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Pai de vítima critica ausência de Temer em velório da Chapecoense

Presidente fará parte de cerimônia no aeroporto de Chapecó, mas não está previsto que vá a estádio

Militares colombianos preparam a partida de caixões das vítimas ao Brasil.
Militares colombianos preparam a partida de caixões das vítimas ao Brasil. AFP

O presidente da República, Michel Temer, é esperado neste sábado em Chapecó, em Santa Catarina, apenas para a cerimônia militar que recepcionará, nas primeiras horas da manhã, os corpos dos que perderam a vida no acidente de avião na madrugada da última terça-feira na Colômbia. O mandatário não deverá comparecer no velório coletivo programado para horas depois no gramado da Chapecoense, onde familiares e torcedores homenagearão jogadores e pessoas próximas ao clube vítimas da tragédia. A assessoria da presidência informou que a presença de Temer criaria problemas para os que querem prestar a última homenagem, mas segundo publicou a Folha de S. Paulo, o presidente quer dessa forma evitar possíveis vaias e manifestações de grupos anti-Governo. Na manhã de sábado, a GloboNews informou que o peemedebista resolveu ir à cerimônia principal no estádio, mas a informação ainda foi confirmada pela assessoria.

A escolha do presidente provocou críticas entre os familiares das vítimas. O pai do zagueiro Filipe, Osmar Machado, conversou com jornalistas ao longo da tarde e criticou repetidas vezes a atitude do mandatário brasileiro. "Falaram que vou ter que sair daqui e ir até o aeroporto dar um abraço no Temer. Acho isso uma falta de respeito com as famílias. Se ele quiser que venha aqui", criticou Machado, em conversa com o Estado de S. Paulo. Ao canal ESPN chegou a dizer: “Se ele tem dignidade e vergonha na cara, que venha aqui [no velório coletivo] cumprimentar as pessoas”.

Alexandre Parola, porta-voz da Presidência da República, entrou em contato com o pai do zagueiro para explicar que houve um mal-entendido. Argumentou que o Executivo Federal não exigiu ou pediu a presença de familiares das vítimas no aeroporto, tendo em vista que a solenidade militar foi organizada pelos governos municipal e estadual, segundo a Folha.

A declaração de Osmar Machado e sua repercussão são um constrangimento para Temer, que amarga baixa popularidade em um país polarizado. Temer tem participado de poucos atos públicos de massa desde que assumiu a presidência. E quando participa não escapa de polêmicas. Nos Jogos Olímpicos, em agosto, foi noticiada uma “operação abafa” durante a fala do presidente, que consistia em aumentar o volume da música e utilizar efeitos sonoros para que as vaias não fossem escutadas na televisão. Temer reduziu seu discurso a poucas palavras e as vaias aconteceram mesmo assim. Na noite desta sexta, a imprensa local de Santa Catarina cobrava a presença de Temer assim como políticos do Estado.

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