DOPAGEM

Armstrong escapa do primeiro encontro com a justiça em que relataria dopagem

O ex-ciclista chegou a um acordo de três milhões de dólares com um patrocinador e evitou comparecer ante o juiz e dar depoimentos sob juramento

O ciclista Lance Armstrong, em foto de 2010.
O ciclista Lance Armstrong, em foto de 2010.Christophe Ena (AP)

Os tribunais de Austin (Texas) terão que esperar para escutar o ex-ciclista Lance Armstrong declarar sob juramento que fazia uso de substâncias proibidas ao longo de sua carreira esportiva. Ganhador por sete vezes do Tour da França, ele chegou a um acordo de última hora com a Acceptance Insurance, um antigo patrocinador que o processou no último mês de janeiro por enriquecimento injusto, evitando, assim, ter que comparecer pela primeira vez ante um juiz para falar de dopagem, após sua confissão no programa de Oprah Winfrey no começo do ano.

A empresa com sede em Nebraska pedia a Armstrong três milhões de dólares como compensação pelas quantias que pagou ao ciclista entre 1999 e 2001 de recompensa por vitórias que ele não obteve de forma limpa. A Acceptance esperava que o ciclista detalhasse no julgamento sua trajetória de dopagem desde 1995 e que especificasse quais substâncias consumiu, em que quantidades, quem as forneceu e quem estava ciente dessas práticas. Também esperava informações sobre em que momento os amigos e assessores mais próximos do desportista, entre eles sua ex-esposa, Kristin Armstrong, souberam que ele se dopava -nesta semana, o jornal The Daily Mail publicou  declarações do corredor em que ele assegurava que o ex-presidente da União Ciclista Internacional, Hein Verbruggen, ajudou a encobrir a dopagem-.

Com o pagamento da quantidade que pedia o patrocinador, Armstrong evitou ter que declarar sob juramento suas práticas. Depois de reconhecer em televisão que usava EPO e transfusões de sangue para ganhar, a Agência Antidopagem dos Estados Unidos, USADA, pediu ao ciclista que reiterasse seu depoimento e testemunhasse sob juramento perante a entidade. Armstrong negou-se, perdendo, assim, a oportunidade de trocar por uma sanção de oito anos a proibição de participar para sempre de provas esportivas, como o condenou a USADA.

Armstrong se livrou de seu primeiro encontro com a justiça, mas o mesmo tribunal de Austin está estudando um processo similar apresentado pela SCA Promotions, que pede ao ciclista 12 milhões de dólares. O corredor enfrenta ainda um processo federal por fraude, iniciado em 2010, por seu ex-companheiro que perdeu o Tour de 2006 por uso de EPO, Floyd Landis, a que se somou o Departamento de Justiça. A Administração exige a Armstrong 120 milhões de dólares de indenização por não ter cumprido as condições do contrato com o US Postal, que obrigava aos corredores a não empregar substâncias proibidas para melhorar seu rendimento.