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Suspeito é detido pelo atentado contra o ônibus do Borussia Dortmund

Procuradoria alemã investiga o ataque como ato terrorista e avalia a autenticidade da carta de reivindicação encontrada no local

Borussia Dortmund
Ônibus do Borussia Dortmund, nesta terça. Getty

A polícia da Alemanha prendeu, nesta quarta-feira, um homem com conexões com o terrorismo islâmico suspeito de envolvimento no atentado com explosivos contra o ônibus do Borussia Dortmund, ocorrido no dia anterior. Segundo o procurador-geral Frauke Koehle, a investigação começou centrada em dois suspeitos, cujos apartamentos foram vasculhados. Um deles é o homem que posteriormente foi detido, apesar de Koehle não ter divulgado detalhes nem do local nem do momento em que a prisão foi realizada.

Em um pronunciamento público nesta quarta-feira, o procurador revelou que os explosivos, que foram posicionados atrás de uma cerca, continham estilhaços de metal, e que uma dessas peças ficou incrustada na cabeceira de um dos assentos do ônibus no qual a equipe alemã se dirigia a seu estádio para jogar a partida de ida das quartas-de-final da Liga dos Campeões contra o Mônaco.

O jogador espanhol Marc Bartra, de 26 anos, sofreu ferimentos na mão e no braço por causa das explosões. Ele teve de ser operado por causa de uma fratura no punho direito, resultada do impacto das vidraças do ônibus, que estilhaçaram durante a explosão. Um policial também sofreu ferimentos. Os investigadores encontraram uma carta que assume a autoria do atentado perto do local das explosões.

O chefe da polícia de Dortmund descreveu o incidente como um “ataque dirigido” contra o time de futebol. “A carta assume a responsabilidade pelo ocorrido”, afirmou a procuradora Sandra Luecke, na noite de terça-feira, apesar de ter destacado aos jornalistas que “sua autenticidade ainda está sendo verificada”. As autoridades não deram mais explicações sobre o conteúdo da mensagem para não atrapalhar as investigações.

“Assumimos que se trata de um ataque dirigido contra a equipe de Dortmund”, afirmou o chefe de polícia local, Gregor Lange. As explosões ocorreram minutos depois de o ônibus que levava o time do Borussia Dortmund sair do hotel onde os jogadores se concentravam em direção ao estádio, situado a 10 quilômetros. A explosão foi detonada enquanto o veículo se deslocava. Os explosivos estavam escondidos em uma cerca e as janelas do ônibus se quebraram com o impacto.

“O ônibus virou em direção à via principal e escutamos um enorme barulho, uma grande explosão”, contou o goleiro Roman Bürki à imprensa suíça. “Depois da explosão, todos nós nos agachamos dentro do ônibus. Quem teve a chance atirou-se no chão. Não sabíamos se haveria mais [explosões]”, acrescentou. Bürki disse que Bartra foi “atingido por fragmentos de vidro”. O assessor de imprensa da equipe alemã informou que o jogador espanhol sofreu uma fratura distal do rádio no punho direito. O clube afirmou que os demais jogadores estavam a salvo e que não havia perigo no estádio Signal Iduna Park.

A polícia alemã informou que um agente que participava do pelotão de proteção ao ônibus em uma moto sofreu um trauma acústico e que as lesões o impedem de voltar a trabalhar. Um quarto objeto suspeito, encontrado durante a noite nas imediações, acabou sendo descartado como sendo apenas lixo.

Após saberem que o jogo havia sido cancelado, os torcedores do Mônaco presentes no estádio demonstraram sua solidariedade com gritos de apoio à equipe adversária. Em seguida, o campo foi evacuado pouco a pouco, sem incidentes. O ataque provocou também uma onda de manifestações de solidariedade entre os torcedores do Borussia, que se ofereceram para hospedar os visitantes em suas casas.

A partida pelas quartas-de-final contra o Mônaco será realizada nesta quarta-feira, às 13h45 (hora de Brasília), poucas horas antes de outro jogo da Liga dos Campeões, entre o Bayern de Munique e o Real Madrid, também na Alemanha.

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