Seleccione Edição
Entra no EL PAÍS
Login Não está cadastrado? Crie sua conta Assine

Edgardo Bauza é demitido da seleção argentina

Treinador é demitido pela nova diretoria da AFA, que agora tentará contratar Sampaoli

Edgardo Bauza demitido da seleção argentina Ampliar foto
Edgardo Bauza chuta uma bola em seu último dia como treinador. AFP

A Associação de Futebol Argentino (AFA) tem uma nova diretoria que assumiu há poucos dias, mas o presidente da instituição ainda não encontrou a calma necessária para resolver os diversos problemas que enfrenta. O mais importante, a suspensão da principal estrela, Lionel Messi, afastado pela FIFA das eliminatórias à Copa do Mundo de 2018 na Rússia por ofender um dos bandeirinhas na partida contra o Chile. Mas também deve resolver uma grave crise econômica que o impede, entre outras coisas, de contratar um treinador que esteja à altura das estrelas que fazem parte da seleção argentina. Em agosto do ano passado Edgardo Bauza foi o escolhido, um treinador com dois títulos de Libertadores, adepto de um estilo defensivo, mas que não possui a capacidade necessária para um cargo tão importante. Menos de um ano após sua contratação, Patón Bauza foi demitido e a Argentina busca novamente um técnico. O alvo agora é Jorge Sampaoli e, mais atrás, Diego Simeone.

A decisão foi informada na segunda-feira pelo novo presidente da AFA, Claudio Chiqui Tapia, no edifício da rua Viamonte após vários dias de especulações em que surgiram toda a espécie de rumores, mas nenhuma palavra oficial. “Comunicamos a Edgardo Bauza que ele não é mais o técnico da seleção nacional”, confirmou o dirigente na porta da sede.

Ao que parece, a demissão de Bauza foi decidida pelo fato da instituição ter recebido o dinheiro do adiantamento pelo contrato de televisão do próximo campeonato argentino, acertado com as redes de televisão Fox e Turner. No total, 1,53 bilhão de pesos (314 milhões de reais) que a AFA receberá pela assinatura do negócio mais um adiantamento de 326 milhões de pesos (67 milhões de reais) do primeiro ano de contrato. De acordo com fontes da AFA, a operação para conseguir um novo treinador custará à AFA 4 milhões de dólares (13 milhões de reais), entre a nova contratação e a indenização a Patón, que seria de aproximadamente um milhão de dólares (3 milhões de reais) contando também com os três meses de salários que ele ainda deve receber. Vale lembrar que ainda resta pagar por volta de 800.000 dólares (2,5 milhões de reais) ao ex-treinador Gerardo Martino e seus colaboradores. Elvio Paolorosso, Jorge Pautasso, Adrián Coria e Raúl Marcovich têm oito processos contra a AFA.

O principal candidato para substituir Patón é o técnico do Sevilla, Jorge Sampaoli, que é bem visto pela maioria dos dirigentes e também do elenco, liderado por Lionel Messi e Javier Mascherano. Ambos foram a favor quando o ex-treinador da seleção do Chile foi lembrado para substituir Luis Enrique no Barcelona e teriam uma reunião em Madri nas próximas horas, na qual Tapia também estaria presente. A AFA tem a seu favor o fato de que o desligamento de Sampaoli do clube espanhol hoje custaria à instituição 1,5 milhão de euros (5 milhões de reais), um valor muito menor do que os 8,1 milhões de euros (27 milhões de reais) da cláusula de rescisão em agosto, quando Bauza acabou contratado. As alternativas a Sampaoli são o técnico do Atlético de Madrid, Diego Pablo Simeone, mas em declarações recentes Cholo (apelido de Simeone) disse que esse não é o seu momento de dirigir a seleção argentina. Bem mais atrás aparecem o técnico várias vezes campeão com o River Plate, Marcelo Gallardo (outro que agrada aos dirigentes), e o do Lanús – o clube modelo do futebol argentino –, Jorge Almirón.

Os números de Bauza com a Azul-celeste não são bons: três vitórias, três derrotas (uma por goleada contra o Brasil) e dois empates, e o passaporte à Copa do Mundo de 2018 na Rússia ainda por confirmar, já que hoje a seleção estaria na repescagem e deveria enfrentar uma equipe asiática para decidir a classificação. Mas o que os dirigentes não perdoaram a Bauza foram suas declarações recentes. “Não sei o que farei após ganhar a Copa” e “a equipe joga muito bem” são frases que parecem ter prejudicado demais Patón, um homem que nunca teve dúvidas em utilizar sua personalidade forte sempre que precisou administrar grupos, mas que deixou suas convicções do lado de fora do prédio que a AFA tem na cidade de Ezeiza para confiar em um contrato de palavra com um grupo de jogadores que, mais uma vez, deixou na mão seu treinador.

MAIS INFORMAÇÕES