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Ex-namorado ataca modelo italiana com ácido

Gessica Notaro, de 28 anos, pode perder a visão e tem feridas graves no rosto e pescoço

Uma 'selfie' da modelo em dezembro passado.
Uma 'selfie' da modelo em dezembro passado.

A modelo italiana Gessica Notaro, de 28 anos, finalista do Miss Itália em 2007, foi atacada com ácido por seu ex-companheiro e permanece no hospital. Ela sofreu feridas graves e profundas e corre o risco de perder a visão. O novo caso de violência de gênero causou comoção. 

No centro médico Grandi Ustioni de Cesena, na região de Emilia Romagna —a qual a modelo representou como miss—, Notaro foi operada e terá de passar ainda por outras intervenções para reconstruir a pele que o ácido danificou, segundo o jornal Correrie della Sera, que destaca que o agressor quis lhe ferir especialmente para acabar com a beleza da modelo, conhecida como “miss sorriso Emilia Romagna”. Após participar no certame de beleza e em programas de televisão, a jovem decidiu dar uma guinada em sua vida e voltar à sua região de origem para se dedicar à sua verdadeira paixão, o cuidado dos animais. Notaro trabalhava como adestradora de golfinhos e focas no parque aquático de Rimini.

Em uma entrevista publicada nesta sexta-feira no diário local Il Resto del Carlino, Notaro descreveu a agressão: “Vi que Eddy tinha uma garrafa de plástico. Estava vestido de preto. Não disse uma palavra e me atirou um líquido. Eu fugi, tentei persegui-lo por alguns metros, gritando de dor, mas meu rosto estava queimado e minha visão começou a se turvar".

O episódio aconteceu em Rimini, a cidade turística da costa onde a jovem trabalhava e onde conheceu seu ex-companheiro. Notaro estava chegando em casa por volta das 23h ao lado de seu novo namorado, que foi quem ligou para família da jovem e acionou os serviços de emergência. O suposto agressor é Jorge Edson Tavares, de 29 anos e originário de Cabo Verde. Ele permanece detido depois que a polícia encontrou provas de que ele queria fugir e comprovou, por meio da geolocalização de seu telefone, que ele tinha estado no local no momento do ataque. O álibi que apresentou, ao que parece, foi descartado quase de maneira imediata por ser incongruente. Além disso, a polícia encontraria em sua casa mais amostra de ácido.

Gessica e seu exnovio Edson Tavares em agosto de 2014.
Gessica e seu exnovio Edson Tavares em agosto de 2014.

Tavares chegou à Itália há vários anos e e manteve com a italiana uma relação de dois anos. Eles chegaram a morar juntos, mas Notaro pôs fim à relação em agosto, ao que parece, pelos ciúmes obsessivos dele. Desde então, o ex-companheiro vinha lhe assediando por telefone e impondo sua presença tanto em sua casa como em seu local de trabalho. Ele também teria divulgado fotos íntimas da jovem.

A modelo denunciou o assédio à polícia e, embora o promotor tivesse pedido a detenção de Tavares, o juiz deu uma ordem de afastamento. Tavares não a cumpriu na última terça-feira, quando lançou ácido no rosto de Notaro e queimou seus olhos, testa, bochechas e pescoço.

O ataque à Gessica Notaro é mais um caso de violência machista na Itália. Embora no país não existam estatísticas oficiais sobre mulheres maltratadas e é habitual ler nos meios de comunicação que ataques como esses são “crimes passionais”, a associação feminista Telefone Rosa denúncia que, em 2016, ao menos 116 mulheres foram assassinadas por ex-namorados ou ex-companheiros.

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