe multiplicará suas possibilidades. O meio atacante é a ponte para o melhor de sua seleção, que são os goleadores. No ataque holandês se mantêm dois gigantes em plenitude das suas faculdades. Robben e Van Persie, um canhoto e driblador, o outro ambidiestro e finalizador, compõem uma dupla complementar e uma das linhas avançadas mais determinantes do planeta. Ambos chegam ao Brasil com 30 anos completos, idade na qual os atletas sentem a necessidade urgente de deixar a sua marca. Para serem lembrados ou para assinar seus últimos contratos.

A passagem da Holanda para a classificação foi brilhante. Não perdeu nem uma só partida fora de casa e acumulou umas estatísticas notáveis: 34 gols a favor e cinco contras em dez partidas. Turquia, Romênia, Hungria, Andorra e Estônia não conseguiram apresentar verdadeira oposição. No Brasil será diferente. O estádio de Fonte Nova, em Salvador, na Bahia, será o palco da entrada na fase final da Copa do Mundo, na sexta-feira 13 de junho às 17.00 hora local. Ali a Espanha espera uma estimulante promessa de revanche.

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