Os melhores momentos dos Oscar 2017

Sem contar a tremenda gafe no final, os destaques foram a atuação de Timberlake, turistas entre as estrelas, Meryl Streep e Matt Damon

Justin Timberlake (centro) canta e dança. À esquerda, Javier Bardem. AFP

Com uma festa que começou animada com Justin Timberlake dançando na plateia e terminou, como sempre, às pressas, estes foram os melhores momentos da 89ª edição do Oscar 2017. Mas espere, houve um incidente. Faye Dunaway e Warren Beatty leram o cartão errado e deram o prêmio de Melhor Filme a La La Land quando o vencedor, na verdade, era Moonlight. Foi um dos produtores de La La Land que se deu conta do erro e avisou. Além dessa confusão histórica, estes foram os outros melhores momentos da festa:

- Timberlake põe todo mundo para dançar. A festa começou como há muito tempo não ocorria, com um número musical que não era do apresentador. Foi com a canção Can't Stop That Feeling do filme de animação Trolls e que concorria a um prêmio (o de melhor canção ficou com City of Stars, de La La Land). Seu autor e intérprete, Justin Timberlake, foi o encarregado de colocar todo mundo de pé pela primeira vez na noite. Timberlake começou a atuação fora do teatro e entrou junto com os bailarinos cantando entre as estrelas de Hollywood. Apareceram dançando e se divertindo Halle Berry, Jackie Chan, Javier Bardem, Nicole Kidman, Jessica Biel e Denzel Washington entre outros.

- Jimmy Kimmel põe Meryl Streep em um altar. O monólogo do apresentador desta edição do Oscar foi correto, com a dose certa de críticas a Donald Trump. O momento de maior destaque foi quando rematou as alusões ao novo e polêmico presidente dos Estados Unidos elogiando Meryl Streep no ano em que obteve sua vigésima indicação (o prêmio de Melhor Atriz acabou indo para Emma Stone). Kimmel, citando Trump, disse que Streep é uma atriz supervalorizada e que, por favor, o público ficasse de pé para lhe dar “um aplauso totalmente imerecido”. Sim, a plateia se levantou com gosto.

- Kimmel põe turistas desprevenidos no meio da festa. A melhor gag da noite não foi uma piada sobre Trump, mas um daqueles momentos que showmen como Jimmy Kimmel sabem montar tão bem. Levou, “enganados”, um grupo de turistas que pensavam que iam visitar uma exposição e, assim que abriram a porta, estavam entre o palco e a primeira fila de estrelas de Hollywood. Ali puderam cumprimentar Nicole Kidman, Halle Berry e Ryan Reynolds. Todos estavam com seus celulares e, assim, o momento da selfie de alguns anos atrás com Ellen De Generes se multiplicou por dez. Um dos turistas, Gary, chegou a pedir para Mahershala Ali (prêmio de Melhor Ator Coadjuvante) tirar uma foto dele com a estatueta e lhe deu o celular. O ator foi rápido e se virou para fazer uma selfie com os dois. Kimmel perguntou a uma turista que estava acompanhada do noivo quem era seu ator favorito. Quando ela apontou Denzel Washington, este se levantou e “casou” os noivos.

Denzel Washington 'casa' casal de turistas. AFP

- Kimmel manda um ou dois recados a Trump pelo Twitter. Quando faltava pouco mais de uma hora para o fim da festa, o apresentador disse estar preocupado porque Donald Trump não havia dito nada sobre o Oscar em suas redes sociais. O presidente dos Estados Unidos nos últimos anos se mostrou muito crítico com o Oscar e algumas estrelas de Hollywood, como Meryl Streep (que, segundo ele, não tem talento). Kimmel nesse momento postou duas mensagens para Donald Trump. Primeiro perguntou se estava acordado e depois disse que Meryl estava mandando um alô com a hashtag #Merylsayshi. Em 10 minutos o primeiro tuíte tinha 163.000 compartilhamentos e o segundo, 136.000.

- Oscar põe Farhadi diante de todos os Estados Unidos. O diretor iraniano Asghar Farhadi e seu filme, O Apartamento, ganharam o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro. Farhadi, em protesto contra as medidas anti-imigração de Trump, decidiu não viajar aos Estados Unidos para participar da festa. A mensagem de Farhadi foi lida por Anousheh Ansari, engenheira da Nasa e astronauta em um voo do programa espacial russo. Ansari foi a primeira iraniana a ir ao espaço. As palavras de Farhadi foram: “Lamento não estar com vocês esta noite. Minha ausência se dá em respeito às pessoas do meu país e de outras seis nações que foram desrespeitadas ao serem proibidas de entrar nos Estados Unidos. Assim se divide o mundo. Os diretores de cinema podem criar empatia e unir”.

- Gael García Bernal põe Trump contra o muro. O ator mexicano, que anunciou os prêmios de Melhor Curta e Melhor Filme de Animação não perdeu a chance de lembrar do muro que Donald Trump quer ampliar para separar os Estados Unidos do México e evitar a entrada de imigrantes: “Como mexicano, como imigrante, como trabalhador, sou contra qualquer muro”.

 - Carrie Fisher faz todo mundo chorar. Já de madrugada (no Brasil) foi hora de se emocionar com a lembrança de Carrie Fisher, falecida há pouco tempo... Foi durante o In Memoriam, o momento em que se homenageiam as estrelas que morreram no último ano: Gene Wylder, Debbie Reynolds, John Hurt, Kenny Baker (R2D2), Prince, Emmanuelle Riva, Lupita Tovar, Garry Marshall, Curtis Hanson, Anton Yelchin, Garry Shandling, Zsa Zsa Gabor...entre outros... e no sábado, Bill Paxton (não chegou a entrar na lista, mas foi lembrado na apresentação do vídeo). A música ficou a cargo da cantora e pianista Sara Bareilles, que interpretou ao vivo Both Sides Now, de Joni Mitchell. Entre as ausências de maior destaque: Miguel Ferrer e Gil Parrondo (ganhador de dois Oscar).

 - Kimmel pegando no pé de Damon. A eterna brincadeira entre Jimmy Kimmel e Matt Damon de que são grandes inimigos apareceu logo, inclusive antes da festa. Durante o ensaio na véspera, o apresentador pintou um bigode em uma foto dele e, uma hora antes do início da cerimônia, postou um tuíte em que aparecia no camarim repassando o roteiro enquanto via Damon chegar no tapete vermelho com o seguinte comentário: “Homem morto andando no tapete vermelho”:

Damon, no tapete, admitiu à rede ABC que não sabia o que o esperava nessa noite. E não demorou para provar que estava falando a verdade. Em seu monólogo inicial, Kimmel disse que queria reconciliar-se com ele, não sem antes lembrar que o último filme de Damon, A Grande Muralha, foi um grande fracasso de bilheteria. Na metade da festa, Kimmel esbarrou nele, e olhou-o por cima do ombro. Ao longo da noite foram apresentados vídeos de atores elogiando o trabalho de seus ídolos (pudemos ver Javier Bardem falando sobre Meryl Streep). O último foi do próprio Kimmel falando sobre Damon e seu filme Compramos Um Zoológico (We Bought A Zoo). E não foram palavras especialmente bonitas: “Ele não tem nenhum talento evidente, mas funciona”. Logo depois Ben Affleck e Matt Damon subiram ao palco para anunciar um prêmio. Damon foi apresentado como “acompanhante” de Affleck. E quando foi ler a lista de candidatos, a música começou a soar mais alto. Sim, era Kimmel dirigindo a orquestra para que ninguém escutasse Damon. A vingança do ator chegará, com certeza, logo mais em alguma outra festa de premiação ou programa de televisão...

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