Onze novas profissões que darão muito que falar

Especialista em competências digitais seleciona as atividades que surgirão com as novas tecnologias

Trabajo del futuro Ampliar foto
Engenheiro construindo um robô. Getty

Os números falam por si sós: com a chegada do tsunami digital, 47% do emprego atual desaparecerá dentro de uma ou, no máximo, duas décadas, de acordo com estimativas da Universidade de Oxford e outras instituições. Como se isso não bastasse, 90% das profissões que permanecerão sofrerão alguma transformação e exigirão a incorporação de novas competências. No entanto, nem tudo é negativo. Oportunidades sem precedentes virão para aqueles que apostarem em sua e-renovação e se lançarem para explorar e liderar a mudança. Não importa qual seja nosso presente ou passado, a chave é apostar em se juntar ao futuro.

Para aqueles que querem saber quais serão as novas profissões, ou como adaptar a sua, apresentamos em seguida uma seleção de 11 tipos de empregos que darão muito que falar. A formação na maioria destas novas profissões não corresponde a estudos universitários específicos, ainda não há um plano para elas na universidade. Existem vários caminhos que costumam partir de uma formação tradicional e se completam com cursos ou pós-graduações. Plataformas como Coursera ou MiríadaX oferecem muitos programas MOOCs gratuitos e completos para continuar aprendendo.

1. Analistas e programadores de Internet das coisas (IoT)

Os números que envolvem o setor da Internet das coisas (IoT na sigla em inglês) mostram isso claramente: essa tecnologia, que em 2014 ocupava 300.000 profissionais especializados, precisará multiplicar por 15 sua força de trabalho em 2020, de acordo com projeções da VisionMobile compiladas pela Universidade de Richmond. Qualquer coisa é suscetível de ter um sensor que nos forneça dados ou nos permita interagir com ela, tudo pode ser monitorado. E sobre essa máxima serão construídas as cidades e as casas do futuro.

Haverá necessidade de profissionais com conhecimentos analíticos, de programação e lógica, que sejam capazes de tirar proveito da chegada dessas tecnologias. Serão trabalhadores formados em engenharia da computação, mas também no resto das engenharias com amplos conhecimentos de programação, sobre a Internet das coisas e, é claro, big data.

2. Arquiteto de novas realidades

Espera-se que a realidade aumentada traga consigo 110 bilhões de euros (cerca de 406 bilhões de reais) em 2020, de acordo com previsões da empresa de consultoria especializada Digi-Capital, em comparação com os 4,5 bilhões de euros esperados para 2016. Naquele mesmo ano, a realidade virtual vai gerar mais de 25 bilhões e, por trás disso haverá muitos empregos que não podem faltar em áreas como o militar, a educação e, acima de tudo, a empresa.

Portanto, precisaremos de pessoas com conhecimentos de desenvolvimento de videojogos, sociologia e psicologia. Sua formação deve incluir programação, “gamificação”, realidade virtual e aumentada, complementados por noções de ciências humanas. Isso abre uma porta para aqueles que começam com a programação e decidam avançar para as ciências humanas, mas também para quem, a partir da psicologia ou da sociologia, deseje avançar para aplicá-las às novas tecnologias.

É importante acrescentar que, como essa tecnologia terá impacto em áreas específicas como a arquitetura “tradicional”, também surgirão novas oportunidades de trabalho para pessoas que, a partir dessas disciplinas, queiram rentabilizar o desenvolvimento da realidade virtual e aumentada.

3. Cientista de Dados

O big data não pertence ao futuro, pois já é uma realidade do presente. É uma tecnologia que em 2015 gerou um negócio global de mais de 115 bilhões de euros e nos próximos anos continuará crescendo. Será aplicada por empresas e administrações de maior ou menor tamanho e seu futuro estará ligado ao desenvolvimento da Internet das coisas.

Nessa área trabalham profissionais com conhecimentos analíticos, de programação e lógica. São pessoas formadas em matemática ou estatística, especializadas em aplicar suas disciplinas às novas tecnologias.

4. Designer de órgãos

De acordo com a Comissão Europeia, cerca de 70.000 pessoas estão na lista de espera para um transplante na Europa e, infelizmente, muitas morrem antes de chegar a recebê-lo. No entanto, já está sendo utilizada a impressão 3D para órgãos simples (como bexigas) e em breve isso será feito para os mais complexos. Portanto, há necessidade de profissionais do mundo da medicina para ajudar a consolidar essa tecnologia e, acima de tudo, conseguir que se torne algo ao alcance de todos.

Precisaremos de profissionais de saúde com conhecimentos de impressão de órgãos 3D para transplantes e experiências médicas. Estamos diante de uma evolução do médico “tradicional”, cujo perfil será complementado com amplos conhecimentos de impressão 3D e, claro, de bioimpressão, o que implica estar atualizado ou pesquisar o desenvolvimento de novos materiais e técnicas para obter órgãos cada vez mais parecidos com os humanos.

5. Roboticista

A robótica movimentará um volume total de 75 bilhões de euros em 2020, de acordo com a Merrill Lynch. Isso é resultado da evolução do custo da robótica, que caiu 27% na última década e deve cair mais 22% na próxima, e dos avanços trazidos pelas melhorias tecnológicas em chips de silício, sensores e na computação.

Nessa área atuará um novo tipo de profissional com conhecimentos de engenharia e ciências da computação para aprofundar o desenvolvimento de robôs com estabilidade dinâmica, inteligência e capazes de criar empatia com aqueles que necessitarem dele. Além da formação básica em engenharia e informática, terá de acrescentar uma permanente revisão dos progressos em áreas como a Internet das coisas, a inteligência artificial e a impressão 3D. O sucesso desse profissional dependerá em grande parte do design de suas criações, o que o obrigará a estar atento às novidades nessa área, e deverá estar o mais familiarizado possível com o corpo e sua mecânica para que seus robôs se pareçam com um ser humano.

6. Designer de redes neurais robóticas e inteligência artificial

A inteligência artificial movimentará um volume total de 65 bilhões de euros em 2020, de acordo com dados da consultoria especializada IDC, sete vezes mais do que hoje. Esse crescimento exponencial vai gerar muitos empregos. Para que essa indústria se desenvolva, serão necessárias pessoas especializadas no funcionamento do nosso cérebro e na tecnologia necessária para replicá-lo artificialmente e que esse progresso tenha aplicações concretas e úteis.

O designer de redes neurais deve ter conhecimentos lógico-matemáticos, de programação e, se possível, de filosofia para o desenvolvimento de novas aplicações dessa tecnologia. Essa profissão abre uma dupla oportunidade: em primeiro lugar, para aqueles que estudaram (ou estudarão) ciências humanas e ousarem se formar em programação de aplicações de inteligência artificial, mas também para aqueles que apostarem na engenharia de computação (e nas disciplinas técnicas) e desejarem seguir o caminho que começaram. Nesse caso, para conseguir criar um robô que pensa como uma pessoa terão de se basear em determinados ramos das ciências humanas.

7. Terapeuta de empatia artificial

Espera-se que uma das áreas em que mais a robotização avançará seja a da formação e apoio a pessoas com necessidades especiais (cognitivas, motoras ou sensoriais). Aqui eles não se tornam um concorrente para o professor ou o terapeuta, mas uma ferramenta útil para que este possa alcançar seus objetivos.

A chegada dos robôs às terapias exigirá pessoas com conhecimentos de psicologia, sociologia, psiquiatria, e, claro, competências em termos de programação e tecnologia.

8. Impressor 3-D

A impressão 3D oferece oportunidades empresariais que até recentemente eram impensáveis. No entanto, o que mais chama a atenção é sua capacidade de transformar muitos modelos de negócios tradicionais completamente consolidados.

Impressora 3D em funcionamento.
Impressora 3D em funcionamento. Getty

Portanto, precisaremos de profissionais de todos os setores de atividade, com conhecimento das ferramentas de impressão 3D, capazes de imaginar (e inventar) o que mais podemos fazer com elas. Como a impressão 3D será combinada com outros avanços, também será necessário conhecer robótica e Internet das coisas.

9. Protético robótico

A cada ano, entre 250.000 e 500.000 pessoas sofrem uma lesão da medula que as deixam, muitas vezes, “condenadas” para sempre a uma cadeira de rodas. Há apenas uma década ler algo assim nos teria levado a pensar: é a vida, não? Felizmente, aqueles eram outros tempos e com o advento dos exoesqueletos mecânicos já não há razão para se resignar. As próteses robóticas também já proporcionam a possibilidade de devolver aos membros todas as suas funções e controladas pela mente daqueles que os perderam.

Isto significa que serão necessários profissionais com conhecimentos sobre robótica, impressão 3D, biologia e, embora pareça mentira, avanços em telepatia e telecinese com tecnologias informáticas. O perfil será o de um médico ou profissional de saúde familiarizados com essa tecnologia.

10. Engenheiro de nanorrobôs médicos

A aplicação da nanotecnologia para a prática médica é chamada de nanomedicina, disciplina que está fazendo experiências com o uso de nanorrobôs para, entre outros usos, transportar medicamentos por dentro do corpo. Por exemplo, estima-se que dentro de cinco anos poderemos recorrer a nanorrobôs cerebrais para prevenir ataques epiléticos. Como se isso não bastasse, já se conseguiu curar o câncer de cólon em camundongos com nanorrobôs.

Simulação de um nanorobô destruindo células cancerígenas. ampliar foto
Simulação de um nanorobô destruindo células cancerígenas. Getty

Serão necessários trabalhadores do mundo médico com conhecimentos multidisciplinares que incluam tanto a engenharia e a computação como a biologia e o conhecimento tradicional da prática médica. Estamos diante de outra evolução de profissões como a de médico e biólogo, que terão de completar seus conhecimentos com outros de robótica e saber quais efeitos a nanotecnologia pode ter dentro do corpo humano.

11. Advogado especializado em drones e segurança cibernética

O potencial de tecnologias como os drones ou a Internet das coisas é enorme. No entanto, elas chegam com muitos desafios e riscos para a nossa segurança e a de nossas empresas. Portanto, precisamos de um marco regulatório e profissional que permitam sua expansão, mas que também controlem e limitem o que as pessoas sem escrúpulos poderiam fazer com elas.

Para desenvolver e agir sobre esse novo marco legal precisaremos de advogados com conhecimento de tecnologia e de seu marco regulatório, que sejam conscientes do impacto desses avanços sobre nossas vidas e negócios.

Aderir a elas é fácil, embora, é claro, demande uma mudança de atitude e algum esforço. No entanto, não hesite, vale a pena e existe espaço também para você. O futuro está cheio de oportunidades que você não deve perder.

Silvia Leal é conselheira e especialista em liderança em inovação e transformação digital. É doutora em Sociologia e assessora da Comissão Europeia em competências digitais, liderança e empreendedorismo e diretora do Programa em Direção TIC & Inovação Digital da IE Business School. É autora dos livros e-Renovarse o Morir (e-Renovar-se ou Morrer), Ingenio y Pasión (Engenho e Paixão) e Ingenio, Sexo y Pasión (Engenho, Sexo e Paixão) (LID Editorial).

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