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L’Oreal vai usar pele humana impressa em 3D para suas pesquisas

Empresa cosmética se une à startup Organovo para produzir pele para suas pesquisas

Próteses de nariz e orelha elaboradas com impressoras 3D em uma exposição organizada no Business Design Center de Londres.
Próteses de nariz e orelha elaboradas com impressoras 3D em uma exposição organizada no Business Design Center de Londres.

A L’Oreal precisa de pele humana. Muita. É por isso que a gigante de cosméticos francesa anunciou, no começo de maio, sua associação com a startup Organovo, especializada na impressão de componentes orgânicos, para encontrar uma forma de realizar impressões 3D de tecidos vivos que possam ser utilizadas para testar a toxicidade e eficácia dos produtos. “Somos a primeira empresa de beleza que trabalha com a Organovo”, declarou Guive Balooch, vice-presidente mundial de tecnologia incubadora da L’Oreal.

Essa não é a primeira incursão da L’Oreal na produção de pele. Tentando evitar as experiências com animais, a empresa começou a cultivar derme nos anos oitenta. Na verdade, em Lyon (França) há laboratórios do tamanho de três piscinas olímpicas, dedicados integralmente ao cultivo e análise de tecidos humanos. Ao redor de 60 cientistas trabalham no lugar e são cultivadas mais de 100.000 amostras de pele anualmente. O que significa, aproximadamente, cinco metros quadrados de pele por ano – 54 pés quadrados –, que equivalem à pele de uma vaca. Cada amostra tem o tamanho de 0,5 centímetros quadrados. A mais gorda possui 1 milímetro de espessura.

Usando o método atual, as amostras de pele são cultivadas a partir de tecidos doados pelos pacientes de cirurgia plástica na França e depois são cortadas em fatias finas, que são desmembradas em células. As células são colocadas em bandejas, alimentadas com uma dieta especial, patenteadas e expostas a sinais biológicos que irritam a pele real. “Criamos um ambiente que é o mais parecido possível ao do corpo de uma pessoa”, conta Balooch. “Demora cerca de uma semana para formar uma amostra”, acrescenta, “pois a pele tem diferente camadas e é preciso cultivá-las em série”.

Com a ajuda da Organovo, com sede em San Diego, a L’Oreal tem como objetivo agilizar e automatizar a produção de pele nos próximos cinco anos. A pesquisa para o projeto acontecerá nos laboratórios da Organovo e no novo centro de pesquisa da L’Oreal na Califórnia. A L’Oreal fornecerá sua experiência em pele e todo o financiamento inicial, enquanto a Organovo, que já está trabalhando com empresas tecnológicas como a Merck para imprimir tecidos de fígado e de rins, fornecerá a tecnologia.

A tecnologia da estética

A L’Oreal, que é mais uma empresa de tecnologia do que a maioria das pessoas imagina, gasta ao redor de 3,7% do que ganha – mais de 1 bilhão de dólares por ano – em pesquisa e desenvolvimento. Aproximadamente o dobro da média da indústria, afirma a analista da Bloomberg, Deborah Aitken. Um exército de cerca de 3.800 cientistas da L’Oreal, em quase 50 países, trabalha na criação dos avanços da beleza. À disposição deles há máquinas especialmente criadas que fazem tarefas como lavar o cabelo várias vezes ou fornecer imagens 3D de células que mostram diferentes materiais como o colágeno e a queratina.

A L’Oreal terá direitos exclusivos sobre a pele impressa em 3D desenvolvida com a Organovo para todos os usos relacionados com a venda sem receita de produtos para o cuidado da pele. A Organovo conservará os direitos dos modelos de tecido para os testes de eficácia de remédios com receita, testes de toxicidade, e o desenvolvimento e os testes dos tecidos terapêuticos ou transplantados cirurgicamente.

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